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Redes Privadas são oportunidades não exploradas por Integradores

O título deste artigo é uma provocação direta com constatação real: há muito espaço para negócios entre integradores/provedores de internet e o mercado corporativo quando se pensa na expansão dos serviços de redes privadas, porém a falta de conhecimento desse potencial tem restringido o avanço no setor. Foi pensando nisso que a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) criaram, em 2023, o “Prêmio ABDI e Anatel de Redes Privativas” para divulgar boas ideias e inspirar provedores de internet Brasil afora a explorar novas oportunidades de negócios.

Uma Rede Privativa ou Privada em telecomunicações é definida a partir de um sistema desenhado para a implementação de soluções específicas em um serviço limitado para atender uma necessidade particular, que permita aplicações sem fio ponto- multiponto e ponto- área diversificada em grandes espaços. Trata-se, na verdade, de uma rede muito mais focada no alto tráfego de Dados provenientes do upload de diferentes dispositivos para um computador central ou painel de controle, sem que esses Dados precisem concorrer com outros usuários por velocidade, o que resulta em uma menor latência, mais estabilidade e também mais segurança, já que se trata de um circuito fechado.

Dessa forma, o provedor de internet ou ISP estabelecido em determinado território não deve encarar as redes privativas como algo diferente ou longe de sua capacidade de entrega. Assim como outros serviços em telecomunicações, existem consultorias e programas dos próprios distribuidores que auxiliam os ISPs no design e implantação técnica desses modelos de rede – pois elas nada mais são que uma forma diferente de exercer seu Core Business, que é conectividade. Devem ser encaradas como mais um item no leque de oportunidades que existe no atendimento ao público B2B, nas diferentes demandas e cenários do mercado corporativo.

Assumo que alguns pontos quanto à aplicação das redes privativas precisam ser “desmistificados”. Seu uso ganhou muita visibilidade com a chegada da rede 5G ao Brasil, quando na verdade essa não é a única tipologia para sistemas fechados. É plenamente viável estabelecer uma rede privativa em 4G se a demanda de acesso à internet em questão for contemplada por essa tecnologia. Assim, são retiradas da equação preocupações adicionais como homologação e estabelecimento de infraestrutura para conectividade que alguns locais precisam encarar com a rede 5G, permitindo ao integrador e cliente avançarem em projetos individualizados.

Outro item que necessita de clarificação é que apenas empreendimentos em avançado processo de automação ou digitalização precisam de uma Rede Privada. Um equívoco muito grande que percebo em meu contato diário com o mercado é que um provedor regional estabelecido em áreas mais remotas, longe dos grandes centros, pensa que um projeto de rede privada não pode ser aplicado em fábricas e fazendas. Eu diria que é exatamente o oposto.

Trata-se de uma aplicabilidade que atende muito bem esse perfil, porque necessitam de uma rede estável, segura e com a menor latência possível – o que pode ser atendido perfeitamente por uma rede 4G ou 5G privativa. Aliás, essa é uma questão parecida com o problema do ovo e a galinha: as indústrias e o agronegócio local não usam redes privativas por não necessitarem ou por não terem um fornecedor com capacidade técnica para implementação? Aqui também se encaixa muito bem aquela famosa frase do Steve Jobs, “as pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas”.

Não são apenas as indústrias supermodernas e o grande agronegócio que podem usufruir de máquinas autônomas que precisam de uma rede privativa, negócios de menor porte também precisam acompanhar grande quantidade de Dados na logística de insumos e produtos, gerenciamento de armazéns, telemetria de máquinas agrícolas e até o rastreamento da movimentação de rebanhos. Ora, um hospital ou laboratório farmacêutico precisa monitorar constantemente a climatização em determinados ambientes para o correto funcionamento de máquinas e conservação de medicamentos, e definitivamente não vão querer que seu painel de controle concorra no acesso à internet com seus funcionários ou fique sujeito a obstáculos no sinal de Wi-Fi no prédio.

Uma Rede Privativa 4G ou 5G existe para que o cliente corporativo nos mais distintos segmentos – saúde, educação, logística, utilities, mineração, indústria, agropecuária etc. – possa ter sua própria rede no perímetro do seu campus de maneira bastante simples e com ótimos resultados de velocidade, latência e mitigação de interferências de sinal. São áreas com necessidades bastante específicas e cujos requisitos nem sempre são atendidos pelas grandes operadoras de Telecom. Entregar essa rede é um serviço de valor agregado em cima do principal produto de um ISP, que é a conexão à internet, formatado como um diferencial que o destaca no mercado e no que ele tem a oferecer aos seus clientes.

Por Vanderlei Rigatieri, CEO da WDC Networks.

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