
A Transformação Digital acelerada dos últimos anos vem mudando não apenas a forma como as empresas operam, mas também o perfil dos profissionais mais valorizados pelo mercado de tecnologia. Em um cenário impulsionado por Inteligência Artificial, Automação e integração de sistemas, companhias têm enfrentado dificuldades para encontrar talentos que combinem conhecimento técnico com habilidades estratégicas e comportamentais.
O gargalo é global. De acordo com o relatório do World Economic Forum, 63% das empresas consideram a falta de qualificação profissional a principal barreira para a transformação dos negócios. O estudo aponta que quase 40% das habilidades exigidas devem mudar até 2030, colocando competências ligadas à IA, Análise de Dados, Cibersegurança, pensamento analítico e colaboração no topo das prioridades.
Para Ticiana Amorim, fundadora e CEO da Aarin, hub techfin especializado em Embedded Finance com soluções simples pensadas para facilitar cobranças e recebimentos dos seus clientes, o mercado vive uma mudança importante na lógica de contratação da área tech. “Existe uma transformação clara no perfil dos talentos mais disputados. O conhecimento técnico continua essencial, mas sozinho já não resolve os desafios das empresas. Hoje, buscamos profissionais que consigam conectar tecnologia, negócio, experiência do usuário e tomada de decisão”, afirma a executiva.
Essa alteração de percepção sobre produtividade e valor humano foi impulsionada pela ascensão da IA Generativa. Dados do LinkedIn mostram que habilidades comportamentais (soft skills), como comunicação, adaptabilidade e resolução de problemas, seguem em alta. A tendência é que os profissionais atuem em conjunto com as ferramentas de IA, deixando o trabalho operacional de lado.
“A Inteligência Artificial tende a assumir as tarefas repetitivas. O diferencial humano passa a estar na capacidade de interpretar cenários, fazer conexões estratégicas e tomar decisões com senso crítico”, completa Ticiana.
Outro movimento forte no setor é a demanda por profissionais híbridos, capazes de transitar entre áreas técnicas e de negócio (especialmente em segmentos regulados, como o financeiro) e a descentralização geográfica dos times, consolidada pelo trabalho remoto.
Para a CEO da Aarin, a inovação não está mais restrita aos grandes centros, o que exige uma competência mestre de qualquer profissional: o lifelong learning (aprendizado contínuo). “Hoje, empresas conseguem construir times altamente qualificados de forma distribuída, trazendo diversidade de repertório para resolver problemas complexos. Mas a tecnologia muda rápido demais para depender de uma habilidade fixa. Curiosidade, aprendizado constante e flexibilidade passam a ser as competências fundamentais para o futuro”, conclui.

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CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

MERCADO
O bom negócio da locação de equipamentos de TI

SEGURANÇA DIGITAL
Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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