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Orange: o cenário atual e o pós-pandemia impõem desafios ao gestor

Há que se manter esse modelo de despressurização para podermos manter os negócios fluentes e, futuramente, voltarmos sem uma transição drástica. Esta é uma das opiniões de José Renato de Mello Gonçalves, vice-presidente da Orange Business Services para a América Latina. Confira a íntegra da entrevista.

Como gerenciar uma equipe com cada membro em um local diferente?
A colaboração é uma palavra-chave para a Orange, desde as suas ofertas de negócios até o nosso modelo de trabalho. Desde 2006, já operamos com um modelo híbrido, conciliando nossa força de trabalho entre presencial e remoto. Ou seja, a gestão da equipe neste modelo, que ganhou força este ano, já faz parte da cultura de trabalho da Orange Business Services há algum tempo. O segredo para funcionalidade, na minha opinião, está na gestão eficaz e na autorresponsabilidade de nosso pessoal. O que fazemos, no fundo, é atribuir responsabilidades, criar meio de medir e acompanhar o desempenho ao mesmo tempo em que olhamos para a entrega, agilidade e respostas dos nossos clientes. Nosso portfólio de serviços tem como DNA a colaboração e garante a eficácia de nossos times, seja no modelo presencial ou a distância. Atualmente, nossas ferramentas de colaboração, conectividade (assegurando flexibilidade e alta velocidade por meio das redes de área ampla – WAN), gestão de dados (tarefa possibilitada também graças aos recursos de IoT), customer experience (há soluções de contact center para mais de 260 milhões de clientes), consultoria e serviços gerenciados configuram um cenário, no mínimo, estável para lidar com as adversidades de 2020.

Remotamente, o profissional pode baixar todo tipo de software e app no equipamento da empresa, além de compartilhar arquivos indiscriminadamente. Como controlar estas práticas?
Acreditamos no formato de atribuição e responsabilidade conferido a cada um dos colaboradores. Com a pandemia, essa credibilidade conferida não altera sequer uma vírgula em nosso voto de confiança. Considerando o teor estratégico de muitos dos nossos clientes, estamos equipados com soluções de segurança de dados que asseguram controle na gestão da informação, ainda que a distância. Adotamos com o nosso time a mesma expertise que ofertamos ao mercado. Atualmente, nossa jornada de dados passa pelos seis estágios, avaliados pela companhia como o modelo de maior eficácia: coleta, transporte, armazenamento e processamento, análise, compartilhamento e criação e, por fim, proteção e segurança. Não diria que esse último é o mais importante, porém desempenha um papel crucial no momento pelo qual passamos.

Em 2021, vamos falar muito sobre soluções híbridas baseadas em softwares

Com a volta aos escritórios, qual o risco de todos esses equipamentos estarem em uma mesma rede?
Ainda não sabemos quando, de fato, retornaremos. Ao que tudo indica, será um processo gradual e, nesse intervalo, estamos nos preparando e planejando um regresso com medidas eficazes de segurança – atualmente, um dos nossos pilares de atuação no ramo B2B. Somos referência por oferecer soluções de proteção de dados para nossos clientes. Além do mais, vivemos em um mundo cada vez mais orientado por dados – ou data driven, como costumam chamar-, que passa por uma Transformação Digital visível. Trabalhamos com análises complexas, bem como um conjunto de softwares e técnicas assertivas para que o trabalho seja executado, levando-se em consideração a gestão e a segurança dos dados.

Qual é a orientação da matriz para o Brasil quanto ao retorno ao escritório?
Como a maioria do mercado, estamos observando o cenário e respeitando o que as autoridades e a ciência têm a dizer sobre a pandemia. Assim que houver uma orientação de entidades como a Organização Mundial da Saúde, OMS, teremos a possibilidade de planejar a retomada presencial. Por enquanto, a operação remota segue a pleno ritmo.

O que a Orange Business Services tem feito para manter a produtividade no atual cenário?
O fato de já trabalharmos em um ambiente híbrido não quer dizer que não sofremos mudança. Estar o tempo todo em casa, certamente, tem impacto nos negócios. Antes, as reuniões em grupo eram geralmente em uma sexta-feira. Atualmente, há dias da semana em que nos encontramos virtualmente para bater um papo. Todo mundo chega com seu café. As conversas costumam ser bem tranquilas, mas quando chega o horário da reunião, mãos à obra. Há que se manter esse modelo de despressurização para podermos manter os negócios fluentes e, futuramente, voltarmos sem uma transição drástica. Em termos práticos, houve uma mudança nos formatos. Algumas reuniões que eram de uma hora passaram a ser de 45 minutos. Assim, o colaborador tem uns 15 minutos para uma água ou um café. Recomendamos bloquear alguns horários, como o almoço. Esses pequenos detalhes ajudam a manter o bem-estar.

A pandemia interferiu na conquista de novos contratos?
Essa situação vivida é algo que precisamos enfrentar. Ainda encaramos questões diariamente e temos que saber lidar com elas. É necessário ter a habilidade para se adaptar. Por ser uma companhia global, a Orange começou a ouvir e a discutir a difusão do Coronavírus anteriormente e, obviamente, a se preparar para adotar medidas de proteção. Já estávamos acostumados a fazer esse trabalho remoto, ora em casa, ora no escritório, ora viajando. No entanto, está na essência do ser humano – especialmente nós, latinos – ter essa abordagem pessoal: o cliente espera que as principais reuniões tenham aperto de mão. Uma primeira conexão de forma remota pode ser uma mudança, justamente, por ser uma quebra de paradigma. Contudo, não foi um impedimento para que contratos fossem fechados e novas e bem-sucedidas formas de se trabalhar fossem implementadas.

É evidente o aumento na adoção dos modelos de interação online e via webinars. Como avalia o uso desses modelos na retomada?
Acho que vai ser equilibrado. Nesse período, aprendemos a usar mais os eventos online e o que funciona melhor, isto é, há que se direcionar cada conteúdo para as audiências mais adequadas. Estamos em um momento em que a tecnologia está a nosso favor. Passamos por tempos difíceis, mas estamos nos apoiando nesses aspectos positivos para seguir adiante até superarmos a pandemia. Em 2021, vamos falar muito sobre soluções híbridas baseadas em softwares. Trabalharemos em todos os lugares – em casa, no escritório, em um coworking, aeroporto, café ou hotel. Temos que nos adaptar a esse cenário e pensar em conectividade. Em nosso portfólio, temos soluções como SD Wan e SD Lan, que têm uma excelente performance quando lidamos com infraestruturas diversas. A importância do software e do serviço se tornará ainda maior. No entanto, teremos que combinar com o aspecto humano, pois quem entrega são as pessoas, mesmo com a IA e o Machine Learning à nossa disposição.

Que mensagem gostaria de passar, considerando que teremos alguns meses de pandemia pela frente?
É preciso investir em colaboração segura. Quando podemos trabalhar do escritório, existe um certo controle, o que facilita a gestão. Sabe-se quais computadores, redes, telefones e impressoras estão sendo utilizados. A partir do momento em que as pessoas trabalham de casa, perde-se um pouco esse atributo. Enquanto líder, preciso ter uma relação de colaboração segura com essa pessoa. Uma outra dimensão em que os líderes necessitam se preocupar é o da saúde mental e emocional de seus colaboradores. Temos investido muito em ações para minimizar o impacto do isolamento. Portanto, além de uma plataforma tecnológica que estimule a interação e garanta segurança da informação, o tema da saúde mental e emocional tem sido um de nossos principais focos atualmente.

Muitos dizem que 2020 é um ano pausado. Outros discordam. Qual é a sua avaliação sobre isso?
Pode-se dizer que 2020 é um dos anos em que mais aprendemos a lidar com equipes, funcionários, família e saúde, equilibrando todas essas frentes (pessoais e profissionais). Antes desse período, os trabalhos foram sequenciais e fomos vivendo, executando e entregando, um dia após o outro. Em 2020, tivemos que lidar com mudanças constantes e inúmeras adversidades, uma combinação que possibilita um crescimento, se for bem convertida. No entanto, esse contexto envolve desafios, alguns tropeços. Hoje, somos muito maiores e melhores do que no passado. Quando nosso time de vendas vai fazer um forecast, pensamos na infraestrutura para trabalhar de casa e no aspecto humano. Em episódios similares anteriores, como a gripe espanhola e o H1N1, a humanidade mudou questões relacionadas a saneamento e higiene. A interferência da vida pessoal muda minha qualidade como profissional? Não altera, mas redireciona. Este ano nos proporcionou uma visão mais humanística.

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