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Como a IIoT pode impactar a atuação das indústrias no e-commerce

A pandemia acelerou o modelo de operação da indústria diretamente com seu consumidor final, o D2C (Direct to Consumer). Eurípedes Fernandes, Product Marketing da Senior Sistemas e líder do Grupo de Trabalho (GT) de negócios da ABII faz algumas reflexões sobre o tema
Como a IIoT pode impactar a atuação das indústrias no e-commerce

O crescimento do e-commerce já vem se apresentado como tendência há algum tempo. Porém, com a chegada da pandemia, esse fenômeno foi acelerado. A indústria 4.0 possui um papel de forte influência no comércio digital. Os seus impactos já podem ser sentidos pelas empresas que atuam no modelo B2B (Business to Business) e que pretendem vender ou já estão vendendo diretamente para o consumidor final.
Em entrevista concedida à Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), Eurípedes Fernandes, que é Product Marketing da Senior Sistemas e líder do Grupo de Trabalho (GT) de negócios da ABII, abordou o tema. Questionado à respeito do futuro do e-commerce, Eurípedes confirma: “as vendas do futuro de qualquer produto ou serviço serão, sem dúvidas, cada vez mais realizadas pela internet”.
Para exemplificar o momento atual dessa economia no mundo, ele trouxe dados relevantes que destacam o impacto do mercado digital das indústrias. O e-commerce é uma força que vem se consolidando há tempos. No setor de varejo, por exemplo, 20% das vendas globais acontecem de forma online. Tratando-se da América Latina, 54% das vendas digitais se concentram no Brasil.

O setor industrial já é responsável por 10% das vendas online, isso tratando apenas das vendas diretas, da indústria para consumidor final  

O cenário brasileiro parece estar dando passos largos rumo à Transformação Digital. O setor industrial já é responsável por 10% das vendas online, isso tratando apenas das vendas diretas, da indústria para consumidor final.
Fato relevante é que o inbound marketing possui um papel de destaque nesse meio. Afinal, 70% das transações digitais são influenciadas por conteúdos digitais (sites, blogs, redes sociais, e-books). A pandemia não mudou o cenário mundial com relação ao e-commerce, ela apenas potencializou e acelerou um processo que há muitos anos já vem se desencadeando. E de certa forma, sacramentou um novo modelo de operação da indústria diretamente com seu consumidor final, o D2C (Direct to Consumer).
Influência da IIoT no comércio digital
Não apenas a IIoT (do inglês, Internet Industrial das Coisas), mas todas as tecnologias habilitadoras da indústria 4.0, terão papel fundamental na otimização do uso de vendas digitais.
“Além da Internet das Coisas, a Realidade Aumentada, o Big Data, a computação na Nuvem e a Inteligência Artificial juntas potencializam um canal que aumenta consideravelmente o índice de vendas. Se considerarmos fatores como visibilidade, produtos customizados e até encontrar o fit correto do produto no mercado, ficam claros os pontos em que os pilares da indústria 4.0 darão sustentação”, explica Eurípedes.
Ele também destaca algumas vantagens importantes que a IIoT proporciona para indústrias que desejam atuar no modelo D2C:
Inteligência de mercado
Essas tecnologias permitem a obtenção de um conhecimento de mercado totalmente detalhado, com informações completas a respeito dos clientes, dos hábitos de consumo e dos meios de produção. Os dados trabalhados com os feedbacks dos clientes, modelos e hábitos de consumo, além da performance de produção e entrega darão essa visibilidade!”
Análises em tempo real
Possibilitam análises completas em tempo real de toda a escala de produção, do chão de fábrica ao consumidor final. Além, é claro, de otimizar o trabalho da gestão, que pode encontrar pontos estratégicos de melhoria.
Interfaceamento
O interfaceamento com o maquinário possibilita que a produção aconteça de forma sustentável, com pleno controle sobre os recursos e que, principalmente para produtos mais customizados, possa ser disponibilizado para o cliente prazos de entrega com base na performance do parque fabril. Os dados trabalhados com os feedbacks dos clientes, modelos e hábitos de consumo, além da performance de produção e entrega darão essa visibilidade.
Ganhos, vantagens e desafios
Conforme explicado pelo especialista, o mercado do e-commerce para as indústrias irá contar com significativas vantagens, mas também com inúmeros desafios. “Em vez de as empresas brigarem por espaço publicitário ou pelo melhor ponto físico de venda, elas irão disputar por atenção. Terão que apresentar conteúdos de maior relevância”, destaca Eurípedes.
O alcance de marketing deverá ser o foco das indústrias. Afinal, tratando-se de internet, o nível de concorrência será cada vez mais elevado, portanto, destacar-se no marketing de conteúdo será um diferencial para as empresa que nele apostarem. Aqui novamente podemos contar com tecnologias habilitadoras da indústria 4.0 como realidade aumentada que pode mostrar o produto ou serviço em detalhes mais ricos.
Dominar ferramentas e estratégias de venda também será um grande desafio, já que não é rotineiro esse tipo de prática na indústria, pois habitualmente comercializam para empresas intermediárias. Em contrapartida ao aumento da competitividade no setor do comércio digital, alguns ganhos significativos precisam de destaque. São eles os principais responsáveis por tornarem esse mercado extremamente vantajoso para as indústrias.
Podemos citar o maior alcance da marca; maior oferta de produtos (o fabricante pode disponibilizar linhas completas de produtos); relacionamento de verdade com o cliente final; margem de lucro maior (e sem tantos intermediários no processo de venda é possível, inclusive, oferecer preços mais competitivos ao consumidor final); segurança e credibilidade (um e-commerce operado por um fabricante acaba com todas as dúvidas na hora de comprar de forma digital).
“O aumento do alcance em potencial da marca na internet permite que a quantidade de clientes cresça substancialmente, seja em questão de milhares, ou até mesmo de milhões!”, aponta. Outro fator interessante é a autoridade. Conforme explicou Eurípedes, as marcas de destaque contam com feedbacks positivos, o que atrai a atenção de visitantes dos conteúdos e consequentemente o potencial comercial da marca.

Fazendo parte da inovação
Ao optar por iniciar o modelo de negócio D2C (Direct to Consumer), a empresa deve começar com cautela e realizar estudos prévios, que visam melhor conhecer o mercado no qual se está prestes a entrar. Eurípedes destaca que a primeira atitude a ser tomada é estudar todo o contexto comercial: “Analisar os preços ideais, o atendimento aos novos clientes, novos moldes de tributação e saber como lidar com os entraves que acontecerão, como a complexidade de trabalhar com milhares ou milhões de clientes.”
Outra questão é saber como lidar com a otimização logística, como a administração de centros de distribuição e os modelos de entrega inovadores (como Pickup Store, Same Day Delivery e Lockers). Citando exemplos de cases de sucesso, o entrevistado relatou que as empresas que melhor estão apresentando resultados, são aquelas voltadas para os bens de consumo duráveis, como os eletrodomésticos.
Eurípedes citou também algumas marcas que estão se destacando no comércio D2C: AMBEV, Whirlpool (Consul e Brastemp), Empório da Cerveja, P&G, Unilever e Coca-Cola. “Essas empresas alcançaram um grande patamar no comércio digital pois buscaram, acima de tudo, conhecer de fato o perfil de seus clientes!”
O cliente e o comércio do futuro
Eurípedes finaliza dizendo que a indústria que deseja ter sucesso nesse meio precisará colocar a satisfação do cliente como objetivo principal de sua estratégia. A IIoT e as inovações da transformação digital também terão importante papel ao auxiliar as empresas a conhecerem a fundo seus clientes, pois otimizam o conhecimento da persona. “O apoio das tecnologias será imprescindível nesse comércio.”
E o seu negócio, já conta com o apoio das tecnologias disruptivas, que te darão suporte para vivenciar os desafios da indústria 4.0?
 

. Eurípedes Fernandes

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