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Hyperledger Fabric v1.0 – O Blockchain business-driven

Historicamente, o Blockchain nasceu para uma missão muito clara: possibilitar o funcionamento da rede de cripto-moeda Bitcoin. Desse modo, todos seus recursos foram (muito bem) pensados para este fim. Uma rede pública, onde qualquer pessoa que crie seu par de chaves criptográficas, pode fazer parte. Todas as transações ocorridas na rede estão disponíveis a todos os participantes, – ainda que criptografadas – que detém o mesmo livro-razão na sua máquina, sendo que ninguém centraliza nenhuma função.

O mundo corporativo começou a perceber que o Blockchain poderia ser uma ferramenta para resolver diversos desafios no seu ambiente. Segurança, visibilidade, consenso, distribuição, entre outros aspectos, lhe caiam muito bem. Com as primeiras aplicações comercias surgindo, percebeu-se também que alguns características do Blockchain poderiam ser aprimoradas, mesmo que se distanciando um pouco do Blockchain original.

Esse movimento se tornou nítido com a mais nova versão do Fabric, principal projeto do consórcio Hyperledger. A IBM avançou da versão 0.6 para a 1.0 quebrando diversos paradigmas. Numa atitude que considero corajosa, ela reescreveu a topologia do Blockchain, retirando, acrescentando e melhorando o necessário para adequá-lo a uma infraestrutura do mundo de negócios atual, tornando-o entreprise-ready.
Os principais SPFs (Single point of failure) foram removidos, distribuindo suas funções para garantir segurança e escalabilidade. No lugar deles há módulos plugáveis, como no caso do gerenciamento de identidade (membership), algoritmo de consenso, e método de criptografia.

A rede já não é voltada a ser pública, e sim permissionada. Só quem for devidamente autorizado, pelas suas credenciais, poderá se juntar a ela. Os membros da rede não são mais anônimos; pelo contrário, todos tem sua identidade amplamente checada. O sigilo continua a ser mantido quando necessário (entre empresas concorrentes atendendo uma mesma RFP, por exemplo), mas disponível ao organizador da rede e eventuais órgãos reguladores. Caso sua empresa já possua um forte aparato único de identificação para seus atuais sistemas, ela não precisa criar outro; ela pode simplesmente plugar este aparato no blockchain, no melhor estilo “bring your own identity”.

Em relação a banco de dados, foi acrescentado agora o CouchDB, um poderoso banco NoSQL, que trabalha com formatos JSON e permite uma grande riqueza de queries de consulta.

Como consequência deste novo paradigma, não é mais necessário que todos nós da rede façam todas as funções. Os processos de validação, gravação, execução do contrato, e ordenação das transações, podem ser feitos apenas pelos membros que tenham mais aderência a cada um deles.

O recurso de “canais” muda a arquitetura anterior, onde todos os participantes tinham o livro-razão inteiro no seu computador. Agora, cada membro tem o pedaço do livro-razão que o interessa. Isto é particularmente interessante em negócios onde a simples constatação da quantidade de transações que seu concorrente está gerando, já é uma informação estratégica.

Em suma, as aplicações comerciais para Blockchain, com a versão 1.0 do Fabric, aumentaram muito, ao passo que seu impacto na implantação diminui bastante.

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