
De acordo com o estudo da Forrester Global Sovereignty Forecast, 2025 to 2030 (Previsão Global de Soberania, 2025 a 2030), a soberania tecnológica global — a capacidade de um país de desenvolver, operar e garantir tecnologias críticas independentemente da influência de governos estrangeiros — evoluirá lentamente nos próximos cinco anos. A pontuação média de soberania tecnológica em todos os 14 países avaliados (Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, México, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido e EUA) deve subir apenas minimamente, de 39% em 2025 para 40% em 2030.
China e EUA lideram o grupo, registrando as maiores pontuações gerais de soberania tecnológica, com 82% e 79%, respectivamente. Espera-se que ambos os países mantenham sua liderança nos próximos cinco anos, ressaltando que a soberania tecnológica permanecerá concentrada em um pequeno número de potências geopolíticas e econômicas. Para fechar lacunas de capacidades e reduzir dependências críticas de tecnologia, outros países precisarão contar com parcerias e alianças estratégicas.
Em sua primeira edição, a Previsão Global de Soberania da Forrester inclui um índice de soberania tecnológica, que mede a capacidade de um país desenvolver, operar e proteger tecnologias críticas de forma independente para reduzir a exposição a riscos geopolíticos. O índice avalia cada país em nove dimensões da soberania tecnológica: investimento governamental em IA, soberania em Nuvem, disponibilidade de força de trabalho tecnológica, desenvolvimento de modelos de IA, capacidade de data center em relação aos gastos com tecnologia, autonomia de data center, produção de semicondutores, criação de software e processamento de terras raras.
Entre todas as dimensões tecnológicas, a fabricação de semicondutores apresenta a maior melhora projetada, liderada pelos EUA e Coreia do Sul, cujas pontuações de produção de chips devem aumentar de 45% em 2025 para 79% em 2030, seguidas pelo Japão (36% a 53%), China (40% a 51%) e Índia (0% a 13%). Mesmo com essas melhorias, semicondutores e softwares continuarão entre os maiores desafios de soberania devido às cadeias de suprimentos concentradas de chips e a um punhado de fornecedores de software dominantes.
Outros achados importantes da previsão incluem:
A Ásia-Pacífico é altamente polarizada: a região abrange tanto as posições de soberania tecnológica mais fortes quanto as mais limitadas do mundo. Após a China, espera-se que a Coreia do Sul suba de 45% em 2025 para 47% em 2030, seguida pelo Japão de 43% para 46%. A Índia também deve melhorar de 32% para 35%, enquanto a Austrália deve permanecer estável em 29%.
A América do Norte apresenta uma divisão de soberania acentuada: embora os EUA sejam projetados para permanecer líderes globais, espera-se que o Canadá melhore de forma mais modesta, de 33% para 34%. O México continuará sendo o menor entre os 14 países avaliados, com 20%, destacando a distribuição desigual do poder tecnológico na região.
As maiores economias da Europa continuam dependentes de fornecedores estrangeiros de tecnologia: Alemanha e Espanha devem subir de 34% em 2025 para 36% em 2030, França de 33% para 35%, Reino Unido de 30% para 32% e Itália de 27% para 29%. Apesar dessas melhorias, as pontuações mais baixas da Europa refletem dependências significativas de chips, nuvem, software e capacidade de Data Centers.
“A volatilidade geopolítica contínua, a concorrência da IA e os riscos na cadeia de suprimentos dos semicondutores colocaram a soberania tecnológica firmemente em destaque”, disse Dario Maisto, analista principal da Forrester. “Hoje, a soberania tecnológica está concentrada nas mãos de alguns líderes globais, criando uma vantagem competitiva desigual para alguns países. Para competir na era da IA, as nações devem compreender suas dependências estratégicas e construir parcerias duradouras que protejam seus dados, infraestrutura e autonomia de longo prazo”, finalizou.
Serviço
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