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Lançamento de voz da OpenAI deve redesenhar o atendimento ao cliente

O GPT-Live, anunciado pela OpenAI, resolve o maior entrave técnico da IA por voz – a conversa em turnos – e reacende a corrida por interfaces mais naturais

Lançamento de voz da OpenAI deve redesenhar o atendimento ao cliente

A OpenAI apresentou recentemente o GPT-Live, a nova geração de modelos de voz que ouvem e falam ao mesmo tempo, em vez de operar em turnos rígidos de pergunta e resposta. A mudança técnica – chamada de arquitetura full-duplex – ataca diretamente o problema que, até hoje, fazia qualquer interação por voz com Inteligência Artificial soar mais como um walkie-talkie do que como uma conversa real.

O lançamento, por enquanto, está restrito ao ChatGPT para consumidores, em iOS, Android e Web, sem acesso via API e sem disponibilidade para contas Business ou Enterprise. Para especialistas em atendimento ao cliente, no entanto, o avanço técnico é o que importa: pela primeira vez, uma IA de voz em escala consegue processar áudio continuamente enquanto formula respostas, decidindo a cada fração de segundo se deve falar, ouvir, pausar ou acionar uma ferramenta em segundo plano.

A tendência é o atendimento ficar fluido entre canais, um cliente pode começar a chamada por voz, receber um link por WhatsApp e continuar sem perceber a troca. Depois da voz, a próxima fronteira é o vídeo em tempo real

“Usar IA por voz no atendimento sempre foi um pouco como comprar um carro elétrico em 2020: o movimento era inevitável, mas a experiência ainda não estava pronta”, diz André Fossa, cofundador da Cogni2, startup brasileira de IA Generativa para atendimento, e ex-CDO da Nextel. “O lançamento da OpenAI ainda não chega às operações de call center, mas resolve exatamente o problema técnico que travava esse mercado. A autonomia aumentou, falta a infraestrutura de recarga, que nesse caso é a API para empresas”, completa.

Segundo dados da Cogni2, o custo de um atendimento por voz em operações pouco eficientes pode chegar a R$ 20 por chamada, contra R$ 10 a R$ 12 no WhatsApp em cenários equivalentes, o que historicamente tornava a voz o canal mais caro para automatizar. Se a experiência por voz melhorar a ponto de reduzir tempo médio de atendimento e aumentar a resolutividade, o potencial de economia é maior do que em canais já baratos, segundo Fossa.

A urgência do tema também é reforçada por uma mudança recente na precificação do WhatsApp Business Platform: desde julho de 2025, a Meta cobra por mensagem em templates comerciais, o que tem levado empresas que concentraram o atendimento no canal a reavaliar sua matriz de custos. Nesse contexto, uma alternativa de voz mais barata e fluida volta a ganhar espaço estratégico.

O anúncio acontece em um momento de intensa competição global por soluções capazes de tornar a interação entre pessoas e inteligência artificial mais fluida. Além do lançamento da OpenAI, o mercado acompanha investimentos bilionários em empresas voltadas ao desenvolvimento de interfaces multimodais, como a Thinking Machines Lab, fundada pela ex-CTO da OpenAI Mira Murati, reforçando a expectativa de que voz, texto, imagem e vídeo passem a operar de forma integrada nos próximos anos.

Para Fossa, o próximo capítulo é o que decide o impacto real sobre o setor de atendimento. “A pergunta que fica é quando a OpenAI abre isso via API para empresas. É aí que plataformas tradicionais de contact center, como Genesys, Avaya, NiCE e Five9, precisam prestar atenção, porque o valor começa a migrar da infraestrutura de telefonia para quem entende de jornada e contexto”, afirma.

Para o executivo, a discussão também não deve ser tratada como voz contra texto. “A tendência é o atendimento ficar fluido entre canais, um cliente pode começar a chamada por voz, receber um link por WhatsApp e continuar sem perceber a troca. Depois da voz, a próxima fronteira é o vídeo em tempo real”, diz Fossa.

Serviço
www.cogni2.com

 

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