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Sensor idealizado na UFSCar pode monitorar fadiga muscular em atletas

Projeto é premiado em prestigioso congresso internacional de eletroquímica, realizado em Lisboa. A perspectiva é que, no futuro, esses sensores possam ser incorporados diretamente à pele, permitindo o acompanhamento em tempo real de informações relacionadas ao desempenho físico

Sensor idealizado na UFSCar pode monitorar fadiga muscular em atletas

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) conquistou reconhecimento internacional ao receber o prêmio Best Poster Prize durante o Eseac 2026 – 20th International Conference on Electroanalysis, importante congresso mundial nas áreas de eletroquímica, sensores e dispositivos vestíveis. O evento foi realizado entre os dias 7 e 11 de junho, em Lisboa, Portugal.

O trabalho premiado, intitulado Wearable Electrochemical Sensor for Sport Monitoring, foi desenvolvido pela doutoranda Rafaela C. de Freitas, do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Materiais do Campus Sorocaba (PPGCM-So) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sob orientação do professor Bruno Campos Janegitz, do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME-Ar) do Campus Araras da UFSCar. A pesquisa integra as atividades do Laboratório de Sensores, Nanomedicina e Materiais Nanoestruturados (LSNano).

Isso pode beneficiar atletas, treinadores, profissionais da medicina esportiva e até mesmo aplicações voltadas ao monitoramento personalizado da saúde 

O prêmio foi concedido pela revista científica Analytical and Bioanalytical Chemistry, da editora Springer, uma das principais publicações internacionais da área.

Tecnologia para monitorar o desempenho físico
A pesquisa teve como objetivo desenvolver um sensor eletroquímico vestível capaz de monitorar biomarcadores relacionados ao desempenho esportivo de forma não invasiva. O estudo buscou avaliar se um novo material condutor, produzido a partir da combinação de borracha líquida e negro de carbono, poderia ser utilizado na fabricação de sensores flexíveis e de baixo custo para futuras aplicações no monitoramento de lactato no suor humano.

Para isso, os pesquisadores criaram uma tinta condutora inédita e a aplicaram sobre um substrato flexível fabricado com o mesmo material. O dispositivo foi submetido a diferentes etapas de caracterização e avaliação eletroquímica até ser empregado na detecção de peróxido de hidrogênio, composto diretamente relacionado à futura análise de lactato por meio de processos enzimáticos.

Segundo Janegitz, a principal inovação do trabalho está na combinação entre flexibilidade, baixo custo e potencial de aplicação prática. “O estudo demonstrou que é possível produzir sensores vestíveis utilizando materiais acessíveis e técnicas relativamente simples, sem comprometer a qualidade analítica. Isso abre perspectivas importantes para o desenvolvimento de dispositivos destinados ao monitoramento esportivo e à saúde personalizada”, destaca o pesquisador.

Os resultados mostraram que o sensor apresentou elevada sensibilidade, estabilidade e excelente desempenho na detecção de peróxido de hidrogênio, demonstrando ser uma plataforma promissora para futuras análises de lactato em suor humano durante atividades físicas.

O lactato é um importante indicador fisiológico associado à fadiga muscular, à intensidade do exercício e à recuperação física. Atualmente, sua medição costuma exigir métodos invasivos, como a coleta de sangue. A tecnologia desenvolvida pela equipe da UFSCar busca oferecer uma alternativa mais prática e confortável para atletas e profissionais da saúde.

“A perspectiva é que, no futuro, esses sensores possam ser incorporados diretamente à pele, permitindo o acompanhamento em tempo real de informações relacionadas ao desempenho físico. Isso pode beneficiar atletas, treinadores, profissionais da medicina esportiva e até mesmo aplicações voltadas ao monitoramento personalizado da saúde”, explica Janegitz.

Reconhecimento internacional
Criado em 1986, o Eseac é um congresso bienal que reúne pesquisadores de diversos países para discutir avanços em eletroanálise, sensores, biossensores, dispositivos vestíveis, novos materiais e aplicações biomédicas, ambientais e energéticas. A edição de 2026 reuniu participantes da Europa, América, Ásia e outras regiões do mundo.

Para Janegitz, o prêmio representa não apenas o reconhecimento da qualidade científica do trabalho desenvolvido, mas também da capacidade da pesquisa brasileira de contribuir para desafios tecnológicos globais.

“Receber esse prêmio em um dos principais eventos internacionais da área é extremamente significativo. É um reconhecimento ao trabalho da estudante Rafaela, da equipe do laboratório e ao ambiente de pesquisa construído na UFSCar. Mostra que estamos produzindo ciência de excelência e contribuindo para o avanço do conhecimento em temas de grande relevância para a sociedade”, conclui.

A conquista reforça a inserção internacional das pesquisas desenvolvidas na UFSCar e evidencia o potencial das investigações realizadas no LSNano para o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas à saúde, ao esporte e à qualidade de vida.

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