
O estudo global Talent Trends 2026, da Michael Page, aponta uma desaceleração no movimento de troca de emprego e uma mudança nas expectativas de carreira no setor. Com mais de 60 mil respondentes em 36 países, incluindo o Brasil, o levantamento indica que o “novo normal” da tecnologia combina estabilidade, exigência crescente e necessidade constante de adaptação.
Mesmo com remunerações ainda competitivas, profissionais passaram a demonstrar maior satisfação com o cenário atual e mais critério nas decisões de carreira. Em 2026, no Brasil, 54% afirmam estar satisfeitos no trabalho, enquanto 64% dizem estar satisfeitos com o salário atual, números que refletem um mercado mais equilibrado. Ao mesmo tempo, cresce a expectativa por ganhos reais: 39% esperam aumentos de até 25%, e 44% projetam reajustes entre 26% e 50%, o que indica uma combinação de estabilidade com ambição por evolução financeira.
A mudança também se reflete nas prioridades. Hoje, 62% dos profissionais buscam desenvolver novas habilidades ou conhecimentos especializados, enquanto 58% querem expandir competências por meio de treinamentos e qualificações. Além disso, 54% demonstram interesse em atuar em projetos mais complexos e de maior visibilidade, reforçando uma tendência de crescimento orientado por aprendizado e desafio, e não apenas por movimentação entre empresas.
Ao mesmo tempo, fatores como equilíbrio e estabilidade ganham relevância. Cerca de 37% dos profissionais indicam a busca por melhor qualidade de vida como prioridade, enquanto 36% desejam assumir mais responsabilidades e 35% querem se envolver em iniciativas interdepartamentais. O movimento indica uma carreira mais construída dentro das organizações, com foco em evolução contínua e ampliação de escopo.
Nesse contexto, a Inteligência Artificial deixa de ser tendência e passa a ter impacto concreto no dia a dia. Em 2026, 84% dos profissionais de tecnologia já utilizam GenAI no trabalho, enquanto 84% das empresas incentivam o uso da tecnologia. O efeito é direto na produtividade: 87% acreditam que a IA aumenta sua eficiência, e 69% afirmam que ela já influencia suas decisões de carreira.
Apesar dos ganhos, o impacto não é uniforme. Em algumas funções, a IA reduz tarefas operacionais e amplia o foco em atividades estratégicas; em outras, eleva o ritmo e as expectativas de entrega. O resultado é um ambiente mais exigente, em que não basta dominar ferramentas. É preciso adaptar-se rapidamente e ampliar constantemente o repertório profissional.
Diante desse cenário, o estudo aponta que o diferencial do profissional de tecnologia deixa de estar apenas na especialização técnica e passa a incluir versatilidade, capacidade de aprendizado contínuo e atuação em contextos mais amplos. Para as empresas, o desafio é semelhante: mais do que atrair talentos, será necessário desenvolver, engajar e criar ambientes que sustentem crescimento de longo prazo.
“O mercado de tecnologia deixou de ser movido apenas por crescimento acelerado e passou a exigir decisões mais consistentes. Hoje, o diferencial não está só na especialização técnica, mas na capacidade de se adaptar, ampliar repertório e gerar impacto real dentro das organizações”, afirma Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page Brasil.
O Talent Trends 2026 indica, assim, uma mudança estrutural no setor: o mercado de tecnologia continua dinâmico, mas menos impulsivo e cada vez mais orientado por decisões conscientes, tanto de profissionais quanto de empresas.
A versão completa e interativa do estudo, os insights por País, setor e função, pode ser acessada no site da Michael Page.

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Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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