
O avanço dos investimentos em Inteligência Artificial (IA) e Automação nas empresas brasileiras esbarra em um “imposto oculto”: o custo dos Dados ruins. Embora o mercado projete um cenário de eficiência e inovação, a realidade operacional revela que cadastros inconsistentes, duplicados e sem padronização estão drenando os recursos das companhias. Segundo Dados de mercado, informações de baixa qualidade consomem, em média, 12% da receita das empresas e podem causar a perda de até 45% de clientes potenciais devido a falhas como duplicidade ou informações desatualizadas.
“Dados mestres desorganizados estão travando o retorno de projetos de Inteligência Artificial nas empresas. Mesmo com o avanço dos investimentos em IA, Automação e Analytics, organizações ainda operam com cadastros inconsistentes, duplicados e sem padronização, um gargalo estrutural que compromete decisões, reduz eficiência e impede que iniciativas de tecnologia entreguem valor real”, afirma Paulo Cordeiro, CEO e fundador da 4MDG, plataforma SaaS especializada em Governança de Dados mestres.
O especialista aponta que a baixa qualidade da informação segue sendo um dos principais entraves da Transformação Digital. “Sem Dados confiáveis, nenhum projeto de IA entrega o potencial prometido. A discussão sobre dados como ativo começa pela integridade da informação”.
A afirmação é corroborada por dados da plataforma Shelf, que apontam que empresas perdem em média de US$ 12 milhões a 15 milhões por ano devido à baixa qualidade dos dados, sendo que grandes corporações relatam perdas de até US$ 406 milhões anualmente. De acordo com Cordeiro, com uma estrutura adequada de governança e uma Central de Cadastro bem definida, empresas podem reduzir até 30% dos custos operacionais em processos ligados a Dados mestres (MDM).
Na prática, a maior parte das organizações concentra esforços em Analytics e Inteligência Artificial, mas negligencia a base que sustenta essas iniciativas. Informações mal estruturadas sobre clientes, fornecedores, produtos e materiais criam uma Cadeia silenciosa de falhas que impacta áreas como vendas, logística, finanças e atendimento. “O problema raramente aparece de forma explícita no balanço, mas afeta diretamente margem, produtividade e competitividade”, diz Cordeiro. O executivo compara o cenário ao uso inadequado de tecnologia: “É como colocar um motor de Fórmula 1 em um carro desalinhado. O investimento é alto, mas o resultado não vem”.
Em 2025, um estudo da Fivetran constatou que 42% das empresas enfrentaram atrasos, baixo desempenho ou fracasso em mais da metade de seus projetos de IA devido a problemas de prontidão dos dados. Esse cenário de incerteza é ampliado por Dados da VentureBeat, que indicam que até 87% dos projetos nunca chegam à produção devido a questões não resolvidas de qualidade dos dados, enquanto a Huble aponta que 69% das empresas relatam que Dados de baixa qualidade impedem decisões e insights confiáveis em IA. Em suma, enquanto os executivos cobram resultados, muitos times de tecnologia ainda lutam nos bastidores para organizar a informação necessária.
Na avaliação da 4MDG, a chamada economia dos dados depende menos de ferramentas sofisticadas e mais da confiabilidade das informações. A plataforma da empresa atua como uma camada de governança que integra ERPs e CRMs, incluindo SAP, com workflows de aprovação, APIs e mecanismos de saneamento inteligente apoiados por inteligência artificial.
De olho na demanda crescente, a 4MDG está desenvolvendo agentes de IA voltados à padronização automática de cadastros. Fundada em 2019, a empresa já atende mais de 160 clientes no Brasil, Argentina e Estados Unidos, reúne mais de 80 mil usuários e gerencia mais de 25 milhões de registros. A projeção é crescer 90% em 2026, impulsionada pela demanda por Automação e Governança de Dados.
Além do desafio tecnológico, o mercado enfrenta escassez de profissionais especializados em gestão de Dados mestres. Para enfrentar esse gap, a 4MDG criou a Academia MDM. Como parte da estratégia para 2026, a empresa também prepara o maior evento já realizado no Brasil focado em cadastro e Governança de Dados, reunindo cerca de 800 profissionais, incluindo executivos C-level. “A economia dos Dados será tão essencial quanto o ERP foi na primeira onda de digitalização. Em breve, Governança de Dados será infraestrutura obrigatória”, afirma Cordeiro.

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