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Nuvemshop acelera no mid-market e aposta em IA para consolidar posição no e-commerce

Lançada em 2022, a Nuvemshop Next tornou-se o principal instrumento dessa estratégia

Nuvemshop acelera no mid-market e aposta em IA para consolidar posição no e-commerce

A Nuvemshop inicia 2026 diante de uma mudança estratégica relevante. Depois de movimentar R$ 6,5 bilhões em vendas em 2025 (GMV), um crescimento de 35% na comparação anual, a empresa passa a direcionar sua expansão para marcas de médio porte que já operam volumes significativos no comércio eletrônico e buscam maior eficiência, integração e controle sobre a experiência digital.

Com mais de 180 mil marcas ativas na América Latina, presença consolidada no Brasil e operação em México, Argentina, Chile e Colômbia, a companhia entende que a fase de crescimento baseada exclusivamente na abertura de novas lojas digitais atingiu maturidade. O foco agora é aprofundar o relacionamento com negócios que já tratam o Canal online como pilar estratégico.

O movimento acontece em um ambiente no qual o comércio eletrônico ainda representa uma parcela minoritária do varejo nacional  

“Temos que garantir que, no momento em que essas empresas decidirem reavaliar sua plataforma, a Nuvemshop seja a escolha natural”, destaca Alejandro Vázquez, CEO da Nuvemshop, ao comentar a ambição de posicionar a companhia como alternativa prioritária em processos de migração.

O cenário do varejo digital
O movimento acontece em um ambiente no qual o comércio eletrônico ainda representa uma parcela minoritária do varejo nacional. Dados recentes de associações do setor e consultorias especializadas indicam que o e-commerce corresponde hoje entre 9% e 11% das vendas totais do varejo brasileiro [ABComm, Ebit/NielsenIQ]. Projeções apontam que essa participação pode se aproximar de 15% nos próximos anos, à medida que a digitalização se consolida.

Esse cenário reforça a leitura de que o crescimento do setor passa menos pela novidade do Canal e mais pela eficiência operacional, integração de dados e fortalecimento da relação direta entre marca e consumidor.

Mid-market como prioridade
Lançada em 2022, a Nuvemshop Next tornou-se o principal instrumento dessa estratégia. A solução foi desenhada para atender negócios em expansão, com maior volume de tráfego, catálogo mais amplo e demandas mais complexas de integração logística, financeira e operacional. A iniciativa marca o movimento da empresa em direção ao mid-market, ampliando sua atuação para além da base tradicional de pequenos empreendedores.

Essa estratégia já se reflete na presença de marcas de médio porte em segmentos como moda, beleza, casa e decoração, alimentação especializada e produtos pet — categorias que combinam recorrência de compra com maior investimento em construção de marca. Entre os exemplos estão IS Bikini (marca de Deborah Secco), Kings Sneakers, Les Cloches (de Fabi Justus), Desgosto, +Mu, Muskinha, Babolat, Bamba, Hisha, Dudah Beauty e ShortsCo.

“A diversificação dessas categorias indica que o avanço não está concentrado em um único vertical, mas em segmentos nos quais o Canal digital deixou de ser complementar e passou a ocupar papel estrutural”, destaca Vázquez. Dentro da base da companhia, Moda (+35%), Saúde e Beleza (+44%) e Casa e Jardim (+37%) aparecem entre as categorias que mais cresceram em 2025 no e-commerce, segundo a pesquisa NuvemCommerce, realizada pela Nuvemshop.

Esses segmentos concentram empresas que priorizam controle de marca, relacionamento direto com o consumidor e gestão própria da experiência digital — características associadas ao modelo de venda direta ao consumidor, bandeira que a Nuvemshop tem defendido institucionalmente e que ganha visibilidade anual em seu D2C Summit, evento proprietário voltado ao debate sobre o futuro do comércio online, que acontece em 2026 no fim de setembro.

Inteligência Artificial como reconfiguração da jornada
Se o crescimento da primeira década foi impulsionado pela democratização da tecnologia, o próximo ciclo é definido pela transformação da jornada de compra. Para Vázquez, a Inteligência Artificial altera a forma como o consumidor interage com as marcas.

“O consumidor não vai mais navegar em sites filtrando por preço ou marca. Ele vai dizer: ‘Preciso de um tênis para correr uma maratona’, e o agente vai resolver.”

Alejandro Vázquez, CEO da Nuvemshop

A declaração sintetiza uma mudança estrutural: a navegação baseada em filtros e categorias dá lugar a interações conversacionais. Nesse cenário, plataformas passam a ter papel estratégico na organização de dados de catálogo, descrições, avaliações e disponibilidade de estoque para que sistemas baseados em IA consigam interpretar corretamente as ofertas.

“Hoje o desafio é muito mais cultural do que ferramental”, afirmou o executivo, ao comentar que a adoção de IA exige revisão de processos e mentalidade, tanto nas plataformas quanto nas próprias marcas.

WhatsApp como diferencial regional
No Brasil, onde o uso do WhatsApp é estrutural no relacionamento entre empresas e consumidores, a Nuvemshop aposta no comércio conversacional como vantagem competitiva. O Nuvem Chat integra atendimento automatizado e pagamento via Pix e cartão dentro do aplicativo.

A integração com Pix acompanha a consolidação do meio de pagamento no comércio eletrônico brasileiro. Dados da Nuvemshop indicam que o Pix já representa 49% dos pedidos realizados na base de lojistas da plataforma, superando o cartão de crédito, que responde por 47%, além de registrar crescimento de 30% no último trimestre em comparação com o mesmo período de 2025. O levantamento considera transações realizadas por mais de 180 mil lojas ativas no Brasil.

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