
A corrida pela Automação ganhou força nas empresas brasileiras, impulsionada sobretudo pela popularização da Inteligência Artificial. Segundo o relatório “The State of AI: Global Survey 2025”, da McKinsey & Company, 9 em cada 10 organizações no mundo já utilizam alguma solução de IA. No entanto, especialistas alertam que, apesar da adoção acelerada, muitas companhias têm visto seus resultados piorarem após automatizar processos.
O problema não está na tecnologia, mas na forma como ela vem sendo aplicada. Durante palestra recente no Product Camp Brasil, evento de produtos digitais do País, o especialista internacional Marty Cagan, referência global em gestão de produtos, destacou que empresas estão automatizando tarefas, fluxos e decisões sem clareza sobre qual problema real desejam resolver ou qual impacto de negócio pretendem gerar.
A partir desses aprendizados, Raphael Farinazzo, diretor de Operações da PM3, escola referência em negócios e produtos digitais no Brasil, aponta três erros recorrentes que ajudam a explicar por que a Automação tem gerado efeitos negativos em muitas empresas no Brasil.
Transformar Automação em finalidade, não em meio
Em vez de partir de uma pergunta estratégica — “qual problema relevante do negócio estamos tentando resolver?” — muitas empresas começam automatizando processos existentes, mesmo que eles já sejam ineficientes ou irrelevantes. Um exemplo comum é o de automatizar o atendimento ao cliente com chatbots para reduzir custos no atendimento, sem antes investigar a origem das demandas dos clientes.
“Quando o contato ocorre por falhas estruturais na informação, automatizar apenas adiciona fricção, aumenta a insatisfação e gera mais retrabalho. Quem nunca se irritou, como cliente, com um chatbot mal desenhado?”, comenta Farinazzo.
Medir sucesso por volume, não por impacto
Outro equívoco recorrente é medir o sucesso apenas pelo número de fluxos criados, ferramentas contratadas ou mensagens disparadas. Esse modelo, centrado em entregas, ignora se a automação de fato gerou o valor esperado.
“Muitos negócios automatizam a criação de comunicações para clientes, como e-mails, notificações ou mensagens automáticas, e comemoram o aumento no volume de disparos. Na prática, porém, se os clientes passam a receber mais mensagens, mas não mudam comportamentos de compra, o fluxo é ineficiente, pois precisa de mais recursos para gerar o mesmo impacto”, alerta o Diretor.
Escalar decisões erradas com ajuda da IA
Ferramentas de low code e programação assistida aceleram a criação de sistemas, inclusive aqueles baseados em premissas equivocadas. Quando erros de lógica são Automatizados, eles passam a ser replicados em escala, com aparência de confiabilidade. “O risco é maior porque os times deixam de questionar Dados simplesmente por estarem automatizados”, afirma o executivo.
Um exemplo recorrente envolve empresas que automatizam planilhas financeiras internas. Caso regras e fórmulas estejam incorretas, os relatórios passam a gerar decisões estratégicas erradas, agora com maior velocidade e confiança.
Automação exige estratégia, não apenas tecnologia
Farinazzo explica que o avanço da Automação exige maturidade na gestão de produto e análise de Dados. Automatizar sem clareza de objetivo pode comprometer eficiência, reputação e até decisões críticas de negócio. “Quanto mais fácil se torna automatizar, mais importante é saber exatamente o que merece ser automatizado e qual valor isso entrega”, conclui.

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CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

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O bom negócio da locação de equipamentos de TI

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Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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