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Restringir a IA Personalizada pode custar R$ 855 bi ao Brasil em dez anos, diz Reglab

Proibição levaria à redução de produtividade em diferentes setores da economia; cálculo do centro de pesquisa estimou impactos desse cenário sobre o PIB brasileiro

Restringir a IA Personalizada pode custar R$ 855 bi ao Brasil em dez anos, diz Reglab

Um cenário de proibição total da Inteligência Artificial personalizada geraria uma perda de R$ 855 bilhões à economia brasileira em dez anos. O cálculo foi feito pelo centro de pesquisas Reglab, especializado em tecnologia e regulação, no estudo A Dimensão Econômica da Personalização. A pesquisa foi financiada pela Facebook Serviços Online do Brasil Ltda (Meta).

O estudo integra a agenda de pesquisa do Reglab, que analisa a Inteligência Artificial para além da regulação, destacando seu papel central na competitividade da indústria e no desenvolvimento econômico nacional. Pesquisas anteriores do centro já examinaram os impactos regulatórios da IA sobre o setor produtivo e, também, soluções técnicas e organizacionais que viabilizem seu uso responsável.

O estudo mostra a importância de envolver no debate regulatório setores como indústria e agropecuária, além de trazer análises de impacto que considerem questões como efeitos de restrições sobre a produtividade e sobre a atividade

A nova pesquisa aprofunda a discussão a respeito de impactos na economia em decorrência do desenvolvimento de sistemas de IA. Ela parte do princípio de que a personalização – o processo que adapta a funcionalidade, a interface ou o conteúdo de um sistema para um indivíduo – permite melhorar produtos, serviços e experiências. Essa personalização pode ocorrer de duas formas: por meio da utilização de IA para personalizar outros produtos, serviços ou sistemas (por exemplo, a geração de conteúdo textual por um sistema de IA), ou pela própria personalização do sistema de IA (por exemplo, ajustando-o às preferências e ao vocabulário de um usuário).

A literatura econômica aponta que a vedação ao uso de IA para personalização — bem como à personalização dos próprios sistemas de IA — provocaria um choque negativo de 1% na produtividade. Na prática, isso significa que uma hora de trabalho que antes resultava em 100 unidades produzidas passaria a gerar apenas 99.

Com base nesse impacto inicial, o Reglab estimou os efeitos macroeconômicos da proibição sobre a economia brasileira como um todo. Os resultados alcançados pela investigação indicam que, em um cenário hipotético de proibição da personalização, o PIB brasileiro sofreria uma retração de 1,64% ao longo de dez anos. Esse impacto supera o choque inicial de 1% na produtividade devido aos efeitos em cadeia que se propagariam entre os diferentes setores da economia. No acumulado da década, a perda estimada alcançaria R$ 855 bilhões.

Segundo João Ricardo Costa Filho, coordenador do Núcleo de Economia Aplicada do Reglab, o cenário de proibição total é extremo, mas nem por isso deixa de dar um parâmetro importante para o debate público. “É importante sabermos onde a régua começa e termina, para então conseguir medir os efeitos de restrições intermediárias”, diz.

A conta considera impactos diretos e indiretos, uma vez que o cálculo é feito a partir de um modelo de equilíbrio geral, que leva em conta as dependências e interações entre os setores produtivos do país. Assim, se a indústria automobilística é afetada por algum choque econômico direto, isso reverbera também nas projeções da metalurgia: afinal, se por algum motivo cai a demanda por carros, cai também a demanda por aço, de maneira indireta. Indústrias que têm uma maior relação com outros setores são as que sofreriam os maiores impactos, como refino de petróleo, metalurgia e agropecuária.

“O estudo demonstra que a personalização é mais do que uma funcionalidade de conveniência, sendo uma infraestrutura essencial para produtividade”, diz Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab e um dos autores da pesquisa. Nesse sentido, “O estudo mostra a importância de envolver no debate regulatório setores como indústria e agropecuária, além de trazer análises de impacto que considerem questões como efeitos de restrições sobre a produtividade e sobre a atividade econômica como um todo”, afirma.

No entanto, segundo Ramos, é preciso ir além do olhar econômico – a própria pesquisa reforça a importância de considerar diferentes lentes no debate público. No caso da IA personalizada, isso implica trazer à discussão de política pública distinções sobre aspectos como o quê, quem e como é personalizado, que dados são usados, de onde eles vieram e como isso é comunicado.

Serviço
www.reglab.com.br

 

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