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Como distribuidores regionais levam tecnologia aos quatro cantos do Brasil

Ouvimos fabricantes e distribuidoras que atuam em diferentes partes do País para mostrar quais são os desafios, as estratégias e as oportunidades para atender clientes tão diversos

Como distribuidores regionais levam tecnologia aos quatro cantos do Brasil

“Existem vários brasis dentro do Brasil”. A frase pode ser batida, mas é muito real e também se aplica ao mercado de tecnologia. Em um território tão vasto e diverso culturalmente, economicamente e tecnologicamente, as distribuidoras com forte atuação local vêm ganhando cada vez mais importância na estratégia dos fabricantes de produtos de tecnologia da informação e comunicação (TIC). Nesta reportagem, mostramos quais são as características de cada região e como fabricantes e distribuidoras se adaptam a elas para fazerem seus negócios continuarem a expandir pelos quatro cantos do País.

“Em um território continental, é como se existissem vários países dentro de só um Brasil. Por isso mesmo, os fabricantes têm combinado a abrangência de grandes distribuidores com atuação nacional com a especialização de empresas regionais para chegar a todos os pontos do país com produtos e serviços de qualidade, mas alinhados à realidade de cada área”, relata Constanza Caminos (foto), responsável por Desenvolvimento de Negócios na América Latina da CONTEXT.

Constanza Caminos, da Context para a AL

A consultoria começa a produzir painéis de inteligência para o mercado brasileiro e os dados enviados por distribuidores regionais ajudarão a ressaltar os diferentes desafios, estratégias e oportunidades em cada região, ajudando fabricantes, distribuidores e revendas a se adaptarem mais rapidamente às demandas específicas de cada áreas. “É como na Europa, em que temos um painel para todo o continente, mas conseguimos destacar informações específicas de cada país”, compara Constanza. “Em países com geografia extensa ou forte disparidade regional — como o Brasil ou a Turquia — apresentamos informações que refletem a realidade de cada região”.

A HPE, por exemplo, usa canais de distribuição regionais para garantir proximidade com os clientes e capacitar parceiros em diferentes regiões com o mesmo nível de suporte técnico e comercial. “Como o Brasil possui realidades econômicas e tecnológicas diversas, asseguramos que integradores regionais tenham acesso aos mesmos treinamentos, certificações, ferramentas de marketing, capacitação técnica e ao nosso portfólio completo”, conta Erika Araújo, Líder de Canais e Ecossistemas da América Latina e Sul da Europa (LASER) da empresa.

A Cisco tem mais de mil parceiros autorizados no Brasil, distribuídos geograficamente em todas as regiões do país. “Essa comunidade inclui tanto empresas nacionais quanto internacionais, abrangendo distribuidores e revendedores regionais, o que permite uma cobertura ampla e adaptada às necessidades locais”, ressalta Marcelo Ehalt, diretor de Canais da Cisco Brasil.

Cada região uma realidade
O mercado de distribuição de TIC no Brasil é bastante diversificado. A Região Sudeste concentra o maior número de empresas consumidoras e startups, com foco em inovação e tecnologia avançada, e tem uma infraestrutura logística mais desenvolvida, o que facilita a distribuição de produtos.

A Região Sul registra um crescimento de startups e das Agritechs, que oferecem soluções tecnológicas voltadas para o agronegócio. O agro também é muito forte no Centro-Oeste e o mercado local está em crescimento, com novas oportunidades surgindo em cidades como Brasília e Goiânia.

No Nordeste, estão fortes os investimentos em infraestrutura de TIC, o que também fomenta a demanda por soluções tecnológicas pelas empresas locais. Por fim, na Região Norte, onde os desafios logísticos são os maiores, há um aumento de projetos focados em inclusão digital e tecnologia sustentável, especialmente na Amazônia.

Proximidade é a chave
Com sede em Cabedelo (PB) e filiais em Natal (RN), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Recife (PE), além de um Centro de Distribuição em Serra (ES), a GMI Distribuidora atende mais de 8 mil clientes em todo o Brasil, mas seu foco principal é o Nordeste. “Nossa região vive um momento de expansão em infraestrutura, conectividade e projetos públicos. É um mercado vibrante, mas que exige soluções adaptadas à realidade local: logística complexa, sazonalidade e demanda por presença física. Esse conhecimento regional é uma vantagem competitiva da GMI”, aponta Gilmar Vasconcelos, diretor executivo da distribuidora.

Ele vê oportunidades de expandir os negócios em áreas como conectividade de alta capacidade, segurança eletrônica municipal, energia e climatização para projetos públicos e privados, além de soluções integradas para provedores de internet independentes.

Vasconcelos avalia que os distribuidores regionais são fundamentais nas estratégias de canais dos fabricantes porque criam pontes com mercados locais, oferecendo conhecimento de campo, capilaridade e suporte técnico onde grandes players não chegam com facilidade.

A proximidade também está no centro da estratégia da Fagundez Distribuição, de Pinhais (PR). Ela tem atuação nacional, mas com grande agilidade regional e parcerias locais para atender o Paraná. Carolina Matos, líder de Compras, e Rafael Saling, diretor de Marketing da empresa, destacam a importância de atender as especificidades do mercado local. Por isso, o distribuidor mantém estoque colaborativo com os clientes para reduzir prazos logísticos, chegando a entregar produtos em até 48h na região Sul. O canal de televendas da empresa é especializado e 100% humano.

Em países com geografia extensa ou forte disparidade regional — como o Brasil ou a Turquia — apresentamos informações que refletem a realidade de cada região

Outro ponto forte, segundo os executivos, é que a Fagundez atua em conformidade com os incentivos que o governo local oferece para promover a industrialização no estado. Também está adequada aos programas públicos de sustentabilidade como o Clima Paraná e Ecotec, que preveem a reciclagem do lixo eletrônico.

“O diferencial competitivo da Fagundez é ser regional com alcance nacional, oferecendo entrega rápida no Sul e portfólio exclusivo. Damos ênfase ao atendimento personalizado para pequenas e médias empresas paranaenses, crescendo 10% ao ano”, detalha Saling.

Fabricantes flexíveis
Tanto Vasconcelos, da GMI, quanto os executivos da Fagundez dizem que os grandes fabricantes entendem as especificidades dos mercados regionais e são flexíveis para adaptar portfólio, formas de pagamento, logística e treinamento às necessidades locais.

“O maior desafio na distribuição regional é garantir a mesma qualidade de serviço, especialmente em termos de tempo de resposta e entrega das soluções. Esse desafio é bem enfrentado pelos três distribuidores que compõem nossa comunidade, além dos canais locais que oferecem uma experiência diferenciada devido à proximidade com os clientes em todas as regiões do País”, afirma Ehalt, da Cisco.

A HPE apoia o desenvolvimento de distribuidores regionais por meio de capacitação, especialização e crescimento comercial. Seus programas incluem treinamentos técnicos e comerciais e modelos de consumo flexíveis. “Somados, capacitação, suporte comercial e modelos as-a-service garantem aos parceiros regionais condições adequadas para crescer de forma sustentável e ampliar sua relevância em seus mercados locais”, conclui Erika.

Mercado em expansão
Só para se ter uma ideia do potencial de negócios no Brasil, segundo os primeiros dados divulgados do Painel de Inteligência de Mercado da CONTEXT no País, o desempenho agregado do setor de distribuição entre 2023 e 2025 mostra crescimento no faturamento de 12% no terceiro trimestre de 2024, em comparação ao mesmo período do ano anterior; e uma alta de 11% no Q3/2025, em relação ao mesmo período de 2024.

Quanto ao volume de vendas, o crescimento no Q3/2024 foi de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, os dados já mostram um aumento nas vendas de 10% no terceiro trimestre de 2025 na comparação com o mesmo período em 2024.

Comparando Q2/2025 com Q3/2025, praticamente não há variação nas unidades (+1%), mas o faturamento cresce 4%, refletindo um repasse de preços estimado em 3%.

De acordo com Constanza, da CONTEXT, apenas entre 35% e 40% das vendas de TI passam pelo canal no Brasil. Na Argentina e na Europa, por exemplo, essa parcela chega a 70%.

Ela destaca que esses resultados mostram que ainda há muito espaço para os distribuidores de TI crescerem no País, principalmente quando são especialistas na região em que atuam.

Dados estratégicos
Constanza aponta que uma peça-chave para elaborar estratégias de distribuição assertivas é o uso de dados de mercado de qualidade. “Unir o conhecimento local com os dados de inteligência é o caminho para identificar oportunidades em cada região do Brasil”, comenta.

Por isso mesmo, a CONTEXT lançou neste mês o seu painel de inteligência em tempo real, com informações dos distribuidores que atuam no setor, compilados e analisados pela empresa seguindo os mais altos padrões de confidencialidade e segurança.

Com esse serviço, oferece aos fabricantes, distribuidores e revendas de todo o Brasil dados estratégicos que orientam a tomada de decisões de negócios. Estão disponíveis informações como tendências de preços, volumes e margens, que possibilitam ajustes de estratégia mais rápidos.

Serviço
https://content.contextworld.com/inscricao-painel-de-vendas-context-brasil

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