
A Cibersegurança, privacidade e proteção de Dados em saúde segue sendo um ponto de atenção em diversos setores, em especial a Saúde. No mês de maio, o setor recebeu semanalmente 2021 ataques cibernéticos, de acordo com o relatório semestral da Checkpoint Research. O número coloca o setor entre os mais visados no mundo e expõe uma fragilidade sistêmica que vai além da falta de tecnologia: a ausência de fundamentos básicos de segurança da informação.
Para Fábio Costa, sócio e COO da Bidbealth, empresa especializada na Cibersegurança que faz parte do ecossistema da MV, as consequências de um incidente cibernético na saúde ultrapassam o prejuízo financeiro. De acordo com o especialista, um Dado vazado, pode expor a intimidade de milhares de pacientes e um ataque de ransomware pode paralisar o atendimento de um hospital inteiro, colocando vidas em risco. Ainda assim, ele aponta que a postura predominante no mercado continua sendo reativa, ou seja, as organizações agem somente depois que os problemas se tornam irremediáveis.
O especialista afirma que o diagnóstico é claro: enquanto as instituições buscam soluções tecnológicas sofisticadas, as portas da frente continuam destrancadas. “A maioria dos cibercriminosos não utiliza técnicas de invasão dignas de filme. Eles exploram credenciais fracas, óbvias, comprometidas ou reaproveitadas. É o caminho de menor resistência”, afirma Fábio Costa.
O executivo ressalta também que treinamentos de conscientização para equipes, da recepção à diretoria, são inegociáveis, mas insuficientes por si sós. “Processos robustos e tecnologia adequada precisam funcionar como uma blindagem contra essa falha inevitável. Não podemos depender apenas da atenção individual de cada colaborador”, explica Costa.
Exemplos de maturidade
Apesar do cenário preocupante, existem referências positivas no País. Costa aponta modelos de grandes hospitais, a exemplo do Hospital Sírio Libanês, como um dos grandes exemplos consolidados de boas práticas, maturidade e proatividade na Governança de informações no Brasil. Para ele, uma prova de que é possível estruturar uma cultura sólida de Segurança Digital no setor de saúde.
Para o especialista, alcançar esse nível de maturidade não começa por reinventar a roda tecnológica, exige disciplina. “O despertar para a Cibersegurança e a privacidade de Dados começa por garantir que os processos mais elementares estejam funcionando com excelência. É o feijão com arroz bem-feito, e isso já faz uma diferença enorme”, conclui Fábio Costa.
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