Em um ambiente industrial cada vez mais pressionado por margens apertadas, controlar custos não é apenas uma questão financeira, mas uma questão de sobrevivência. Dois vetores têm ganhado relevância crítica nesse cenário: o consumo de energia e os gastos digitais,
especialmente com serviços de Nuvem. Ambos avançam rapidamente sobre o orçamento das empresas, e ignorá-los significa comprometer a competitividade no médio e longo prazo.
Hoje, liderar uma indústria no Brasil exige encarar de frente esses dois temas. A energia elétrica permanece como um dos principais insumos da produção, com impacto significativo nos custos operacionais, podendo chegar a 40% em setores eletrointensivos, segundo
dados da CNI. Além disso, pagamos até 50% mais caro pela energia em comparação com a média mundial, como mostra a Abrace Energia.
Ao mesmo tempo, o avanço digital traz consigo uma nova camada de complexidade. A adoção em massa de soluções baseadas em nuvem, normalmente com cobrança em dólar e consumo crescente, não apenas pressiona o orçamento de TI, mas também influencia diretamente
o consumo energético da empresa. A IEA estima que data centers e redes já representam 2,4% da eletricidade global, número que tende a dobrar em poucos anos.
Para enfrentar barreiras como essas, a primeira mudança necessária é de mentalidade. Reduzir custos por si só não resolve. O foco deve estar na previsibilidade, na eficiência e na capacidade de adaptação. Isso exige dois pilares estratégicos: “energia”, por
parte dos times que seguirão metas claras de eficiência, análise de dados e contratos otimizados no mercado livre; e “digital”, com políticas para uso inteligente da nuvem, definição de
workloads prioritários e adoção madura do FinOps — prática que pode gerar economias de até 30% em empresas estruturadas.
É importante frisar: não há mais espaço para decisões isoladas entre TI, engenharia, finanças ou suprimentos. A gestão integrada e orientada por dados é o único caminho para resultados consistentes. Isso passa por alinhamento entre áreas com metas comuns e
responsabilidade compartilhada; monitoramento contínuo de indicadores críticos e acompanhamento rigoroso da execução, com ajustes rápidos quando necessário.
A gestão eficiente desses dois pilares — energia e digital — não se limita a cortar despesas. Trata-se de garantir a perenidade do negócio, com capacidade de manter investimentos, gerar valor e crescer de forma sustentável, mesmo diante da volatilidade econômica
e das pressões ambientais.
Empresas bem-sucedidas não operam no improviso. Elas constroem práticas consistentes com base em método, disciplina e liderança ativa. CEOs e conselhos devem assumir o controle dessa agenda, conectando eficiência energética e digital à estratégia do negócio.
Quando bem geridos, os custos com energia e tecnologia deixam de ser obstáculos financeiros e se transformam em alavancas de competitividade.
Por Breno Barros, CTO e vice-presidente de Soluções Digitais da Falconi

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