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BD30+: Indústrias buscam coordenar Transformação Digital sustentável e inclusiva

Representantes setoriais discutem Plano Brasil Digital 2030+ com líderes e gestores de organizações no Universo Totvs 2025

BD30+: Indústrias buscam coordenar Transformação Digital sustentável e inclusiva

Direcionar uma economia digital inclusiva e sustentável; promover a coordenação entre estratégias setoriais privadas e das diversas políticas públicas; definir consensos e estratégias de Estado; e maximizar a colaboração em torno de prioridades comuns, como Letramento Digital. Essa são alguns dos eixos do Plano Brasil Digital 2030+, ou BD30+, apresentado por representantes da CNI, Febraban, Fiesp e Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável – Cdess, no Universo Totvs 2025 evento anual da empresa.

O Plano Brasil Digital 2030+ é coordenado pelo Cdess e conta com um Conselho de Governança e Gestão, inicialmente composto por Associação Brasileira das Empresas de Software – Abes; Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais – Brasscom; Centro de Inovação para a Educação Brasileira – Cieb; Confederação Nacional da Indústria – CNI; Federação Brasileira de Bancos – Febraban, e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp.

Os objetivos do plano incluem a redução das desigualdades, o crescimento sustentável do PIB e o fortalecimento da relevância global do Brasil 

Laércio Cosentino, fundador da Totvs, presidente do Conselho da Brasscom e conselheiro do Cdess, ressalta que a transformação digital precisa ser orientada por objetivos claros e direcionada para resolver questões concretas da sociedade. “Quando falamos em transformação digital, precisamos lembrar que a tecnologia não resolve tudo sozinha. Fome, desemprego e desigualdade são desafios que a inteligência artificial ainda não responde”, afirma. Para ele, o BD30+ busca justamente articular esforços para enfrentar esses desafios de forma coordenada.

Cosentino explica que o BD30+ terá acompanhamento contínuo. “A cada ano, vamos reavaliar e atualizar as estratégias pensando nos próximos 30 anos”, detalha. Os objetivos centrais do plano incluem a redução das desigualdades, o crescimento sustentável do PIB e o fortalecimento da relevância global do Brasil. Ele destaca que o BD30+ também está focado em facilitar a coordenação entre o setor privado e as políticas públicas, organizadas por diferentes órgãos e instâncias.

As 29 ações propostas no BD30+ se estruturam em seis pilares: infraestrutura; tecnologias estratégicas; pesquisa e desenvolvimento; inclusão; direito à informação; e ambiente de negócios. Segundo Cosentino, há a intenção de ampliar a participação de setores como Saúde no plano. Um dos benefícios dessa colaboração multissetorial é, inclusive, fomentar abordagens transversais, como, por exemplo, usar mecanismos do Open Finance para o compartilhamento seguro de dados críticos, como prontuários médicos.

Produtividade, direitos e desenvolvimento humano
Embora o setor bancário no Brasil seja referência em inovação tecnológica, e contribua à “cultura tecnológica” da população, Ivo Mósca, diretor de produtos e inovação da Febraban, enfatiza a necessidade de uma ação multissetorial. “Neste ano, as instituições financeiras investem R$ 47 bilhões em tecnologia, para garantir eficiência e qualidade. Contudo, mesmo que multiplicássemos esses recursos, não conseguiríamos superar as barreiras a benefícios mais amplos e sustentáveis. A única forma de avançarmos em educação, combate a fraude e boas regulações é por meio de uma colaboração que transcenda o setor financeiro”, reconhece.

Mósca salienta que esse tipo de articulação do setor privado, assim como outros mecanismos de participação da sociedade civil, também contribui para que sejam consolidadas políticas de Estado, independente do Governo temporariamente vigente.

Flávio Unes, diretor do Departamento Jurídico da Fiesp, observa que o letramento tecnológico é fundamental tanto para produtividade e empregabilidade quanto para a própria cidadania. Ele informa que, diante de dificuldades de contratação, as indústrias têm investido na atualização técnica de centenas de milhares de trabalhadores. “Temos que fazer também com que a tecnologia seja uma forma de consolidar o Estado de Direito, de forma transparente e justa”, afirma.

Glória Guimarães, conselheira do Cdess, explica que um dos objetivos é orquestrar as iniciativas, com ênfase em educação e emprego. Além das questões relacionadas a qualificação profissional e desenvolvimento de produtividade, ela enfatiza que o Letramento Digital hoje é essencial à defesa de direitos como Segurança (inclusive nos espaços virtuais) e Saúde (com o combate à desinformação).

A regulação de IA é, evidentemente, objeto de discussão e foi mencionada no painel do Universo Totvs.

Rodrigo Pontes, diretor de transformação digital da Confederação Nacional da Indústria – CNI, defende flexibilidade e descentralização nos controles. “Deve-se evitar excessos, que restrinjam inovações antes que cheguem ao mercado. É melhor focar nos aspectos de alto risco”, afirma. “O texto hoje em tramitação na Câmara teve avanços nesse sentido”, avalia.

Uma das propostas enfatizadas pelo representante da CNI leva ao BD30+ é fazer com que os reguladores setoriais estendam sua atuação e cuidem dos impactos da inovação em suas alçadas. “Um órgão geral não dá conta de todas as especificidades”, justifica.

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