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Mercado global de dispositivos móveis deve se manter estável, avalia GFK

Embora a indústria em geral tenha enfrentado quedas nas vendas em 2022, algumas categorias continuaram com bom desempenho

Mercado global de dispositivos móveis deve se manter estável, avalia GFK

Antes do Mobile World Congress (MWC) em Barcelona (27/2 a 2/3), a GfK analisou o mercado global de telecomunicações. Embora a indústria em geral tenha enfrentado quedas nas vendas em 2022, algumas categorias continuaram com bom desempenho. Para 2023, a previsão é de estabilização do mercado.

Assim como para todos os outros segmentos do mercado de tecnologia de consumo e bens duráveis, 2022 foi um ano difícil para a indústria de telecomunicações. “Embora já tivéssemos previsto efeitos de saturação em 2022 após as fortes vendas em anos de pandemia, o enfraquecimento adicional do mercado chinês impactou significativamente os resultados. Ao todo, o mercado global de telecomunicações fechou o ano passado com uma queda de 9,7% na receita em comparação com o ano anterior”, explicou Jan Lorbach, especialista da GfK para a indústria de telecomunicações.

Para se manterem competitivos no mercado e se diferenciando dos concorrentes em termos de qualidade, varejistas e fabricantes devem continuar inovando para dispositivos mais potentes ou mais rápidos, que facilitem a vida dos consumidores

Smartphones: queda de receita e mudança nos hábitos do consumidor

O segmento de smartphones, incluindo phablets, também teve uma queda de demanda de 9,1% de janeiro a dezembro de 2022 em relação ao ano anterior, com um total de 908 milhões de unidades vendidas. As receitas foram atingidas ainda mais, com uma queda de -10,2%, para US$ 330 bilhões.

Com o estreitamento do orçamento dos consumidores, quem impulsionou o mercado em 2022 foram, praticamente, os grupos de média e alta rendas. Esses dois conjuntos de consumidores foram responsáveis por 48% das compras de smartphones no último ano, o que representa um aumento de 4% em relação a 2021. Assim, a demanda por aparelhos premium também aumentou, como por exemplo, a receita dos modelos 5G, que cresceu 1,2% de janeiro a dezembro de 2022 em relação ao ano anterior. O mesmo se aplica aos dispositivos com maior armazenamento: os smartphones com capacidade superior a 256 GB registraram um aumento de 19% e representaram 41% da receita total do mercado.

Enquanto os consumidores, que ainda estão comprando smartphones, optam por dispositivos premium, o número total de compras diminuiu em 2022. Uma razão para isso pode ser pelo fato de as pessoas manterem seus smartphones por mais tempo. Dados da gfknewron Consumer mostram que, de janeiro a setembro de 2018, apenas 48% dos consumidores usaram seus smartphones por dois anos ou mais. Essa participação agora aumentou para 57% no mesmo período de 2022 (um aumento de mais 9 pontos percentuais). Esse fato pode ser observado especialmente na Geração Z (15 a 25 anos), onde a participação agora é de 14 pontos percentuais acima da média. A geração mais jovem tem um foco claro na sustentabilidade e, portanto, estende conscientemente o ciclo de vida de seus dispositivos.

Wearables: ainda estáveis devido a novas inovações de sensores

Um dos poucos segmentos que conseguiram sobreviver ao difícil ano de 2022 com estabilidade é o de wearables. Com receita de US$ 13,9 bilhões, o mercado de wearables alcançou quase o mesmo nível em 2022 do que no ano anterior (menos 1,1% em relação a 2021). Embora os segmentos populares tenham perdido espaço, isto foi compensado pelo crescimento de outras linhas de produtos.

Desenvolvimento de receita por categorias de wearables em 2022 em comparação com o ano anterior:

• Rastreador de saúde e condicionamento físico: -31%

• Smartwatches: +21%

• Computadores de pulso: -43%

Essas mudanças foram impulsionadas pelo aumento da demanda do consumidor por um controle mais detalhado de sua saúde, por meio de recursos inteligentes. Assim, os wearables com recurso de rastreamento do sono (mais 4%) ou sensores de oxigênio no sangue (mais 20%) apresentaram forte crescimento. Essa tendência também levou a desenvolvimentos em inovação, como o novo recurso de medição do nível de estresse (EDA). Lançados no quarto trimestre de 2021, esses dispositivos já respondem por 16% da receita do mercado de wearables e continuam crescendo.

AR/VR headsets: primeiro declínio de todos os tempos

Outros tópicos importantes para o MWC são Realidade Aumentada (AR), Realidade Virtual (VR) e o Metaverso. Experimentar isso é possível por meio de dispositivos como headsets VR. Embora a conscientização e as discussões sobre o Metaverso aumentem, as vendas no varejo de headsets de Realidade Virtual no mercado europeu caíram 15% ano a ano em 2022. Este é o primeiro declínio de todos os tempos, uma vez que o mercado registrava crescimento de dois dígitos há alguns anos.

Perspectiva 2023

Os especialistas da GfK preveem que 2023 será mais forte para o mercado global de telecomunicações em comparação com 2022. Regionalmente, espera-se que a China, que é o maior mercado único, se recupere novamente e impulsione significativamente o crescimento do mercado global. Além disso, os desenvolvimentos nas três principais categorias de produtos terão um impacto positivo:

– Embora os ciclos de substituição estejam se estendendo, as compras de smartphones feitas no auge da pandemia em 2020 e 2021 estão entrando na janela do ciclo de renovação esperado este ano.

– Em wearables, a próxima geração de sensores Health Tracking, que expandirá o escopo de aplicações, impulsionará o mercado. Além disso, espera-se um crescimento positivo da receita para o segmento de smartwatches.

– Espera-se que AR/VR se torne mais tangível e cresça em áreas além dos games. Este é um dos segmentos com maior potencial nos próximos anos.

Para se manterem competitivos no mercado e se diferenciando dos concorrentes em termos de qualidade, varejistas e fabricantes devem continuar inovando para dispositivos mais potentes ou mais rápidos, que facilitem a vida dos consumidores. “A inovação impulsionará ainda mais a demanda do consumidor. Especialmente em tempos em que o tempo de uso dos smartphones está se estendendo e os orçamentos são apertados, os consumidores, mais do que nunca, estarão valorizando seu dinheiro”, resume Lorbach.

Serviço
www.gfk.com

 

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