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Guerra e pandemia aceleram mercados para fazer ESG sair do papel

Sigla tem aparecido cada vez mais em debates da sociedade, mas ainda falta força para ser implementada nas organizações

Guerra e pandemia aceleram mercados para fazer ESG sair do papel

Até 2030 o Brasil tem diversas metas de ESG para serem cumpridas e o mercado sofre “pressão” para que as empresas se atentem a uma agenda cada vez mais sustentável. As tendências e discussões estão aí, mas será que estamos saindo do discurso para a prática? O que é preciso, afinal, para uma empresa iniciar o seu processo nesse mundo de ESG? A verdade é que ainda falta conhecimento até mesmo sobre o que a sigla significa e as formas que as práticas podem ser utilizadas nos negócios.

A empresa precisa se direcionar para dentro com o compromisso de olhar para o que o contexto externo apresenta  

“Sabendo que todos estão no começo da jornada de transformação, ainda estamos em uma dinâmica de tentativa e erro. Há uma necessidade real de educação e conscientização sobre os temas mais críticos do mercado de uma forma geral e o investimento para o plano de ação sair do papel”, afirma Maria Silvia Monteiro, líder de ESG da Bravo, empresa pioneira em tecnologia e consultoria especializada na implementação e oferta de soluções de Governança, Riscos, Compliance e ESG. Ainda hoje muitas organizações não relacionam a sustentabilidade com a longevidade dos negócios e outras não sabem definir a qual área interna o ESG deve se reportar.

A questão da agenda ESG é tão profunda que tem movimentado todos os mercados e segmentos. De acordo com um levantamento publicado pela própria Bravo Research, braço de Insights e Inteligência da Bravo GRC, 74% das empresas apontam a faixa de investimentos entre R$ 50 mil e R$ 300 mil como um possível orçamento para esta temática, enquanto 14% objetivam investir mais de R$ 600 mil, e 8% acima de R$ 1 milhão, e ainda, 56% das empresas pretendem contratar serviços de consultorias nos próximos dois anos. No entanto, 54% deles não possuem nem uma área dedicada ao ESG, e ainda há uma parcela de 63% que não souberam quantificar a pretensão de investimentos.

A especialista chama a atenção para o fato de vermos críticas e julgamentos vorazes pelo baixo nível dessa maturidade nas empresas. Para ela, o lema é aprender enquanto se faz. “A empresa precisa se direcionar para dentro com o compromisso de olhar para o que o contexto externo apresenta. A maioria de nós está aprendendo. Não é demérito não ter ESG implementado. É algo novo e poucos sabem o que significa, para que serve e, principalmente, como podem dar os primeiros passos para esta direção”, analisa. Para iniciar essa jornada, no entanto, é preciso ter autoconhecimento e escuta ativa sobre os problemas da sociedade, identificar o grau de disponibilidades dos líderes em tratar do tema – pois eles são peças-chaves para fazer a ideia sair do papel – e a compreensão de riscos e oportunidades que impactam diretamente a sustentabilidade financeira e a solidez de uma reputação da empresa. O que muitas vezes, segundo ela, acontece somente quando somos forçados a mudar.

Maria Silvia destaca o cenário atual da Guerra na Ucrânia em um mundo pós-pandêmico. Enquanto a Covid-19 permitiu ao ser humano ser mais vulnerável e o obrigou a tratar e se envolver com temas crônicos do coletivo e do planeta, o conflito armado mostrou que a humanidade é rigorosamente interdependente, o que sinaliza que todos os países precisam ter a agenda ESG em dia para diminuir os impactos negativos. “Vamos analisar números de quanto a população mundial empobreceu e passou fome com a economia totalmente interdependente. Como cada País pode tratar temas crônicos da pobreza de forma a garantir sua sobrevivência em momentos de conflito global?”, questiona.

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