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Situação das mulheres no mercado de TI ainda não é nada cor-de-rosa

Estudos investigam se houve evolução na igualdade de gênero no setor, há quem afirme que melhorou, outros dizem que piorou

No dia 1º de março último, sete dias antes do Dia Internacional da Mulher (8/3), a IBM anunciou Kathryn Guarini como nova CIO (Chief Information Officer), em substituição a Fletcher Previn. O anúncio foi feito pelo CFO Jim Kavanaugh, que elogiou a capacidade técnica e a experiência de Kathryn – 20 anos de IBM, Ph.D em Física Aplicada, COO da IBM Research etc. A data teve seu simbolismo e deu tempo para que o anúncio entrasse em eventuais matérias que os veículos de comunicações estivessem fazendo sobre mulheres líderes ou que se destacam no mercado de trabalho (como esta que o leitor está lendo).

A bem da verdade, a liderança feminina está em alta. Um artigo de pesquisa publicado no fim do ano passado pelo Center for Economic Policy Research e pelo World Economic Forum, analisou 194 países em agosto e concluiu que aqueles liderados por mulheres tiveram melhores resultados no combate à Pandemia de Covid-19, entre elas a neozelandesa Jacinda Ardern, a norueguesa Erna Solberg, a finlandesa Sanna Marin e a alemã Angela Merkel.

A área de tecnologia é sabidamente dominada por homens, quase um “clube do bolinha”, mas há um movimento que vem ganhando corpo pedindo mais igualdade em várias frentes dentro das corporações, incluindo de gênero. Esse movimento está debaixo do guarda-chuva ESG (Environmental, Social and Corporate Governance). Essa parte social é que reivindica maior igualdade de gênero, além de raça, religião e orientação sexual.

Duas pesquisas investigaram a situação atual das mulheres no mercado de trabalho na área de tecnologia. A mais recente é da Kaspersky, divulgada no começo do ano e que traz uma visão de avanço. A outra, da Accenture, foi divulgada no ano passado e é mais pessimista, afirmando que houve retrocesso.

A pesquisa da Kaspersky (Where are we now? Understanding the evolution of women in technology) foi feita online e ouviu cerca de 13 mil pessoas de 19 países, inclusive o Brasil (500). Os dados indicam que mais da metade (56%) das mulheres que trabalham na área de tecnologia afirmam que os níveis de igualdade de gênero melhoraram em sua organização nos últimos dois anos, com mais de 70% concordando que suas habilidades e experiência foram consideradas à frente do gênero ao se candidatarem ao cargo em TI.

Segundo o relatório, a ideia de igualdade de gênero representa mais do que apenas corpos físicos, mas também percepções, sentimentos, estereótipos e oportunidades. Para este fim, um sinal positivo de progressão vem de mais de dois terços das mulheres (69%) agora se sentindo confiantes de que suas opiniões são respeitadas desde o primeiro dia em uma função de tecnologia. Os níveis crescentes de trabalho em casa (home office) observados no último ano também tiveram um efeito comparativamente positivo, com 46% das mulheres concordando que a igualdade de gênero é melhorada entre as equipes que trabalham remotamente.

Ambiente masculino

Apesar de uma melhoria global nas percepções sobre a representação de gênero, mais de um terço (38%) das profissionais afirmam que a escassez de mulheres na indústria de tecnologia as torna cautelosas em entrar no setor. Embora esse número possa parecer relativamente baixo, ele enfatiza a lacuna entre a melhoria gradual e a igualdade completa. Essa noção é apoiada pela compreensão mais ampla de que 44% das mulheres afirmam que os homens progridem mais rápido no espaço tecnológico e 41% concordam que uma divisão de gênero mais igualitária levaria a uma progressão melhor na carreira.

Uma perspectiva global online, projetada para apoiar os resultados da pesquisa, também mostra como a progressão está se movendo em um ritmo diferente em diferentes regiões: da Europa, onde o equilíbrio de gênero parece realmente ter piorado nos últimos dois anos; para a América do Norte, onde a mudança para o trabalho em casa pode ter acelerado o equilíbrio; para a América Latina, onde a educação está impulsionando o empoderamento de mulheres jovens em tecnologia; e, finalmente, APAC, onde a intimidação entre as mulheres agora está sendo superada por histórias de sucesso.

De acordo com o relatório, para garantir que as experiências positivas de carreira das mulheres sejam refletidas em todo o mundo, etapas e iniciativas importantes são necessárias, incluindo o fornecimento de mais programas de mentoria ou estágio para fornecer acesso a oportunidades e experiências. Mas, para incutir a crença de que a indústria de tecnologia é um lugar para as mulheres trabalharem e terem sucesso, a jornada precisa começar muito mais cedo.

Muitas empresas em todo o mundo também estão começando a introduzir cotas que garantam uma representação mais igual entre as forças de trabalho. Mais do que apenas adicionar números, eles são projetados para aumentar a probabilidade de mais mulheres alcançarem cargos sêniores e a criação de mais modelos que possam compartilhar experiências de carreira positivas com mulheres jovens que estão pensando em entrar na área de tecnologia.

Retrocesso

A pesquisa da Accenture, chamada Resetting Tech Culture (Resetando a Cultura Tecnológica), entrevistou quase 5,2 mil pessoas e mostra números menos otimistas. A proporção de mulheres trabalhando em tecnologia é de 32% (68% são homens), menor do que em 1984, quando era de 35%. Atualmente, mulheres desempenham somente 16% dos papéis em engenharia e 27% em computação nas companhias nos EUA. Nas mil maiores empresas, a proporção de mulheres CIO/CTO é de menos de um a cada cinco. Metade (50%) das mulheres em cargos de tecnologia abandona a profissão até os 35 anos de idade, sendo que em outras áreas esse percentual é de 20%. Se as empresas tivessem culturas mais inclusivas, cerca de 3 milhões de jovens mulheres a mais poderiam trabalhar com tecnologia em 2025.

Os pesquisadores da Accenture entrevistaram alunos, funcionários, líderes sêniores de RH que revelam características ambientais que irão ajudar as mulheres no avanço tecnológico e no sucesso. Em locais de trabalho menos inclusivos, o probabilidade de uma mulher avançar para gerente é de apenas 28%, em comparação com 40% para homens. Essa diferença de gênero desaparece em locais de trabalho mais inclusivos.

Mulheres negras e lésbicas, bissexuais e transgênero (LBT) normalmente enfrentam até barreiras mais íngremes na área de tecnologia – no entanto, esses efeitos de interseccionalidade também são mitigados pela cultura. Em locais de trabalho com culturas mais inclusivas, 83% das mulheres LBT dizem que amam seus empregos, em comparação com apenas 35% de suas colegas que trabalham em organizações menos inclusivas. E em empresas com cultura mais inclusivas, a probabilidade de mulheres alcançarem o posto de gerente após os 30 anos de idade aumenta em 61%; sendo que se ela for negra, aumenta em impressionantes 77%.

A pesquisa também revelou uma desconexão entre o que as mulheres experimentam no ambiente de trabalho e o que os líderes sêniores de RH acreditam sobre suas organizações. Os líderes de RH tendem a pensar que a cultura em sua organização é mais favorável para as mulheres do que realmente é. Eles são (45%) duas vezes mais propensos do que as mulheres (21%) em dizer que é “fácil para as mulheres prosperar na área de tecnologia”. Além disso, apenas 38% identificam a construção de uma cultura mais inclusiva como um meio eficaz de reter e promover mulheres em funções de tecnologia.

O estudo conclui que uma redefinição cultural generalizada ajudaria a impulsionar a mudança necessária: a análise sugere que se todas as empresas obtivessem alta pontuação em cultura inclusiva – especificamente, se eles estivessem no mesmo nível dos 20% melhores do estudo – a taxa de abandono anual de mulheres em tecnologia poderia cair em até 70%.

Serviço
www.kaspersky.com
www.accenture.com

 

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Tecnologia

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