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Crescem ataques de DDoS originados por dispositivos IoT

Segundo o CERT.br, número de notificações de ataques DDoS foi quase quatro vezes maior somando 220.188 em 2017

Em 2017, os incidentes de segurança reportados voluntariamente por usuários de Internet ao Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) somaram 833.775. A quantidade representa um aumento de 29% na comparação com o total de 2016. Desses, 220.188 foram relacionados a dispositivos que participaram de ataques de negação de serviço (DoS – Denial of Service). Este número foi quase quatro vezes maior que as notificações de ataques DoS recebidas em 2016, que totalizaram 60.432.

Parte dos ataques DDoS também foi originada por roteadores e modems de banda larga no Brasil

Os ataques de negação de serviço (DoS ou DDoS) têm o objetivo de tirar de operação um serviço, um computador ou uma rede conectada à Internet. Em 2017, a maioria das notificações foi do tipo distribuído (DDoS – Distributed Denial of Service), quando um conjunto de equipamentos é utilizado no ataque. Em particular, muitos dos ataques reportados foram disparados a partir de dispositivos de Internet das Coisas (IoT na sigla em inglês) infectados e fazendo parte de botnets. Parte dos ataques DDoS também foi originada por roteadores e modems de banda larga no Brasil, seja porque estavam comprometidos ou porque possuíam serviços mal configurados, permitindo amplificação de tráfego.

O CERT.br também observou que ataques de força bruta a serviços como SSH (22/TCP) e TELNET (23/TCP) continuam muito frequentes e englobam tentativas de comprometer dispositivos IoT e equipamentos de rede alocados às residências, tais como modems ADSL e cabo, roteadores Wi-Fi, entre outros. Esse tipo de ataque visa adivinhar, por tentativa e erro, as suas senhas de administração e, assim, comprometer os dispositivos. “Essa atividade está fortemente relacionada com o aumento nos ataques DDoS a partir de dispositivos IoT, pois faz parte do processo de propagação dos códigos maliciosos que os infectam”, alerta Cristine Hoepers, gerente do CERT.br.

“Configurar os equipamentos corretamente, possuir boas políticas de senhas, mantê-los atualizados e tratar infecções são algumas dicas fundamentais para melhorar esse cenário. A cooperação dos diversos atores, incluindo desenvolvedores, fabricantes, profissionais de segurança, acadêmicos e os usuários é essencial para um ecossistema saudável”, complementa Hoepers. Frederico Neves, Diretor de Serviços e de Tecnologia do NIC.br, destaca que “todas essas ações fazem parte dos objetivos do programa ‘Para fazermos uma Internet mais segura’, uma iniciativa do NIC.br que agrega vários atores da cadeia de serviço de Internet em torno dos desafios para a promoção de uma Internet mais segura no País”. O programa foi lançado pelo CGI.br em dezembro de 2017, durante a VII Semana de Infraestrutura da Internet no Brasil.

Para melhorar esse cenário, é essencial implementar as boas práticas presentes no Portal de boas práticas para a Internet no Brasil, principalmente as relativas à Implementação de Antispoofing para Redução de DDoS, e as Recomendações para Melhorar o Cenário de Ataques Distribuídos de Negação de Serviço (DDoS).

Varreduras e propagação de códigos maliciosos

As notificações sobre varreduras, técnica que tem o objetivo de identificar computadores ativos e coletar informações sobre eles, somaram 443.258 em 2017, correspondendo a um aumento de 15% com relação a 2016. Notificações sobre o serviço de SSH (22/TCP) equivale a 47% das notificações de varreduras, TELNET (23/TCP) com 9%, RDP (3389/TCP) com 2% e FTP (21/TCP) com 1% das notificações em 2017. O CERT.br também registrou um aumento de 60% em comparação a 2016 das notificações de atividades relacionadas à propagação de worms e bots (processo automatizado de propagação de códigos maliciosos na rede), que totalizaram 45.101 em 2017.

Ataques a servidores Web

Ataques a servidores Web reportados ao CERT.br em 2017 tiveram um aumento de 10% em relação a 2016, totalizando 60.766 notificações. Os atacantes exploram vulnerabilidades em aplicações Web para comprometer sistemas e realizar as mais diversas ações, como hospedar páginas falsas de instituições financeiras; armazenar ferramentas utilizadas em ataques; e propagar spam. Assim como nos anos anteriores, persistem as notificações de ataques de força bruta contra sistemas de gerenciamento de conteúdo (Content Management System – CMS), como WordPress e Joomla. Estes ataques foram, em sua maioria, tentativas de adivinhação das senhas das contas de administração destes sistemas.

Tentativas de Fraude

Já as notificações de tentativas de fraude diminuíram em 2017, somando 59.319 incidentes, uma queda de 42% em relação a 2016. Os casos de páginas falsas de bancos e sítios de comércio eletrônico (phishing) caíram 46% na comparação com o ano anterior. Já as notificações de casos de páginas falsas que não envolvem bancos e sites de comércio eletrônico, como serviços de webmail e redes sociais, por exemplo, tiveram um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

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