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Trojan Guildma ataca o Brasil

Mais uma vez, a América Latina é alvo de trojans bancários

                                           Primeiro estágio de detecção do Guildma desde outubro de 2018

A Eset, empresa que atua em detecção proativa de ameaças, identificou o Guildma, um poderoso trojan bancário também conhecido como Astaroth, bastante prevalente na América Latina. Esse trojan voltado para o Brasil, desenvolvido em Delphi, possui algumas técnicas inovadoras de execução e ataque. Essa é sua maior campanha até o momento.

O Guildma é um trojan bancário da América Latina que tem como alvo o Brasil. A Eset acredita que esse é o mais impactante e avançado trojan bancário na região. Além de ter instituições financeiras como alvo, o Guildma também tenta roubar credenciais por meio de e-mails, compras online e serviços de streaming, e afeta pelo menos 10 vezes mais vítimas do que outros trojans bancários existentes na América Latina. Ele usa métodos inovadores de execução e técnicas sofisticadas de ataque.

Diferentemente de outros trojans bancários que surgiram na América Latina, o Guildma não armazena as janelas pop-up falsas que usa dentro do código binário  

Diferentemente de outros trojans bancários que surgiram na América Latina, o Guildma não armazena as janelas pop-up falsas que usa dentro do código binário. Em vez disso, o ataque é orquestrado pelos seus servidores de C&C (Comando e Controle). Isso dá ao autor uma ótima flexibilidade para reagir a medidas implementadas pelos bancos-alvos.

O Guildma implementa as seguintes funcionalidades de backdoor:

• Faz captura de tela

• Captura as teclas pressionadas

• Emula teclado e mouse

• Bloqueia atalhos e também desabilita o Alt + F4 para dificultar sair de janelas falsas que ele mostra

• Faz download e executa arquivos

• Reinicia a máquina

Como ele se espalha
A Eset descobriu que o Guildma se espalha exclusivamente por spam com anexos maliciosos. Abaixo, dois exemplos de uma campanha de meados de novembro de 2019.

Lembrete de fatura falsa informando de um pagamento para dali a dois dias e que o pagamento pode levar até 72 horas para ser processado

Uma das características que definem o Guildma é a disseminação de correntes usando ferramentas já presentes no sistema, frequentemente de maneiras novas e incomuns. Outra característica é a reutilização de técnicas usadas em versões anteriores.

Detecções
As campanhas aumentaram vagarosamente até o surgimento de um ataque massivo, em agosto de 2019, quando a Eset identificou mais de 50 mil amostras por dia. Essa campanha ficou ativa por quase dois meses e contabilizou mais que o dobro de detecções que tínhamos visto nos 10 meses anteriores.

Histórico da versão
Aparentemente, o Guildma tem passado por muitas versões durante sua trajetória, mas geralmente ha muito pouco desenvolvimento entre elas – devido à sua arquitetura desajeitada, que utiliza valores de configuração codificados, na maioria dos casos os autores precisam recompilar todos os códigos binários para cada nova campanha. Um trabalho que claramente não é completamente automatizado, já que muitas vezes houve um atraso significativo entre atualização do número da versão nos scripts e os binários.

A versão analisada pela Eset é a de número 150, mas desde que a pesquisa começou, outras duas versões foram lançadas. Elas não contêm mudanças significativas na funcionalidade ou distribuição, apoiando nossas reivindicações sobre o ciclo de desenvolvimento do Guildma.

Similaridades com outros ataques
Esse ataque usa as mídias sociais para se distribuir. Ele abusa dos perfis do YouTube e do Facebook. Entretanto, os autores pararam de usar o Facebook quase que imediatamente e, na época dessa pesquisa, os criminosos estavam focados no YouTube. O caso é parecido com o Casbaneiro, mas um pouco mais cru. Enquanto o Casbaneiro estava escondendo os dados em descrições de vídeos e ocultando-os como parte da URL, o Guildma simplesmente coloca os dados na descrição do canal. O início e o fim da encriptação de endereços C&C é delimitado por “|||”. Os dados intermediários são codificados em base64 e criptografados usando o algoritmo Mispadu de criptografia em cadeia. Esse é o principal método de recuperação de servidores de C&C, o método mais antigo (descrito pela Avast) ainda está presente como um backup.

Conclusão
O Guildma mais uma vez compartilha das características predominantes dos trojans bancários da América Latina. Ele é escrito em Delphi, tem a região como alvo, implementa funcionalidades backdoor, divide suas funcionalidades em diferentes módulos e abusa de ferramentas legítimas.

O Guildma também compartilha interessantes características comuns às famílias descritas anteriormente. Ou seja, seu atual algoritmo de criptografia combina os usados por Casbaneiro e Mispadu.

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Serviço
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