Mercado

AMD negocia compra da Xilinx

Negócio avaliado em US$ 30 bilhões acirraria ainda mais a disputa com a Intel; no mês passado, a Nvidia adquiriu a britânica ARM por US$ 40 bilhões

executivos encaixam peças de quebra cabeçaPelo que tudo indica, 2021 será um ano quente, não só do ponto de vista climático, mas a temperatura dos negócios na área de semicondutores vai subir. Na quinta-feira, a AMD apresentou os primeiros processadores baseados na nova arquitetura Zen 3 e demonstrou, em teste de benchmark, que tem produto para concorrer com a Intel. Hoje, sexta-feira (09/10), o The Wall Street Journal afirmou que a AMD está em negociações avançadas para comprar a rival Xilinx, com sede na Califórnia, em um negócio de mais de US$ 30 bilhões. Foi ela quem criou o FPGA (Field Programmable Gate Array, ou Arranjo de Portas Programáveis em Campo), um circuito integrado para ser configurado após a fabricação.

Segundo o jornal, o momento para a compra é propício, pois as ações da AMD cresceram 89% na pandemia, por conta do aumento nas vendas de notebooks e servidores, e o seu valor de mercado ultrapassa US$ 100 bilhões. Essa valorização seria um estímulo para fazer a compra agora, pois a empresa poderia usar suas ações como moeda. Já a Xilinx é avaliada em US$ 26 bilhões.

A Intel é o outro player principal no mercado de FPGAs, tendo construído seus negócios com a aquisição da Altera em 2015  

A AMD, com sede em Santa Clara, Califórnia, é liderada pela CEO Lisa Su. Além de processadores para desktops e notebooks, ela fabrica componentes usados em videogames, como Xbox e PlayStation, que também estão em alta demanda porque a pandemia obriga as pessoas a ficarem em casa. Ela também tem um negócio crescente de processadores para data centers, rivalizando cada vez mais com a Intel neste segmento.

A compra da Xilinx, liderada pelo CEO Victor Peng, colocaria a AMD em uma posição ainda mais competitiva no mercado e daria a ela uma posição maior nos segmentos de defesa e telecomunicações. Os chips da Xilinx são usados em comunicações sem fio, data centers e indústrias automotiva e aeroespacial. Entre seus clientes estão a chinesa Huawei, que responde por 6% a 8% da receita da empresa. A Xilinx vem sofrendo com as tensões comerciais entre EUA e China, principalmente as limitações impostas pelo governo de Donald Trump aos envios de insumos para a Huawei Technologies alegando questões de segurança.

Os chips com tecnologia FPGAs podem ser reprogramados após serem produzidos, o que os torna valiosos na prototipagem rápida e em tecnologias emergentes em que não há tempo para passar por um processo de desenvolvimento, que em geral leva anos para outros chips. Os processadores FPGAs são muito usados em novas infraestruturas de telecomunicações 5G de alta velocidade, embora possam ser substituídos posteriormente por chips padrão quando a tecnologia estiver mais madura. Eles também são frequentemente usados em comunicações militares e sistemas de radar.

A Intel é o outro player de peso no mercado de FPGAs, tendo construído seus negócios com a aquisição da Altera em 2015. E correndo por fora, a Nvidia anunciou em setembro a compra da britânica ARM por US$ 40 bilhões e declarou que cogita em lançar a própria marca de processadores para competir com Intel e AMD.

Serviço
www.amd.com
www.xilinx.com

 

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