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Governança de identidade e a nova oportunidade para os integradores

Durante muitos anos, projetos de identidade chegaram aos integradores com um objetivo relativamente claro: controlar acessos, automatizar processos de provisionamento e atender a requisitos de segurança. Embora esses objetivos continuem válidos, a natureza da conversa mudou. Em muitas organizações, a discussão já não começa pela tecnologia. Ela começa por auditorias, exigências regulatórias, gestão de riscos e pela necessidade de entender quem tem acesso aos recursos mais críticos do negócio.

Essa mudança não aconteceu por acaso. À medida que os ambientes digitais se tornaram mais distribuídos, aumentou a dificuldade de manter visibilidade sobre privilégios, aprovações e responsabilidades. É comum encontrar empresas que investiram em diferentes soluções de segurança, mas ainda enfrentam dificuldades para responder perguntas fundamentais. Quem aprovou determinado acesso? Esse privilégio continua necessário? Quando foi realizada a última revisão? Existe um responsável claramente definido por essa decisão?

Questões como essas ajudam a explicar por que a governança de identidade passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas estratégias de segurança. O tema deixou de estar associado apenas à administração de usuários e passou a estar diretamente ligado à auditoria, à conformidade e à “accountability”. Quando uma organização não consegue demonstrar, de forma consistente, quem tem acesso a determinados recursos e por quais motivos, o problema normalmente vai muito além da tecnologia.

Esse movimento cria uma oportunidade importante para os canais. Historicamente, muitos projetos de identidade foram conduzidos com foco predominante na implementação de ferramentas. Hoje, uma parte relevante do valor está na capacidade de ajudar clientes a estruturar processos, estabelecer critérios de aprovação, revisar privilégios e construir mecanismos de governança que permaneçam eficazes ao longo do tempo.

A própria evolução das identidades digitais reforça esse cenário. Usuários continuam sendo uma parte importante da equação, mas já não são a única. APIs, contas de serviço, integrações entre sistemas, workloads e agentes baseados em inteligência artificial passaram a exigir o mesmo nível de controle, rastreabilidade e governança. Em muitos ambientes, essas identidades já representam um volume superior ao de usuários tradicionais e, frequentemente, operam com níveis elevados de privilégio.

Diante dessa realidade, cresce a necessidade de parceiros capazes de conectar tecnologia e governança. Não basta implementar controles. É preciso garantir que eles façam sentido para o negócio, que possam ser auditados e que acompanhem as mudanças naturais da organização. Esse é um tipo de desafio que dificilmente pode ser resolvido apenas com tecnologia.

Talvez essa seja uma das mudanças mais relevantes para o ecossistema de Canais. O mercado continua demandando conhecimento técnico e capacidade de implementação, mas também espera parceiros capazes de participar de discussões relacionadas a risco, conformidade e governança. Quanto mais a identidade se consolida como um tema estratégico para as organizações, maior tende a ser o espaço para integradores que consigam traduzir essa complexidade em processos, controles e resultados concretos.

Por Claudio Neiva, Estrategista de Identidades da Sailpoint

 

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