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Segurança Digital virou um fator de confiança — e de fidelização

Durante muito tempo, a Segurança Digital foi vista como uma preocupação dos times de tecnologia e prevenção a fraudes. Hoje, ela se tornou uma preocupação de negócio. A razão é simples: a fraude mudou.

Os criminosos não dependem mais apenas de ataques técnicos ou da invasão de sistemas. Cada vez mais, eles exploram a confiança das pessoas. Utilizam ligações, mensagens, e-mails e abordagens que parecem legítimas para convencer consumidores a compartilhar informações, autorizar transações ou conceder acessos.

É o caso do vishing, também conhecido como golpe por telefone. Segundo o mais recente estudo da TransUnion, esse foi o principal motivo de perda financeira entre consumidores brasileiros que afirmaram ter perdido dinheiro com fraude digital no último ano, representando 32% dos casos.

O mais preocupante é que esse tipo de golpe não afeta apenas quem foi vítima. Ele afeta a relação de confiança entre consumidores e empresas. Quando uma pessoa recebe uma ligação de alguém que se passa por seu banco, por exemplo, a consequência não termina no prejuízo financeiro. A partir daquele momento, qualquer contato legítimo da instituição passa a gerar desconfiança.

E confiança é um dos ativos mais importantes da economia digital.

Os consumidores deixaram isso muito claro. De acordo com o estudo da TransUnion, 81% dos brasileiros consideram muito importante confiar que seus Dados pessoais estão protegidos ao realizar transações online.

Mas existe um detalhe interessante. O consumidor não espera apenas segurança.

Ele também espera simplicidade. Mais de 60% dos brasileiros valorizam experiências simples em momentos importantes da jornada digital, como realizar pagamentos, informar seus dados ou acessar suas contas.

Isso cria um desafio cada vez maior para as empresas. Como oferecer mais proteção sem tornar a experiência mais difícil? Como reduzir riscos sem criar obstáculos para clientes legítimos?

A resposta passa por uma mudança de mentalidade.

Prevenção a fraudes não pode ser vista apenas como uma camada de defesa acionada quando algo dá errado. Ela precisa fazer parte da experiência digital.

Quando aplicada de forma inteligente, a Segurança funciona quase de maneira invisível. O consumidor se sente protegido sem perceber processos excessivamente complexos, etapas desnecessárias ou barreiras que dificultem sua interação com a empresa. Por outro lado, quando a proteção falha, o impacto não é apenas financeiro. A confiança também é afetada.

Esse talvez seja o aspecto mais importante da fraude digital atualmente.

Estamos deixando de falar apenas sobre perdas e passando a falar também sobre reputação, relacionamento e fidelização. Empresas que conseguem equilibrar segurança e experiência tendem a construir relações mais duradouras com seus clientes.

Porque, no final das contas, confiança não é apenas consequência de uma boa experiência digital. Ela faz parte dela.

Por Wallace Massola, líder de Soluções de Prevenção a Fraudes da TransUnion Brasil.

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