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Brasileiros continuam buscando vagas remotas em massa mesmo com a volta aos escritórios

Mais de 11 milhões de candidaturas foram registradas em apenas seis meses, mostrando que a flexibilidade segue entre os fatores mais valorizados pelos profissionais

Brasileiros continuam buscando vagas remotas em massa mesmo com a volta aos escritórios

O retorno gradual ao trabalho presencial não reduziu o interesse dos brasileiros por vagas remotas. Dados do Infojobs mostram que, entre dezembro de 2025 e maio de 2026, as oportunidades com trabalho remoto receberam mais de 11,9 milhões de candidaturas. Em 2026, o volume permaneceu acima de 2 milhões de inscrições por mês, com pico de 2,5 milhões em março.

Os números indicam que o home office deixou de ser uma alternativa criada durante a pandemia para se consolidar como uma preferência estrutural de parte significativa dos profissionais. Na prática, muitas empresas voltaram aos escritórios, mas os candidatos continuam priorizando oportunidades que oferecem maior autonomia e flexibilidade.

O cenário revela um descompasso entre a estratégia adotada por parte das organizações e as expectativas dos profissionais. Nos últimos anos, diversas empresas revisaram suas políticas de trabalho e ampliaram a exigência de presença física, seja em modelos híbridos com mais dias no escritório ou em operações totalmente presenciais. Ainda assim, a procura por vagas remotas segue elevada.

Muitos profissionais já não avaliam apenas salário e benefícios tradicionais  

Para Hosana Azevedo, Gerente de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o comportamento revela uma mudança permanente na forma como os profissionais enxergam a relação com o trabalho.

“A flexibilidade passou a fazer parte da proposta de valor das empresas. Muitos profissionais já não avaliam apenas salário e benefícios tradicionais. Eles também consideram aspectos como qualidade de vida, tempo de deslocamento, autonomia e equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, afirma.

Segundo a executiva, o movimento tem levado empresas a reavaliar suas estratégias de atração de talentos. “Mesmo organizações que optam pelo modelo presencial ou híbrido precisam compreender que a flexibilidade passou a ter peso na decisão dos candidatos. Isso faz com que muitas empresas fortaleçam outros diferenciais, como oportunidades de desenvolvimento, cultura organizacional, benefícios e programas de bem-estar”, explica.

O volume elevado de candidaturas demonstra que a disputa por vagas remotas continua extremamente acirrada. Em alguns segmentos, oportunidades totalmente remotas recebem múltiplas vezes mais inscrições do que vagas presenciais equivalentes, ampliando a concorrência entre candidatos.

Outro fator que ajuda a explicar o fenômeno é a ampliação das possibilidades geográficas. O trabalho remoto permite que profissionais concorram a vagas localizadas em outras cidades e estados, aumentando o alcance das oportunidades e o número de candidaturas por vaga.

Para Hosana, o debate já não está mais centrado apenas em onde o trabalho acontece, mas em como as empresas conseguem construir propostas de valor alinhadas às expectativas dos profissionais. “Não existe um modelo único que funcione para todas as organizações. O importante é que exista coerência entre a cultura da empresa, as necessidades do negócio e aquilo que os profissionais valorizam ao escolher uma oportunidade”, conclui.

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