Antes de a internet reorganizar a maneira como as empresas se relacionam com seus clientes, boa parte das relações comerciais era construída ao longo do tempo. Era comum saber com quem se estava negociando, entender o histórico daquele cliente ou fornecedor e, principalmente, adaptar a conversa de acordo com cada contexto. A tecnologia não mediava essas interações, e a experiência era construída na relação entre as pessoas.
Com o avanço do digital, esse modelo mudou, e a escala tornou-se uma prioridade. Dados, Automação e Inteligência Artificial permitiram acelerar e padronizar os processos para aumentar a eficiência das operações. Hoje, essas primeiras interações acontecem sem contato direto, com respostas estruturadas para atender ao volume e reduzir fricção na jornada do cliente.
Isso mudou a maneira como o marketing trabalha a experiência do cliente. Segundo o State of Marketing 2026, 67% das equipes afirmam que a IA já economiza mais de 10 horas por semana, enquanto 68% relatam aumento relevante de produtividade. A tecnologia organiza a operação e amplia a capacidade de entrega.
À medida que essa eficiência se torna padrão, a expectativa do cliente também muda. A experiência, que era avaliada apenas pela velocidade ou pela personalização, está dependendo da capacidade de responder a contextos mais complexos. Nesse ponto, a tecnologia não resolve os problemas sozinha, e o mercado está demandando essa mudança.
O mesmo estudo aponta que 60% dos profissionais consideram necessário oferecer experiências sem fricção para converter clientes com alta intenção de compra. Ao mesmo tempo, 61% destacam que o ponto de vista da marca se torna mais relevante quando humanos e IA atuam juntos. A tecnologia melhora o fluxo, mas o significado da experiência continua sendo construído pelas pessoas.
Quando olhamos para o comportamento do consumidor, essa pressão aumenta. O consumo está mais intencional, e cada decisão precisa justificar valor em um cenário de restrição e volatilidade. As experiências devem ser mais do que boas, elas têm de fazer sentido para quem está do outro lado. A discussão sobre CX sai da área de tecnologia para ser discutida pelas lideranças de outros setores da empresa.
Boa parte das equipes hoje é formada por profissionais que cresceram em um ambiente digital, com domínio de ferramentas e velocidade de execução. Esse é um ganho importante. Ao mesmo tempo, essas equipes ainda estão construindo repertório para lidar com ambiguidade, pressão e leitura de contexto, elementos centrais em qualquer experiência de relacionamento.
Na prática, isso aparece em interações tecnicamente corretas, mas pouco adaptadas à situação do cliente. Respostas rápidas, com baixo aprofundamento. A operação funciona, mas nem sempre constrói vínculo.
Para humanizar a experiência, temos de estruturar um ambiente no qual as pessoas desenvolvam maturidade relacional com o mesmo rigor aplicado às competências técnicas. A partir dessa iniciativa, a direção e a exposição a situações reais ficam mais claras, e a liderança consegue atuar como referência nesse processo.
Sem esse contexto, a tecnologia pode até dar mais eficiência aos processos, mas pode acabar padronizando comportamentos. Ao inserir a liderança de forma ativa no processo, ela potencializa ainda mais a capacidade de adaptação e respostas.
A tecnologia organiza a jornada, mas a experiência será sustentada pela forma como as pessoas interpretam e respondem a cada interação. À medida que a CX evolui, é fundamental garantir que as equipes estejam preparadas para sustentar essa experiência quando o projeto deixa de ser previsível.
Por Cristovão Wanderley, CTO e sócio-diretor da Stratlab.

Leia nesta edição:

ESPECIAL DISTRIBUIÇÃO - MERCADO
IA acelera mudanças na Distribuição de TIC

ESPECIAL DISTRIBUIÇÃO - GLOBAIS
Distribuição consultiva avança

ESPECIAL DISTRIBUIÇÃO - NACIONAIS
Regulação e tecnologia aceleram ajuste operacional do segmento
EXCLUSIVA DIGITAL

VERSÃO LATAM
Agora a versão digital também é LATAM
Baixe o nosso aplicativo

















