
O sistema de pagamento eletrônico em tempo real segue avançando para além das transferências instantâneas e, de acordo com a Topaz, uma das maiores empresas de tecnologia especializada em soluções financeiras digitais do mundo e parte do Grupo Stefanini, as próximas evoluções do Pix terão impacto direto sobre o mercado de crédito, a arrecadação tributária, a Segurança Digital e até os pagamentos internacionais.
Entre as principais novidades previstas para o segundo semestre estão a possibilidade de movimentação recorrente em contas salário via Pix, o avanço do chamado “Bolepix”, a implementação do split tributário nas transações instantâneas e um aumento das exigências regulatórias voltadas à Segurança do ecossistema. “O Pix não é somente mais um meio de pagamento. Ele passa a assumir, cada vez mais, características de infraestrutura de liquidação financeira”, afirma Jorge Iglesias, CEO da Topaz.
Uma das mudanças mais aguardadas envolve as contas salário. Hoje limitadas a operações básicas de depósito e saque, elas devem passar a permitir pagamentos recorrentes via Pix, ampliando o acesso da população a serviços financeiros automatizados.
“Até então, a conta salário não podia ter recorrência de pagamentos, como débito automático. O Banco Central vem trabalhando para permitir essa funcionalidade por meio do Pix, o que representa um avanço importante em inclusão financeira”, explica Jorge Iglesias.
Pix avança sobre crédito e tributação
Outra frente considerada estratégica é o chamado split tributário, mecanismo que acompanha a reforma tributária e permitirá identificar, dentro da própria transação Pix, os tributos relacionados a uma operação comercial ou prestação de serviço. Na prática, o Pix passará a carregar informações referentes ao IBS e à CBS – novos tributos criados a partir da unificação de impostos como ISS, ICMS, PIS e Cofins.
A modernização também segue no mercado de crédito. Com o crescimento do Bolepix, modelo que integra boleto bancário e pagamento instantâneo, especialistas já enxergam reflexos na digitalização da duplicata escritural e na eficiência das operações de financiamento.
“É uma mudança estrutural. Com o split tributário, o Pix passará a trazer elementos explícitos da tributação dentro da transação financeira, ampliando a rastreabilidade das operações. Ao mesmo tempo, iniciativas como o Bolepix aceleram a digitalização de instrumentos como a duplicata escritural, criando processos mais eficientes que podem contribuir para reduzir custos, ampliar o acesso ao crédito e impulsionar a atividade econômica”, destaca Samara Rodrigues de Lima, gerente de Produtos da Topaz.

Segurança e regulação
De acordo com a Topaz, a expansão do Pix também vem ampliando a pressão regulatória sobre Segurança, Governança e rastreabilidade das operações.
O Banco Central já iniciou um movimento de reforço das exigências não apenas para instituições financeiras, mas também para PSTIs (Prestadores de Serviço de Tecnologia da Informação), marketplaces e intermediadores financeiros. A iniciativa busca ampliar os níveis de transparência, rastreabilidade e robustez operacional em todo o ecossistema de pagamentos instantâneos.
Entre os temas em discussão para o segundo semestre estão novas regras para intermediação de pagamentos em marketplaces, uso de contas transitórias (“conta bolsão”) e mecanismos de rastreabilidade em operações feitas por participantes indiretos do Pix.
Pix internacional no radar regulatório
A agenda regulatória também começa a se preparar para pagamentos internacionais instantâneos. Embora o lançamento oficial de um “Pix internacional” ainda não esteja previsto para 2026, o Banco Central já discute modelos regulatórios para transações cross-border mais diretas, competitivas e transparentes. Hoje, pagamentos via Pix realizados no exterior ainda dependem de intermediadores financeiros e operações cambiais.
Na avaliação da Topaz, o próximo passo será discutir mecanismos que tornem as transações internacionais mais acessíveis, transparentes e competitivas para os usuários, sem comprometer os requisitos de Segurança.
Para a empresa, o avanço do Pix reforça o protagonismo global do Brasil em infraestrutura financeira digital, já que o País possui uma das arquiteturas de pagamentos mais robustas do mundo, construída desde a modernização do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). “Muitos países ainda não possuem uma infraestrutura em tempo real como a brasileira. O Pix mostrou ao mundo o potencial da regulamentação coordenada, da inclusão financeira e da inovação aplicada ao sistema financeiro”, conclui Jorge Iglesias, da Topaz.

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