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Risco de chuvas acima da média com El Niño consolida gestão preditiva nas rodovias

Especialista aponta que integração de Dados climáticos e operacionais pode reduzir impactos de eventos extremos nas estradas

Risco de chuvas acima da média com El Niño consolida gestão preditiva nas rodovias

Os alertas para a possibilidade de chuvas acima da média no Brasil em razão da atuação do El Niño, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, voltaram a acender um sinal de atenção entre as autoridades. Nas últimas semanas, órgãos estaduais e comitês científicos de estados como Rio Grande do Sul e de Santa Catarina divulgaram comunicados sobre o risco de eventos climáticos extremos.

Em nota técnica publicada em maio, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou que modelos climáticos internacionais já indicam a possibilidade de desenvolvimento de um El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027. Segundo o documento, simulações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), da agência americana NOAA e do serviço meteorológico da Austrália convergem para um cenário de aquecimento das águas do Pacífico tropical, condição associada ao aumento de eventos extremos em diferentes regiões do Brasil.

Uma estrada inteligente não é apenas aquela que utiliza sensores e monitoramento em tempo real, mas também a que integra Dados climáticos, geoespaciais e operacionais para transformar informação em capacidade de prevenção  

O cenário reacende o debate sobre a necessidade de ampliar medidas preventivas voltadas à infraestrutura, especialmente nas rodovias brasileiras, historicamente vulneráveis a enchentes, deslizamentos e alagamentos.

Em Santa Catarina, eventos climáticos registrados entre 2022 e 2024 geraram impactos relevantes na infraestrutura viária federal. Segundo levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), as ocorrências resultaram em pelo menos R$ 450 milhões em contratos emergenciais para recuperação de rodovias como as BRs 470, 280 e 282. Já no Rio Grande do Sul, após as enchentes de 2024, o governo estadual anunciou investimento de R$ 1,2 bilhão para reconstrução de estradas e pontes afetadas.

No Sudeste, Minas Gerais também enfrentou reflexos significativos das chuvas sobre sua malha viária. Dados do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) mostram que ocorrências de médio e longo prazo causadas por eventos climáticos – como rompimentos de pista, danos em pontes e bueiros e interdições de rodovias – caíram de 20 para sete entre os períodos chuvosos de 2022/2023 e 2023/2024, uma redução de 65%.

Lucas Teixeira, executivo de Negócios da Codex, empresa especializada em mudanças climáticas e infraestrutura, avalia que tornar as rodovias brasileiras mais resilientes a eventos extremos exige uma mudança de lógica na gestão viária. “Historicamente, a resposta aos problemas nas rodovias ocorre de forma reativa, com ações tomadas apenas após acidentes, congestionamentos ou destruição de trechos”, afirma.

Segundo ele, o principal desafio está em tornar as rodovias mais inteligentes por meio do uso estratégico de Dados. “Uma estrada inteligente não é apenas aquela que utiliza sensores e monitoramento em tempo real, mas também a que integra Dados climáticos, geoespaciais e operacionais para transformar informação em capacidade de prevenção”, diz.

Lucas explica que os Dados climáticos incluem informações como previsão de chuvas intensas, temperatura, risco de alagamentos e ocorrência de ventos fortes, enquanto os Dados geoespaciais ajudam a mapear a localização exata dos trechos da rodovia e identificar áreas mais vulneráveis a deslizamentos ou interrupções. Já os Dados operacionais envolvem informações sobre fluxo de veículos, disponibilidade de equipes, equipamentos e capacidade de resposta das concessionárias.

O executivo acrescenta que o avanço dos eventos climáticos extremos encontra um cenário já pressionado por deficiências históricas na infraestrutura rodoviária brasileira, o que amplia os riscos operacionais e os custos de manutenção. Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, mais de 60% da malha pavimentada do País apresenta algum tipo de deficiência, cenário que reforça a necessidade de estratégias capazes de antecipar riscos e reduzir impactos sobre a mobilidade e a economia.

“Esse contexto, aliado ao registro cada vez mais frequente de eventos extremos, faz com que a vulnerabilidade deixe de ser um problema pontual e passe a representar um desafio sistêmico, especialmente em regiões com histórico recorrente de chuvas e alagamentos”, ressalta o executivo.

Dados já existem, mas estão desconectados
Lucas Teixeira destaca que, embora concessionárias e órgãos públicos já acumulem grandes volumes de informações sobre tráfego, manutenção e ocorrências, o diferencial está na capacidade de integrar essas bases a dados meteorológicos, topográficos e geoespaciais.

“A partir desse cruzamento, é possível mapear áreas críticas, estimar probabilidades de alagamento, identificar pontos com maior risco de deslizamento e simular impactos no fluxo viário antes que ocorram interrupções”, comenta.

Ainda segundo Teixeira, modelos preditivos também permitem cruzar previsões meteorológicas com volume de tráfego e histórico operacional, auxiliando na definição de intervenções preventivas e reduzindo custos com reconstruções emergenciais.

“A discussão não é mais se eventos extremos vão acontecer, mas o quanto a infraestrutura está preparada para responder a eles. O uso inteligente de Dados e tecnologia será cada vez mais decisivo para reduzir interrupções, aumentar a resiliência e evitar custos emergenciais”, reforça.

A Codex desenvolve soluções baseadas em Inteligência de Dados para apoiar instituições públicas e privadas na tomada de decisões estratégicas em áreas como mudanças climáticas, meio ambiente, Governança de Dados, cidades sustentáveis, infraestrutura e gás. Presente em mais de 16 estados brasileiros e com projetos em seis países, suas soluções já impactaram mais de 140 milhões de cidadãos, com mais de 20 milhões de Dados processados.

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