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Na era da IA, avanços tecnológicos exigem equilíbrio entre automação e desenvolvimento humano

Antes da Computação em Nuvem, as revisões financeiras e as análises estratégicas dependiam de planilhas armazenadas localmente. Nesse cenário, a perda de um arquivo poderia significar semanas de retrabalho. Com o passar dos anos e os avanços tecnológicos, a promessa de produtividade, eficiência operacional e redução de custos se tornou um ponto fundamental, sempre acompanhada por debates sobre os impactos dessa mudança na força de trabalho.

Da implementação de ERPs e CRMs aos sistemas de BI e RPA, toda Transformação Digital gerou preocupações relacionadas à obsolescência de funções e, ao mesmo tempo, abriu espaço para novas especializações e oportunidades profissionais. Porém, a chegada da Inteligência Artificial (IA) acelerou ainda mais esse movimento, com a Automação podendo atingir 34% das tarefas corporativas até 2030, segundo o relatório The Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum (WEF).

Dentro deste contexto, o avanço da produtividade é inevitável, mas o impacto sobre o mercado de trabalho também é significativo, uma vez que, além da redução das atividades operacionais, cresce a demanda por profissionais capazes de implementar, gerenciar e supervisionar sistemas inteligentes. Assim, não basta investir em tecnologia sem contar com mão de obra qualificada para implementá-la e operá-la.

Escassez de qualificação com avanços tecnológicos
A necessidade de automatizar processos cresce justamente em um momento em que, ainda de acordo com o WEF, o mercado enfrenta escassez de mão de obra especializada. O relatório afirma que 63% das empresas dizem que a falta de qualificação é um dos principais obstáculos para inovação, Transformação Digital e demais avanços tecnológicos.

Já no Brasil, esse cenário é ainda mais desafiador, visto que o país forma cerca de 53 mil profissionais de tecnologia por ano, enquanto a demanda anual ultrapassa 150 mil vagas, segundo dados da Brasscom. Além disso, projeções da McKinsey & Company indicam que essa lacuna pode chegar a um milhão de profissionais até 2030.

Desta forma, as empresas enfrentam um desafio duplo, pois precisam automatizar processos para ganhar eficiência e compensar a falta de talentos, mas, ao mesmo tempo, não encontram profissionais suficientes para liderar essa transformação. A boa notícia é que as organizações já começam a reconhecer o problema e, ainda segundo o WEF, 49% planejam investir diretamente em programas de requalificação e aprimoramento profissional.

A importância da estratégia
Nesse contexto de escassez, a definição de uma estratégia de IA torna-se fundamental para a construção de uma estrutura organizacional capaz de absorver essa transformação de maneira sustentável. No entanto, relatórios recentes da McKinsey mostram que, embora 92% das empresas pretendam ampliar investimentos em Inteligência Artificial nos próximos anos, apenas 1% se considera madura na implementação dessas soluções.

Isso revela um cenário de adoção acelerada, mas, muitas vezes, desconectada de objetivos claros. Para que a transformação digital seja efetiva, é necessário combinar estratégia, revisão de processos e alinhamento entre tecnologia e objetivos de negócio. Assim, o primeiro passo deve ser entender quais áreas possuem maior potencial de automação e quais competências já existem dentro da organização. Depois, é necessário definir casos de uso claros, com foco em produtividade, segurança e geração de valor para a operação. É importante, também, que as empresas pensem não apenas em implementar ferramentas, mas em construir modelos sustentáveis de Governança, com adaptação contínua.

Capacitação como diferencial diante do avanço tecnológico
Devido ao ágil avanço tecnológico, as empresas que desejam progredir com a Transformação Digital precisam de programas estruturados de capacitação e requalificação profissional, capazes de preparar equipes para trabalhar ao lado da automação. Treinamentos pontuais já não são suficientes, visto que o desenvolvimento de competências em IA exige acompanhamento contínuo, cultura de inovação e gestão da mudança. Isso inclui desde conscientização executiva até formação técnica, governança e monitoramento de resultados.

Nesse cenário, as empresas que conseguirem transformar aprendizado em estratégia terão uma vantagem relevante nos próximos anos. Afinal, a Transformação Digital e os avanços tecnológicos não serão responsáveis apenas por mitigar as tarefas repetitivas, poderão mudar a maneira como as organizações desenvolvem talentos, tomam decisões e constroem inovação.

Por Cleyton Leal, diretor de Serviços de Nuvem, Data & AI da SoftwareOne.

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