
O entusiasmo corporativo com a Inteligência Artificial Generativa, que marcou os últimos dois anos, atingiu um ponto de inflexão crítico. De acordo com um levantamento recente a Marlabs, consultoria global especializada em IA e inovação, 60% das empresas permanecem “presas” no limbo dos testes, enfrentando dificuldades severas para escalar pilotos e transformá-los em valor real de negócio. No Brasil, segundo Marcos Chiodi, diretor- geral da Marlabs Brasil, esse cenário se repete com agravantes próprios do mercado local: embora o País tenha ambição tecnológica e talentos de alto nível, a transição para a escala real esbarra em fatores invisíveis e na falta de maturidade na Governança de Dados.
Para Chiodi, o fator mais silencioso e destrutivo desse cenário é a falta de clareza sobre os resultados. Segundo o executivo, existe hoje uma distância razoável entre a construção de um piloto bem-sucedido e o impacto positivo no balanço da empresa. “Sem um acompanhamento de perto dos KPIs e do ROI daquela iniciativa, o projeto permanece uma incógnita. A empresa celebra o piloto, o que é importante, mas ele nunca chega à produção ou à escala de fato”, afirma Chiodi. Ele alerta ainda para a suposição perigosa de que os dados podem ser corrigidos em uma etapa posterior, lembrando que a IA não compensa Dados mal curados e que esse problema só se amplifica com a escala.
O risco de permanecer nessa fase de experimentação não é apenas técnico, mas competitivo. Globalmente, o gap tecnológico já é visível: em 2025, 42% das empresas abandonaram a maioria de suas iniciativas de IA por falta de consistência, mais que o dobro do registrado no ano anterior. No Brasil, onde a pressão por resultados de curto prazo é alta, o risco de ficar para trás é ainda mais crítico.
Chiodi explica que escalar um modelo mal validado pode significar a amplificação de erros em larga escala, resultando em decisões equivocadas que afetam receita, crédito e preços. Em setores regulados, como saúde e financeiro, os danos podem ser irreparáveis e reputacionais. “Na Marlabs, costumamos dizer que a equação é simples: Dados ruins geram respostas ruins. O custo de correção é muito maior do que o custo de ter feito certo desde o início”, pontua.

Um caso prático dessa aplicação ocorreu com uma grande organização de investimento de Nova York, em que a Marlabs unificou Dados espalhados por mais de vinte sistemas em uma plataforma de agentes de conhecimento, permitindo que colaboradores gerassem relatórios em linguagem natural ancorados em Dados reais, substituindo a pesquisa manual por insights imediatos.
Ao olhar para o futuro imediato, a mensagem da Marlabs é direta: a janela para a experimentação sem estratégia se fechou. Para as empresas que compõem os 40% que conseguiram escalar, o divisor de águas foi tratar a IA não como um projeto de inovação isolado, mas como uma capacidade central do negócio, com lideranças assumindo a responsabilidade direta pelos resultados. “O tempo de experimentar acabou. A janela para aprender fazendo foi 2023 e 2024”, conclui Marcos Chiodi.
Em 2026, a competitividade será decidida pela capacidade de transformar a IA em uma engrenagem de execução disciplinada, deixando para trás o amadorismo e os silos de Dados em favor de uma Governança que garanta ROI sustentado.
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