
A Reforma Tributária brasileira, atualmente em sua segunda fase, não representa apenas uma mudança regulatória — ela redefine a forma como empresas precisam operar. A adaptação exigida vai além do cumprimento legal: trata-se de construir a capacidade de responder dinamicamente a um ambiente tributário em constante transformação. Nesse contexto, a digitalização, embora essencial, já não é suficiente.
“Estamos saindo de um modelo baseado em sistemas estáticos para um cenário que exige sistemas adaptativos, capazes de interpretar mudanças regulatórias e ajustar processos em tempo quase real”, afirma Rodrigo Krüger, diretor de Dados & IA na NTT Data, empresa global de serviços de TI.
Embora o novo modelo baseado em CBS e IBS tenha como objetivo simplificar a estrutura tributária brasileira, o período de transição tende a aumentar significativamente a complexidade operacional. Durante essa fase, as empresas precisarão conviver com regras atuais e futuras, adaptar sistemas, revisar processos e garantir consistência fiscal em diferentes cenários.
O papel da tecnologia já é reconhecido em estudos de mercado. O Serpro – Serviço Federal de Processamento de Dados – destacou em 2025 que a implementação da Reforma só será viável com um ecossistema tecnológico robusto, capaz de garantir inovação e segurança. Já outras análises apontam que a transformação em curso é comparável ao impacto do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), em 2007, reforçando que a digitalização será decisiva para aumentar a competitividade das empresas brasileiras.
Krüger, no entanto, alerta que a Transformação Digital precisa ser conduzida com planejamento e integração. Projetos mal estruturados ou sistemas que não conversam entre si podem gerar ainda mais complexidade, em vez de simplificação. “Se a digitalização não for bem-feita, ela pode se tornar um novo empecilho, criando gargalos e inconsistências que comprometem a conformidade tributária”, observa.
Esse movimento já começa a se materializar em soluções como o Guepardo, plataforma da NTT Data que centraliza obrigações fiscais e integra dados corporativos. A próxima etapa dessa evolução envolve o uso de agentes de IA capazes de interpretar regras tributárias, cruzar múltiplas fontes de dados e apoiar decisões com base em contexto e histórico operacional.
Projetos mal estruturados, ou iniciativas de digitalização sem uma estratégia clara, tendem a amplificar riscos — criando inconsistências, gargalos e potenciais falhas de conformidade. “A armadilha mais comum é digitalizar processos ineficientes. Sem uma abordagem estruturada, a tecnologia apenas escala o problema”, alerta Krüger.
A Reforma Tributária, portanto, exige uma mudança de mentalidade. Empresas precisarão tratar sua operação fiscal como um sistema vivo, capaz de evoluir continuamente. Isso implica investir não apenas em tecnologia, mas em governança, arquitetura de dados e modelos de decisão baseados em inteligência.
“Empresas que tratarem a Reforma apenas como obrigação legal estarão sempre reagindo. As que incorporarem inteligência aos seus processos terão capacidade de antecipação — e isso será determinante para competitividade”, conclui.
Serviço
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