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Inteligência Artificial aplicada ao videomonitoramento é a nova realidade

Com uma expectativa de faturamento de US$ 2 bilhões até 2030 apenas no Brasil (Dados Mordor Intelligence), integradores e mesmo provedores regionais de internet estão olhando para o videomonitoramento como uma forma de gerar negócios com um bom ROI e em menor tempo. Segurança segue como uma das principais preocupações da sociedade, seja no ambiente virtual como no presencial. Com a IA e softwares embarcados, as câmeras de videomonitoramento ganharam novas e variadas aplicações, tornando-as uma forte aliada na gestão e proteção de empresas e cidades. Esse movimento tem transformado o posicionamento de mercado das câmeras de videomonitoramento de produto para uma plataforma integrada de serviços, cada vez mais demandada nos mercados B2B e B2G.

A nova era do videomonitoramento
A própria evolução da sociedade em relação à vigilância por vídeo justifica essa movimentação. A câmera tradicional, a princípio, servia apenas para equipes acionarem forças policiais a verificarem padrões suspeitos e tomarem ações. Mas à medida que passaram a embarcar softwares analíticos sua percepção de valor mudou
drasticamente, desempenhando um papel fundamental em várias áreas da economia.

A inovação permitiu coletar, analisar e interpretar dados para extrair insights que podem ajudar na tomada de decisões, transformando dados brutos em informações valiosas, permitindo empresas e governo tomarem decisões mais eficazes, com menos riscos e a melhorarem seus processos operacionais.

Câmeras de videomonitoramento contam hoje com vários tipos de Analytics, cada um com uma finalidade específica, desde o descritivo para entender o que aconteceu no passado analisando Dados e fornecendo relatórios, até os Preditivos que utilizam algoritmos e modelos de Machine Learning para prever eventos e ajudarem empresas a se anteciparem às mudanças de mercado, e os Prescritivos, que vão um passo além,
sugerindo ações e decisões com base nas previsões geradas.

Essa evolução tecnológica levou as câmeras de videomonitoramento para diversos setores estratégicos. Além da segurança, verticais como saúde, finanças, varejo, marketing, educação, manufatura, logística, transportes, entre outros fazem uso de soluções de videomonitoramento em seu dia a dia. Com o crescimento da coleta de
Dados e o avanço de tecnologias como Big Data e Inteligência Artificial, organizações e governo passaram a otimizar operações, personalizar experiências de clientes e reduzir custos, tornando a solução uma ferramenta indispensável para empresas serem mais competitivas.

Nesse contexto, a câmera deixou de ser uma solução isolada para se tornar a infraestrutura sobre a qual dados são gerados, processados e analisados, permitindo cruzar informações, integrar sistemas, orientar fluxos e até embasar novos investimentos. Grandes exemplos nesse sentido estão nas otimizações de layouts em centros comerciais (varejo) e ajustes no controle operacional de plantas industriais e logísticas.

Na prospecção de negócios, mover o foco do videomonitoramento para o vídeo Analytics é sugerir ao cliente que ele deixe de olhar o passado e veja um movimento dinâmico, passando a ter Dados e padrões para lidar melhor com seu negócio hoje e ter métricas que permitam decidir com mais segurança o futuro da organização.

Vídeo as a Service
Assim como no mercado B2B, vigilância é apenas a porta de entrada para as câmeras com IA no ambiente urbano. No contexto específico das Cidades Inteligentes (Smart Cities), ISPs e integradores podem explorar o Business-to-Government (B2G) na oferta de serviços, a partir da infraestrutura de fibra óptica e Data Centers já instalados,
aliados ao uso de 5G e Nuvem na Borda (Edge Data Center).

Não falo apenas de um Videomonitoramento as a Service (VSaaS), mas de aplicar essa mesma infraestrutura de rede para conectar câmeras, sensores e outros dispositivos, transformando cidades mais inteligentes e empresas mais eficientes desde o monitoramento de segurança até resposta a incidentes. No caso de soluções voltadas
para Prefeituras, por exemplo, trata-se de um modelo de negócio que sai da venda de equipamento para a oferta completa de “Cidade Inteligente como Serviço”.

Para o provedor de internet, isso significa receita recorrente e permite que as Prefeituras implementem projetos de segurança pública sem um investimento inicial muito alto, elimina altos custos com manutenção de equipamentos e a obsolescência prevista. É uma parceria onde todos ganham: o ISP, a Prefeitura e, principalmente, o cidadão.

Contudo, se a preferência do provedor for permanecer na iniciativa privada, o videomonitoramento também está ganhando espaço como serviço. Estudo recente do Market Reasearch Future mostra que a crescente adoção de soluções de VSaaS baseadas em Nuvem oferece escalabilidade com boa relação custo-benefício e recursos de monitoramento remoto, em um mercado que faturou US$ 1,5 bilhão em 2025 e vai registrar CAGR de 11% até 2035.

Por fim, a aplicação de câmeras de videomonitoramento acompanha a transformação do próprio mercado de tecnologia: equipamentos que antes entregavam visibilidade passam a entregar inteligência; produtos dão lugar a serviços, e a tomada de decisão se apoia cada vez menos na intuição e mais em Dados. Seja no ambiente corporativo ou público, as câmeras deixam de ser apenas instrumentos de vigilância para se tornar parte da infraestrutura de gestão. Entender essa mudança é essencial para capturar valor em um mercado que cresce não apenas em volume, mas em relevância estratégica.

Por Vanderlei Rigatieri, CEO e fundador da WDC Networks.

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