A maior barreira para a digitalização das PMEs brasileiras não é financeira ou tecnológica, é educacional. Muitos empreendedores sabem que precisam se digitalizar, mas esbarram no “tabu da tecnologia”: a percepção de que é complexo, caro e inacessível. Por isso, a capacitação se tornou a nova fronteira da inclusão digital. A resposta não pode se limitar a produtos; é preciso entregar educação prática, suporte que ensina e ferramentas intuitivas que reduzam o tempo entre aprender e aplicar.
Os Dados recentes confirmam que a digitalização nas pequenas empresas vem avançando, mas que ainda existe uma lacuna de uso estratégico. Segundo pesquisa do Sebrae 2025, 76% dos empreendedores brasileiros já utilizam computadores e 98% têm acesso à internet, mas apenas 47% aplicam soluções digitais integradas que estruturam a presença online.
Nos EUA, a digitalização é praticamente universal: o relatório Empowering Small Business 2025 (U.S. Chamber of Commerce) indica que 99% das pequenas empresas usam ao menos uma plataforma tecnológica e que 58% já utilizam IA Generativa. Entre as empresas que usam IA, 82% afirmam ter ampliado a força de trabalho no último ano, um sinal de que o debate já migrou de ‘adoção’ para ‘integração e produtividade’ Por outro lado, o Fed (Federal Reserved System), banco central americano, estima que essa adoção da IA varia entre 5% e 40%.
No Brasil, universo das PMEs, o gargalo central não é apenas acesso a ferramentas, mas competência para usá-las com consistência. Um levantamento recente do Sebrae aponta que, entre os pequenos negócios que ainda não entraram no digital, 55% citam a falta de pessoas com habilidades e conhecimentos como a principal barreira para avançar. No pano de fundo, os dados do IBGE também reforçam a dimensão da alfabetização digital no País: entre domicílios sem uso de internet, ‘não saber utilizar’ aparece como um dos motivos mais frequentes. Em outras palavras, o desafio brasileiro é menos “adotar” e mais “integrar” tecnologia com capacitação aplicada.
Não trata-se de uma transformação fácil e rápida. O País tem desafios estruturais que ampliam essa lacuna: regiões sem boa conectividade, falta de educação tecnológica básica e a volatilidade cambial que encarece ferramentas e serviços internacionais.
Combater essas barreiras exige uma abordagem tripla: preços em Reais e infraestrutura nacional para reduzir o impacto financeiro; plataformas intuitivas que eliminem a dependência de conhecimento técnico avançado; e suporte humano que traduza tecnologia em estratégia. Democratizar tecnologia não é discurso, é prática contínua que determina quem participa da economia digital.
Essa visão ajuda a explicar iniciativas desse tipo internas e externas de formação e retenção de talentos. Internamente, desenvolvemos trilhas contínuas em IA, Cloud e Segurança Digital, criando um ambiente onde autonomia e aprendizado constante impulsionam a inovação. Externamente, apoio em conteúdos e programas de capacitação e mentoria para empreendedores e jovens ajudam a formar novos profissionais e ampliar o acesso à tecnologia para além dos grandes centros. Isso fortalece o ecossistema digital brasileiro e ajuda a distribuir oportunidades de forma inclusiva. A inovação com propósito nasce dessa união: tecnologia, educação e inclusão caminhando juntas para construir um futuro digital mais acessível e igualitário no Brasil.
Por Pedro Braga, diretor de Produtos Tech na Locaweb e KingHost.

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CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

MERCADO
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SEGURANÇA DIGITAL
Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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