
A segurança em nuvem entrou definitivamente em uma fase mais pragmática. A discussão deixou de ser centrada na quantidade de alertas ou na ampliação do inventário de vulnerabilidades e passou a focar priorização com base em contexto real, correlação de sinais e capacidade de resposta operacional.
Aproveitando a visita de Samuel Zejger ao Brasil, LATAM Lead da Upwind Security, conversamos sobre o momento atual do CNAPP e o que efetivamente mudou no debate entre 2024 e 2026.
O próprio mercado já vinha sinalizando essa mudança. O Gartner apontou crescimento relevante nos investimentos em cloud security e projetou que, até 2027, investigações envolvendo infraestrutura em nuvem e terceiros representarão a maior parte dos incidentes reportados. O aumento da superfície de ataque em ambientes multicloud, Kubernetes e aplicações cloud-native impõe uma nova exigência: reduzir risco real, não apenas produzir visibilidade.
O fim do debate conceitual sobre CNAPP
Segundo Samuel, o mercado deixou de discutir se CNAPP é relevante. A discussão agora é objetiva: o que uma plataforma precisa entregar para reduzir risco de forma mensurável.
A expectativa atual envolve integração entre postura de nuvem, proteção de workloads, APIs, detecção e resposta. A pergunta central deixou de ser cobertura e passou a ser impacto operacional. A plataforma reduz risco real e tempo de resposta ou apenas amplia o backlog?
Runtime como fonte de verdade
Um dos pontos centrais da conversa foi a consolidação do runtime como elemento obrigatório. Postura e conformidade continuam importantes, mas representam uma fotografia do ambiente. Runtime representa o filme.
É no runtime que se observa execução real, comportamento de processos, chamadas entre serviços, movimentação lateral, uso de identidades humanas e não humanas e possíveis tentativas de exfiltração. Sem esse contexto, a priorização depende de suposições. Com runtime, a priorização passa a ser baseada em evidência.
Essa mudança altera diretamente a gestão de vulnerabilidades. Em vez de olhar apenas CVE e severidade, passa-se a considerar:
O workload está exposto
Existe caminho de ataque viável até ele
Há sinais de exploração ativa
Quais permissões e identidades estão envolvidas
Isso reduz ruído e direciona correção para o que realmente pode virar incidente.
Attack path e gestão contínua de exposição
Outro ponto abordado foi a transição de listas extensas de vulnerabilidades para gestão contínua de exposição. A análise de attack path passa a ter papel central, pois diferencia risco teórico de risco provável.
Ao correlacionar postura, conectividade, identidade e atividade real, o CNAPP deixa de ser apenas uma plataforma de inventário e passa a ser uma plataforma de decisão.
Integração com SecOps
A evolução natural do CNAPP é aproximar-se de SecOps. Não basta identificar risco, é preciso encurtar o ciclo entre detecção, contenção e resposta.
Ambientes multicloud e Kubernetes ampliam complexidade de rede, identidade, service-to-service e cadeia de suprimentos. A visibilidade precisa ser acompanhada de automação e integração com SOC para evitar que a ferramenta se torne apenas mais um console.
A grande virada para os próximos anos
Para Samuel, a grande virada dos próximos anos é clara: CNAPP deixa de ser percebido como plataforma de postura e se consolida como plataforma de decisão e resposta.
Isso envolve:
Correlação mais profunda entre sinais
Uso intensivo de contexto em tempo real
Governança sobre aplicações modernas
Observabilidade contínua de runtime
Automação orientada por evidência
Com o crescimento da complexidade das aplicações e o impacto de IA no desenvolvimento e operação de software, a necessidade de governança técnica em ambientes cloud-native se intensifica.
Um ponto de inflexão para a segurança em nuvem
O mercado caminha para um ponto de inflexão. A questão não é mais quantas ferramentas a organização possui, mas quanta decisão consegue tomar com confiança quando o ambiente muda em produção.
A entrevista completa com Samuel Zejger, LATAM Lead da Upwind Security, realizada durante sua visita ao Brasil, aprofunda esses aspectos técnicos e estratégicos e traz critérios objetivos para revisar programas de cloud security em 2026.
O conteúdo integral está disponível em:
CNAPP em 2026: Runtime, contexto e priorização de risco
https://materiais.nova8.com.br/cnapp-2026-runtime-contexto-priorizacao-risco-upwind

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