
A h.ai, startup de telemedicina ampliada que já realizou mais de 50 mil atendimentos em todo o Brasil, listou cinco tendências que irão movimentar o mercado de telemedicina no próximo ano.
Loraine Burgard, fundadora da healthtech, comenta que o setor vive um momento de convergência entre tecnologia, cuidado e equidade. “As inovações em Dados, Conectividade, monitoramento e atendimento remoto apontam para um novo patamar da telemedicina, com impacto direto na qualidade de vida, eficiência e inclusão”, afirma a executiva.
Para a h.ai, a telemedicina ampliada já nasceu para atuar dentro de um modelo patient centric, ela permite a criação de consultórios virtuais, como as cabines, atendimento domiciliar como num processo de desospitalização com as maletas, promove a atenção primária, adesão a planos de tratamento, coordenação do cuidado e até economia de deslocamento, facilitando e ampliando o acesso à saúde da população e reduzindo custos do sistema.
Confira as tendências para o setor:
Acesso e equidade
Parcerias entre iniciativas privadas e terceiro setor para levar teleatendimentos a comunidades distantes dos grandes centros devem crescer nos próximos anos. A partir de cabines de telemedicina, como as desenvolvidas pela h.ai, pessoas em áreas remotas ou regiões com escassez de especialistas passam a ter acesso a consultas, diagnósticos e monitoramento de forma contínua e de qualidade. As cabines da startup, por exemplo, oferecem a possibilidade da realização de até 15 exames, além da teleconsulta, tudo com acompanhamento humanizado de um profissional de enfermagem.
Um exemplo concreto é a parceria com a Rede Mondó e a Universidade Cruzeiro do Sul, um projeto que leva atendimento e exames para a comunidade de Breves (PA).
O movimento contribui para reduzir desigualdades no acesso à saúde, democratizando o cuidado, independentemente da localização geográfica ou da capacidade de deslocamento, além de possibilitar oferta de atendimento com especialistas e desafogar a fila do Sistema único de Saúde.
Para a executiva, nenhuma outra ferramenta em saúde é capaz de entregar tanto em acesso e equidade quanto à telemedicina. “Num País com dimensões continentais e uma área rural que concentra mais de 25 milhões de pessoas, a telemedicina é capaz ampliada é capaz de dar vazão e atendimento à demanda de saúde”, comenta Loraine.
Com o envelhecimento da população e o aumento da prevalência de doenças crônicas, a demanda por cuidados de longo prazo e monitoramento contínuo tende a subir. O uso combinado de IoT, telemonitoramento e teleconsultas representa uma alternativa eficiente e escalável para acompanhar pessoas idosas, especialmente aquelas em casas de longa permanência, com mobilidade limitada ou em regiões periféricas.
Isso permite qualidade de vida, maior autonomia e maior Segurança médica, diminuindo deslocamentos, internações desnecessárias e focando na prevenção e manutenção da saúde.
Estruturação de Dados e IA: base confiável para decisões clínicas
A qualidade e a confiabilidade dos Dados de saúde são fundamentais. Dados desestruturados, fragmentados em prontuários, laudos, exames e históricos clínicos resultam em diagnósticos imprecisos, tratamentos genéricos ou decisões inseguras. Em muitos contextos, isso acarreta atrasos, retrabalho e escolhas ineficazes.
Para o CTO da h.ai, Eduardo Guilhon, para que a telemedicina seja de fato eficaz e não apenas “uma videoconferência qualquer”, é essencial investir fortemente em engenharia de dados. “É fundamental integrar prontuários eletrônicos, resultados laboratoriais, histórico clínico e Dados de dispositivos de monitoramento remoto. Com fluxos estruturados e interoperabilidade, será possível garantir continuidade no cuidado, reduzir erros, aumentar a segurança clínica e elevar o nível resolutivo das consultas remotas nos próximos anos”, explica.
A AI irá permitir um número crescente de leitura e análise de Dados, uso de tecnologia Gen-AI de reconhecimento de voz ou, ainda, na Automação de processos burocráticos liberando as equipes médicas e assistenciais para se dedicarem mais ao paciente. Dentro desse contexto, ganha-se também eficiência operacional e redução de desperdícios que impactam diretamente os custos em saúde.
IoT e monitoramento remoto: ampliando o alcance e a precisão do cuidado
A crescente incorporação de dispositivos conectados, como wearables, sensores e monitores remotos, está redefinindo como e onde a saúde pode ser prestada. Segundo um estudo da Polaris Market Research, o uso da Internet das Coisas (IoT) na saúde deve crescer a uma taxa anual de 17,9% até 2032.
Graças a eles, torna-se viável captar sinais vitais, Dados clínicos e até exames como ecocardiograma ou ultrassom à distância, mesmo quando o paciente está a quilômetros do profissional de saúde.
Com essa base de Dados contínua e em tempo real, os médicos podem oferecer diagnósticos mais precisos, tratamentos mais adequados e intervenções mais seguras. Uma das grandes entregas da telemedicina está em facilitar e amplificar o cuidado preventivo e personalizado, principalmente nos casos de crônicos, que representam mais de 52% da população do País, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É um passo fundamental para o avanço da telemedicina não só em cidades mas também em áreas rurais, em zonas vulneráveis ou distantes.
O acompanhamento contínuo por meio dos IoT’s ajuda na redução de custos em saúde, permitem o cuidado assíncrono e os resultados obtidos podem ser utilizados como comprovação de melhoria reduzindo valores de planos de saúde, por exemplo.
Telemedicina para saúde mental: acessibilidade e cuidado contínuo
A saúde mental é uma área de crescente demanda. Nos últimos anos houve um aumento significativo na busca por apoio psicológico, por exemplo. O SUS realizou 192 mil atendimentos em saúde mental no primeiro semestre de 2025, um aumento de 20% em comparação com o mesmo período de 2023, segundo o Ministério da Saúde.
É nesse sentido que a expansão de atendimento por plataformas digitais, como terapias e acompanhamento psicológico remoto, reduz barreiras históricas como tempo, mobilidade ou distância.
Além disso, com os Dados clínicos e o histórico de usuários devidamente organizados é possível oferecer intervenções mais proativas e contínuas. É um cuidado longitudinal com maior chance de prevenir crises ou identificar precocemente transtornos.
Segundo Loraine, este é um ponto que traz benefícios para a telemedicina no ambiente corporativo. “A telemedicina entrega um nível de acesso a Dados e informações que permitem a criação de programas personalizados. Esses programas podem ser implementados, por exemplo, através de óculos de Realidade Virtual dentro das cabines, para tratamento virtuais como pain management, controle de ansiedade, vícios etc. A telemedicina em cabines dentro da estrutura das empresas pode apoiar a política de cuidado com a saúde mental, oferecendo privacidade e atendimento contínuo para os profissionais, além de reduzir o absenteísmo”, pontua.
Telemedicina a grande aliada do consumidor/paciente
Uma crescente mudança na área da saúde é a participação cada vez mais ativa e empoderada de pacientes que passam a buscar, avaliar, comparar e comprar serviços de saúde.
Divididos entre o SUS ou a saúde privada (planos, out-of-pocket) com custos crescentes e serviços diminuindo, os pacientes têm buscado cada vez mais alternativas que os coloque no controle do seu cuidado de saúde.
“Valor e conveniência são fatores fundamentais de escolha de um serviço, e a telemedicina entrega exatamente isso”, finaliza Loraine.
Serviço
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