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Modernização do legado: o movimento invisível por trás da corrida da IA

A Inteligência Artificial (IA) domina a agenda corporativa global. O assunto está nas capas de jornais, nas pautas estratégicas de conselhos administrativos e mesmo nas conversas e discussões informais diárias. No entanto, enquanto as empresas aceleram investimentos para implementar soluções baseadas em IA, um desafio estrutural ganha proporções silenciosas: o acúmulo de melhorias ou novas implementações em sistemas legados na “fila das equipes de desenvolvimento”, conhecido como backlog do legado.

Essas soluções foram desenvolvidas há muitos anos, com tecnologias que já não acompanham as demandas dos padrões atuais. Em muitos casos, são estruturas críticas para o negócio, mas difíceis de atualizar ou integrar a novas plataformas. As linguagens antigas, a falta de documentação e a dependência de profissionais especializados tornam a manutenção cara e arriscada. Além disso, cada nova integração exige adaptações manuais e custosas, o que aumenta a complexidade e o risco de falhas. Com isso, tempo e recursos que poderiam ser destinados à inovação acabam sendo consumidos apenas para manter o sistema funcionando.

E o impacto disso é real. Um relatório do United States Government Accountability Office (GAO) mostrou que o uso de 10 dos sistemas legados mais críticos do País custam cerca de US$ 337 milhões por ano em manutenção nos EUA. O estudo mostrou que muitos desses sistemas ainda utilizam linguagens antigas, como COBOL (COmmon Business Oriented Language), o que amplia a dependência de profissionais escassos e especializados, eleva os custos de operação e aquisição, e aumenta o risco de descontinuidade.

Além disso, vários operam com vulnerabilidades de Segurança conhecidas e com hardware e software sem suporte, tornando sua manutenção cada vez mais complexa e onerosa. Esse cenário evidencia como softwares antigos consomem recursos desproporcionais, demandam profissionais especializados em tecnologias ultrapassadas e dificultam integrações com plataformas modernas, especialmente com ambientes em Nuvem e aplicações baseadas em Inteligência Artificial.

No Brasil, 53% das empresas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para integrar sistemas legados com novas tecnologias, segundo o relatório HR Strategy 2025, realizado pela LG (Lugar de Gente), em parceria com a Mercer. Esses Dados indicam que investir em IA sem antes resolver o que está na base da operação não é o caminho. Um sistema obsoleto não vai conversar bem com aplicações inteligentes, e isso se traduz em gargalos, retrabalho e perda de competitividade.

Nesse cenário, plataformas Low-Code ganham protagonismo ao permitirem a modernização do legado sem partir do zero. Nesse modelo, o banco de Dados é reaproveitado, permitindo que a equipe de desenvolvimento ganhe tempo ao atualizar o backlog. Com isso, é possível desenvolver novas funcionalidades e integrações tecnológicas com mais agilidade quando comparado ao modelo tradicional de programação. Além disso, com o Low-Code, o Design System da organização também poderá ser adaptado e preservado, conforme as necessidades do negócio.

O Low-Code permite que as empresas consigam evoluir gradualmente, atualizando sistemas essenciais, que conseguirão se conectar a novas tecnologias, como assistentes e agentes de IA. E, para esse processo, também é possível ter celeridade ao desenvolver essas ferramentas em plataformas que automatizam a criação de modelos de Inteligência Artificial. Essa abordagem incremental é fundamental para equilibrar a necessidade de inovação com a continuidade operacional, um ponto crítico em ambientes corporativos complexos.

Em resumo, antes de falar em IA Generativa, é essencial olhar para o que sustenta tudo isso: a arquitetura tecnológica da organização. Modernizar sistemas ultrapassados com Segurança e agilidade não é apenas uma questão de eficiência, é um investimento estratégico que permite às empresas escalarem seus negócios. O Low-Code pode ajudar muito!

Por Ricardo Recchi, gerente Regional Brasil-Portugal da GeneXus by Globant.

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