
A explosão da demanda por Inteligência Artificial e a multiplicação de ambientes híbridos reconfiguraram o papel da gestão de Dados nas empresas. “O desafio central hoje não é tecnológico; é operacional, diante da crescente complexidade”, afirma Lee Howard, diretor global de Parcerias da NetApp, que esteve no Brasil para apresentar a estratégia da empresa em um momento marcado por pressões regulatórias, insegurança cibernética e pipelines de IA cada vez mais exigentes.
A mudança na gestão de Dados pelas organizações criou um cenário fragmentado, onde múltiplas Nuvens, modelos de hospedagem e ambientes coexistem, com requisitos distintos de Governança e soberania. “A complexidade traz risco e apreensão”, constata.
Para enfrentar esse ambiente, a NetApp aposta em uma estratégia de Dados unificada, apoiada fortemente pelos parceiros. “O valor verdadeiro é que não importa onde o Dado reside. O cliente tem uma interface única, políticas únicas e o mesmo nível de segurança”, enfatiza.
Essa abordagem ganhou reforço com os lançamentos anunciados pela empresa em outubro. O NetApp AFX inaugura uma arquitetura desagregada do ONTAP (o sistema operacional da fabricante), desacoplando performance e capacidade e permitindo que ambos escalem de forma independente. Já o NetApp AI Data Engine amplia o ONTAP para o pipeline completo de IA, integrado ao Nvidia AI Data Platform. O objetivo é simplificar e proteger todo o ciclo dos Dados usado em aplicações de RAG (IA com Dados proprietários) e inferência, mantendo controle unificado sobre ambientes híbridos e multicloud.

Ele acrescenta que esse cenário também implica atualização das estratégias comerciais e de serviços. “A velocidade de mudança se acelerou. Não é mais um ciclo de compras de cinco a sete anos. Agora você precisa ajustar a cada semana”, argumenta.
Operação 100% por Canais
A estratégia da companhia para o Brasil passa necessariamente pelo ecossistema de parceiros. O executivo destaca que, globalmente, 87% do faturamento da NetApp é transacionado por parceiros, mas que na América Latina esse número é ainda mais alto. “Aqui somos 100% partner-led”, afirma.
Para sustentar esse modelo, a empresa oferece programas de capacitação técnica, metodologias de serviço e acesso às práticas de Engenharia utilizadas internamente. A exigência, porém, é elevada: “Procuramos parceiros criativos e altamente certificados. Não basta ter acreditação NetApp; buscamos também certificações amplamente reconhecidas pela indústria”, esclarece.
Entre os setores com maior atividade no País, o executivo cita Energia, Saúde e Finanças, todos com forte pressão regulatória e alta sensibilidade ao tema da soberania. Ele reconhece que a expansão da IA torna a segurança ainda mais crítica. “Os ataques já usam IA para se adaptar rapidamente às defesas. Os humanos não vão conseguir manter esse ritmo”, diz, destacando o uso de modelos avançados nos mecanismos de detecção da própria NetApp.
Diferencial competitivo e desafio operacional
Howard compara o impacto dos novos produtos ao salto que a computação deu ao migrar de CPU para GPU. “Estamos democratizando IA ao simplificar o pipeline de Dados. Assim como fizemos com a Nuvem”, compara. Para ele, a integração com o ecossistema Nvidia marca um ponto de inflexão para empresas que desejam escalar aplicações mais complexas sem adicionar ainda mais camadas de operação.
“O objetivo da NetApp é tornar o crescimento contínuo dos Dados uma vantagem, não um problema. Os clientes precisam saber que seus Dados estarão sempre disponíveis, que serão executados como o planejado e que crescerão com eles. Nosso papel é tornar esse crescimento sustentável, seguro e simples”, resume Howard.
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