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Quantum Security e a corrida para proteger Dados antes do Q-Day

O estudo “2026 Predictions Guide: Technology & Security” da Forrester indica que os gastos com segurança Quântica (Quantum Security) devem ultrapassar 5% do orçamento total de TI no próximo ano. Este Dado indica não apenas que a Computação Quântica deixou de ser um conceito futurista para ser uma realidade operacional na próxima década, mas que, impulsionados pelo temor do chamado “Q-Day”, empresas e desenvolvedores estão agindo rápido para adequar suas estruturas ao desafio que se apresenta.

O Q-Day marca o dia em que Computadores Quânticos serão capazes de quebrar os algoritmos de criptografia que hoje protegem nossas transações, dados corporativos e infraestruturas críticas. Será um divisor de águas para a segurança digital, quando algoritmos assimétricos que sustentam a confidencialidade e autenticidade de Dados serão vulneráveis a ataques Quânticos.

Não é um “se”, mas “quando”: a própria Forrester alerta que o National Institute of Standards and Technology (NIST), agência do governo dos Estados Unidos responsável por desenvolver padrões e diretrizes técnicas, definiu que padrões atuais de criptografia, como RSA e ECC, serão descontinuados até 2030 e completamente obsoletos em 2035. Enquanto lidera a padronização de algoritmos de criptografia pós-Quântica (PQC), o NIST incentiva que equipes de tecnologia não aguardem o último momento para articular a migração para sistemas seguros do ponto de vista Quântico (Quantum Secure).

Assim, já está na ordem do dia dos Chiefs Information Officer (CIOs) e Chiefs Information Security Officer (CISOs) planejar a migração dos sistemas de segurança e criptografia, mapeando o caminho rumo ao destino único que é a proteção de Dados no mundo Quântico. É preciso um certo jogo de cintura para atender aos desafios de hoje sem abrir mão da preparação para o amanhã e toda nova linguagem, governança, Compliance e tecnologias, como PQC e distribuição de chaves Quânticas(QKD). 

Urgência e governança coletivas
Essa transição exige colaboração entre indústria, governo e academia, pois envolve não apenas tecnologia, mas também políticas públicas, padrões globais e capacitação.

Governos e entidades reguladoras já se mobilizam – nos Estados Unidos e na União Europeia, por exemplo, há diretrizes para migração até 2030, com penalidades severas para quem não se adequar, na forma de riscos regulatórios, financeiros e até reputacionais, ao comprometer a confiança de seus clientes. 

Grandes players do mercado de tecnologia já avançam nessa direção. A Nokia, por exemplo, está desenvolvendo redes quantum-safe com criptografia PQC e QKD, e planeja lançar serviços comerciais de QKD via satélite em 2027, em parceria com Colt e Honeywell, garantindo proteção para dados em trânsito em escala global.

Além das ações comerciais, a gigante finlandesa faz jus à característica de compartilhamento de informações que sempre permeou a comunidade de tecnologia e mantém uma área inteiramente dedicada a Quantum Security em seu site, explorando questões relevantes em cibersegurança e como o futuro das telecomunicações será afetado por essa mudança Quântica. E aqui no Brasil, a Nokia tem um acordo de cooperação com o Campus Integrado de Manufatura e Tecnologias (CIMATEC) da Bahia, ligado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), para desenvolvimento em conjunto dessas aplicações.

Caminhos para proteção Para integradores de tecnologia, clientes corporativos, instituições financeiras e provedores de internet (ISPs), esse é um momento de virada, pois oferecer soluções quantum secure não será apenas um diferencial competitivo, será um requisito para manter relevância no mercado. Assim como vimos no passado quando tratamos de fibra óptica, redes sem fio (wi-fi) e conexão por 4G e 5G, quem liderar essa transição rumo ao mundo Quântico terá vantagem competitiva em setores críticos como telecomunicações, internet das coisas (IoT) e redes privadas. 

Investir agora significa evitar custos exponenciais no futuro, quando a migração para adequação aos sistemas for obrigatória, e garantir a confiança do cliente em um cenário onde a segurança será um ativo estratégico. A Computação Quântica promete avanços extraordinários, mas também traz riscos sem precedentes para a segurança digital. O Q-Day vai redefinir a confiança nas transições digitais e preparar-se agora vai além da decisão técnica, é estratégia de sobrevivência e liderança.

Por Vanderlei Rigatieri é CEO e fundador da WDC Networks.

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