
O trabalho remoto, que ganhou impulso sem precedentes durante a pandemia de Covid-19, voltou a encolher no mercado de trabalho brasileiro. Dados divulgados pelo IBGE mostram que a proporção de trabalhadores em home office caiu pelo segundo ano consecutivo, indicando uma acomodação após o auge observado em 2022.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a fatia de profissionais atuando de casa passou de 8,4% em 2022 para 8,2% em 2023, chegando a 7,9% em 2024. Em números absolutos, 6,6 milhões de pessoas trabalhavam remotamente no ano passado, ligeiramente abaixo dos 6,7 milhões registrados em 2022. O levantamento considera um universo de 82,9 milhões de trabalhadores, excluindo servidores públicos e empregados domésticos, e inclui tanto quem atua no próprio domicílio quanto em espaços de coworking.
A série histórica mostra que o home office vive um movimento de ajuste. Em 2012, apenas 3,6% dos trabalhadores atuavam remotamente. O índice subiu para 5,8% em 2019 e atingiu seu pico em 2022, impulsionado pelas circunstâncias da pandemia. Mesmo com o recuo recente, o trabalho em casa permanece em patamar superior ao período pré-crise sanitária.
As mulheres continuam liderando a modalidade. Elas representaram 61,6% de todos os trabalhadores em home office em 2024. Proporcionalmente, 13% das mulheres ocupadas atuavam remotamente, índice quase três vezes maior que o dos homens (4,9%).
A redução do trabalho remoto tem provocado tensões dentro das empresas. No início de novembro, o Nubank anunciou uma diminuição gradual dos dias de home office, medida que, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, levou à demissão de 12 funcionários. Em março, trabalhadores da Petrobras também realizaram uma paralisação em protesto contra alterações nas regras de teletrabalho, entre outras reivindicações.
Para Andre Purri, CEO da Alymente, o trabalho híbrido se consolida como uma nova mentalidade. “As empresas que souberem compreender esse movimento, investindo em estruturas mais ágeis, ouvindo seus colaboradores e ressignificando o papel do escritório, sairão na frente. Em 2025, a competição não será apenas por lucro ou inovação, mas por relevância e coerência com os valores de uma força de trabalho em plena transformação”, afirma.
Enquanto o home office perde espaço, outras formas de local de trabalho avançam. O trabalho realizado dentro de veículos — associado sobretudo ao crescimento do transporte por aplicativo e à popularização de food trucks — aumentou de 3,7% em 2012 para 4,9% em 2024. Trata-se de um segmento majoritariamente masculino: 94,6% dos trabalhadores são homens.
A pesquisa também detalha onde os brasileiros exercem suas atividades. Em 2024, 59,4% atuavam no estabelecimento do próprio empreendimento, 14,2% em locais designados pelo empregador e 8,6% em áreas rurais, como fazendas ou sítios. Além disso, 7,9% desempenhavam suas funções no domicílio, 4,9% em veículos, 2,2% em vias públicas, 1,6% em estabelecimentos de terceiros, 0,9% na casa do empregador e 0,2% em outros tipos de locais.
No conjunto, os números sugerem que o mercado de trabalho brasileiro ajusta lentamente sua relação com o home office: menos aquecido do que no auge da pandemia, mas distante de retornar ao modelo tradicional que predominava antes de 2020.

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