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Adaptação da infraestrutura elétrica fomenta eletrificação de frotas logísticas no Brasil

Especialista aponta que adaptação da rede é um passo simples e crucial para ampliar uso de empilhadeiras elétricas no Brasil

Adaptação da infraestrutura elétrica fomenta eletrificação de frotas logísticas no Brasil

A transição para equipamentos elétricos no setor logístico, como empilhadeiras, vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Porém, ainda esbarra em questionamentos sobre os desafios relacionados à infraestrutura elétrica das empresas. Apesar de os carregadores acompanharem os equipamentos no momento da compra, é fundamental que a rede elétrica da empresa compradora esteja preparada para suportar o aumento da demanda energética, especialmente quando há a necessidade de operar múltiplos equipamentos ao mesmo tempo.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, 2023), a eletrificação de frotas industriais pode reduzir significativamente as emissões de carbono, já que veículos movidos a eletricidade apresentam até 50% menos impacto ambiental ao longo de sua vida útil em comparação aos modelos a combustão. No entanto, a adoção em larga escala ainda esbarra em questões técnicas, sobretudo no ajuste da rede elétrica para suportar carregadores de maior potência.

No entanto, a adoção em larga escala ainda esbarra em questões técnicas, sobretudo no ajuste da rede elétrica para suportar carregadores de maior potência

Um dos pontos mais críticos está relacionado à tecnologia das baterias. Carregadores de íon-lítio, cada vez mais populares no setor, exigem mais da rede elétrica. Isso ocorre porque oferecem recarga rápida, reduzindo o tempo de inatividade das máquinas. Em contrapartida, demandam maior robustez elétrica para operar em plena capacidade.

Segundo Humberto Mello, diretor da Tria Empilhadeiras, marca de baterias de lítio e equipamentos para manuseio e transporte de cargas, “a adaptação da rede elétrica não é um bicho de sete cabeças. Em empresas maiores, os quadros já são projetados para expansões futuras. Nesse caso, a mudança costuma se limitar à redistribuição interna dos cabos. Já em pequenas e médias empresas, com redes menos estruturadas, o investimento pode ser maior, mas ainda assim é viável”.

Outro diferencial apontado pelo porta-voz da Tria está nas condições de segurança. Enquanto as baterias de chumbo-ácido exigem salas específicas com ventilação adequada para lidar com a emissão de gases tóxicos durante a recarga, as de lítio eliminam essa necessidade. Isso significa que os carregadores podem ser distribuídos em diferentes pontos da planta fabril, próximos às áreas de operação, otimizando tempo e espaço.

Ainda que o investimento inicial em adaptação da rede possa ser maior, Humberto aponta que esses equipamentos podem reduzir custos de manutenção em até 50% e que empresas relatam redução de 70% a 80% nos custos com energia elétrica.

Junto a isso, o papel do eletricista interno ou contratado também é fundamental no processo de avaliação. “O estudo da rede elétrica deve ser feito em parceria com a empresa fornecedora. Nós passamos a configuração dos carregadores e, com isso, o eletricista consegue indicar se basta trocar cabos ou conectores, ou se será preciso ampliar a capacidade do quadro principal. Na maioria dos casos, a solução é simples e de baixo impacto”, explica Mello.

Com a pressão por metas ambientais e a busca por eficiência operacional, a tendência é de crescimento no uso de empilhadeiras elétricas no Brasil. O desafio, agora, é garantir que a infraestrutura elétrica das empresas acompanhe essa evolução de mercado.

“A eletrificação de frotas é uma realidade inevitável para as empresas atualmente, e isso inclui as empilhadeiras elétricas que são parte importante das operações logísticas. O que precisamos agora é apoiar as organizações nesse processo de adaptação, mostrando que os ajustes são acessíveis e trazem retorno rápido. Quem investir em infraestrutura estará mais preparado e competitivo”, conclui o diretor.

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