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Tecnologia com propósito e as ferramentas digitais na Educação do século XXI

O relatório oficial do programa Escolas Conectadas informou que 82,2 mil ou 60% das escolas públicas de ensino básico do País contam com internet banda larga e Wi-Fi aberto. A proposta é chegar a 137,8 mil instituições até 2026 com recursos de quase R$ 9 bilhões provenientes do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e Leilão do 5G, entre outras fontes. A notícia é excelente pela condição básica de acesso a plataformas e conteúdos complementares à comunidade escolar, porém a internet não pode ser um fim em si mesma, é preciso olhar a tecnologia com intencionalidade.

Sim, os smartphones foram banidos das escolas para ajudar na concentração e desenvolvimento das crianças e adolescentes, uma vez que estavam concorrendo com os próprios professores pela atenção dos alunos. Há agora mais espaço para demonstrar que lousa digital, computador, notebook, tablet, smart TV são grandes aliados no processo pedagógico quando bem utilizadas em sala de aula. O problema não está “na internet”, mas no uso meramente recreativo e sem propósito definido dentro do espaço escolar, que é onde muitos jovens, principalmente da rede pública, encontram acesso ao mundo virtual.

O Estudo Global sobre o Uso da Tecnologia na Educação, realizado pela BlinkLearning em parceria com o Ministério da Educação (MEC), revela que 80% dos professores entrevistados acreditam que a tecnologia melhora a motivação dos estudantes, pois torna os conteúdos mais atraentes com seus recursos dinâmicos e interativos.

Para eles, o principal desafio é justamente a falta de dispositivos suficientes (73%) para atender diferentes turmas de forma constante, e não como algo pontual ou especial. Veja o caso das telas interativas como lousa digital, por exemplo. Mais do que uma substituição do quadro tradicional, elas permitem a manipulação direta do conteúdo
estudado com vídeos, imagens e aplicativos, despertando a atenção e interação dos estudantes – ao invés de distraí-los, como alegam alguns críticos. Tornam conceitos abstratos mais tangíveis e fazem da aula um momento dinâmico, propondo uma mudança de paradigma no qual o aluno deixa de ser um receptor passivo de conteúdo
e passa a interagir com o conhecimento.

O uso produtivo da inovação digital na educação não se resume à adoção de dispositivos. Ele exige intencionalidade, formação docente e alinhamento com o projeto pedagógico da escola. Essa transformação pode ser viabilizada com o entendimento desse sistema como serviço contínuo, e não como investimento pontual. Isso inclui desde a gestão da Conectividade até a atualização constante de recursos, criando ambientes educacionais seguros e preparados para a inovação. Por que não criar uma rede privada para a instituição, na qual o acesso a determinados sites ou conteúdos podem ser bloqueados? Gerir as soluções de cibersegurança, separar a rede Wi-Fi da secretaria (que também monitora câmeras de segurança) daquela das salas de aula. Procurar com seu provedor de internet mais do que suporte técnico e sim uma atuação proativa para expandir e aproveitar ao máximo o parque tecnológico da escola.

A tecnologia tem um relevante papel pedagógico neste século XXI ao permitir a extrapolação do conteúdo de livros e cadernos sem sair da própria classe. Acesso a plataformas educacionais, conteúdos multimídia, cursos complementares ou profissionalizantes e a colaboração digital entre comunidades acadêmicas de diferentes campi.

O futuro da sala de aula não está nos dispositivos em si, mas na inteligência com que os usamos para transformar a experiência de aprender e formar cidadãos conscientes.

Por Vanderlei Rigatieri, CEO da WDC Networks.

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