A nova edição da Pnad Contínua TIC, divulgada em 2024 pelo IBGE, mostra que o Brasil atingiu o maior percentual de usuários de internet da série histórica: mais de 89% da população com 10 anos ou mais acessou a rede nos últimos três meses, em casa ou do aparelho celular — o equivalente a 168 milhões de pessoas. Outro Dado recorde é que 88,9% da população já possui algum aparelho para uso pessoal.
O crescimento é expressivo entre crianças, adolescentes e idosos — justamente os grupos mais vulneráveis no ambiente digital. Entre os idosos, por exemplo, a proporção de conectados saltou de 24,7% em 2016 para 69,8% em 2024. Na zona rural, o acesso passou de 33,9% para 81% no mesmo período, mas ainda abaixo da média urbana (90,2%).
Para Laerte Magalhães, CEO da NuhDigital, garantir o acesso à rede é apenas o primeiro passo:
“Mais do que estar conectado, é preciso garantir que a internet seja útil para a vida, para os estudos, para o trabalho, para o acesso a direitos. Isso é o que chamamos de Conectividade Significativa. O Letramento Digital é justamente ensinar as pessoas a usarem a internet de forma produtiva e segura”.
Ele faz uma analogia com o consumo de água:
“Dizer que alguém tem acesso à internet só porque se conectou uma vez a cada três meses é como dizer que alguém tem acesso à água porque toma um copo por dia. Precisamos de água para lavar roupa, tomar banho, cozinhar — assim como precisamos de internet de qualidade todos os dias para trabalhar, estudar e empreender”.
Vulnerabilidades e riscos online
Apesar do avanço, crianças e jovens continuam expostos a riscos no ambiente digital, muitas vezes sem filtros ou supervisão parental. Um vídeo recente do influenciador Felca chamou atenção para a falta de preparo e os perigos enfrentados pelos mais novos ao navegar sem orientação. Na sequência, provocado pela pressão popular e repercussão do vídeo, o Congresso aprovou
“Não basta só entregar internet. A inclusão digital acontece de verdade quando as pessoas conseguem usar a conexão para estudar, trabalhar e acessar serviços essenciais. É fundamental que pais, crianças e adolescentes entendam os riscos e saibam se proteger”, reforça Magalhães.
Letramento Digital na prática
O Grupo +Unidos promove iniciativas que conectam comunidades ao mundo da tecnologia e ampliam oportunidades de aprendizado. Um exemplo é o projeto “Inglês para Comunicar”, realizado em parceria com a Alcoa, na região Amazônica, que combina aulas de inglês com atividades de Letramento Digital, preparando jovens de comunidades tradicionais e rurais para um mercado de trabalho cada vez mais exigente em competências digitais.
O projeto, no formato semipresencial, utiliza centros de informática já existentes nas comunidades e oferece a possibilidade de acompanhar conteúdos também de casa, ampliando o acesso e a flexibilidade.
“O Letramento Digital abre oportunidades de educação, trabalho e participação social. Quando cidadãos têm acesso a essas competências, fortalecemos comunidades inteiras, promovendo autonomia e desenvolvimento sustentável”, afirma Daniel Grynberg, diretor-executivo do Grupo +Unidos.
Henrique Rabelo Bastos, morador de Capiranga (AM) e participante do programa, resume o impacto:
“Pensava que o inglês era difícil, mas entendi que tudo é uma questão de dedicação. Com o incentivo dos professores, percebi que consigo aprender. Essa iniciativa vai me ajudar a conquistar novas oportunidades e me deu mais segurança para lidar com a tecnologia no dia a dia”.

Leia nesta edição:

CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

MERCADO
O bom negócio da locação de equipamentos de TI

SEGURANÇA DIGITAL
Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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