
O setor de Tecnologia da Informação (TI), classificado como CNAE 62, e o setor de Telecomunicações (CNAE 61), figuram como protagonistas do ecossistema de inovação brasileiro em 2023. Segundo o estudo Panorama da Inovação 2025, Gröwnt (antiga GT Group), esses dois segmentos concentraram 29% de todas as empresas que utilizaram a Lei do Bem, indicando alta maturidade na condução de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
Apenas a indústria de Software (TI) liderou em número absoluto de participantes, com mais de 500 empresas beneficiadas pela Lei do Bem em 2023. Já o setor de Telecomunicações, embora com menor número de participantes, obteve o maior valor médio de benefício fiscal por empresa, o que demonstra a robustez dos projetos submetidos pelo segmento.
Do ponto de vista do impacto fiscal, o setor de TI apresentou o maior índice entre os principais segmentos econômicos: 57% de impacto sobre IRPJ e CSLL, superando os setores farmacêutico (49%) e alimentício (34%). Essa métrica evidencia a capacidade das empresas de TI em converter incentivos fiscais em investimentos estruturados em inovação tecnológica.
As tendências tecnológicas observadas nos projetos de TI e Telecom incluem a integração de sistemas via API, plataformas digitais, Automação de Processos, Segurança da Informação e Inteligência de Dados. Os projetos submetidos à Lei do Bem nessas áreas têm foco em eficiência operacional, escalabilidade e digitalização, acompanhando a crescente demanda do mercado por soluções tecnológicas integradas.
Além dos benefícios fiscais, os dois setores também têm destaque no uso de instrumentos de fomento direto, como Finep Apoio Direto, Inovacred e BNDES Finem. O setor de TI aparece entre os dez maiores contratantes de crédito tanto em volume total quanto em valor médio dos projetos. No programa Mais Inovação, promovido em 2024 por Finep e BNDES, empresas de TI e Telecomunicações figuram entre as principais beneficiárias de linhas voltadas à transformação digital e automação industrial.
O estudo também aponta que é comum a utilização simultânea da Lei do Bem com recursos reembolsáveis ou não reembolsáveis, ampliando o potencial de execução de projetos complexos. A combinação entre incentivo fiscal e crédito público contribui para ganhos de escala, redução de riscos e aceleração da inovação, especialmente nos setores que já possuem infraestrutura tecnológica consolidada.
A consolidação de TI e Telecomunicações como líderes nos investimentos em inovação reafirma a importância de políticas públicas estáveis e eficazes para o avanço tecnológico do País. Os Dados mostram que os mecanismos atuais, quando bem aplicados, permitem ao Brasil avançar com competitividade rumo a uma economia mais digital, produtiva e segura.

Leia nesta edição:

CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

MERCADO
O bom negócio da locação de equipamentos de TI

SEGURANÇA DIGITAL
Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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