
O futuro do trabalho e das funções que o cercam deve ser bem diferente do que é hoje e será fruto de um processo de transformação iniciado há alguns anos, com a pandemia e a digitalização da sociedade, e que segue hoje com o crescimento exponencial do uso massivo de tecnologias como a Inteligência Artificial. Para Wagner Araújo, diretor de Private Equity da Invest Tech, estas mudanças devem atingir em cheio os modelos educacionais consolidados há décadas.
“Em um efeito dominó que está apenas começando, o trabalho já está mudando, exigindo que a formação das pessoas também mude. Nesse sentido, as EdTechs terão papel fundamental na transformação das metodologias tradicionais de transferência de conhecimento e aprendizagem ao integrar ferramentas digitais, conteúdos atualizados e plataformas de conexão avançadas”, defende.
Araújo lembra que este mercado, de acordo com um estudo publicado pela Market Research Future (MRFR), deve chegar a US$ 192,9 bilhões este ano e a US$ 705,7 bilhões em 2034, crescendo a uma taxa de 15,5% ao ano neste período. “Inicialmente o crescimento virá da necessidade de soluções de aprendizagem personalizadas e flexíveis que vão além do ambiente escolar, incluindo também treinamento corporativo e programas de aprendizagem ao longo da vida”, analisa.
Estes dois últimos fatores estão diretamente relacionados às mudanças no trabalho e suas demandas. A pesquisa Future of Jobs Report 2025, realizada pelo Fórum Econômico Mundial, mostra o que está mudando e que novas demandas serão colocadas aos sistemas educacionais, reforçando o papel das EdTechs daqui para frente. “A tendência mais transformadora apontada pela pesquisa é justamente a ampliação e melhoria do acesso digital, ou seja, para 60% dos empregadores pesquisados a capacidade de indivíduos e organizações de se conectarem e utilizarem tecnologias digitais de forma mais eficazes para a tomada de decisão terão um impacto significativo em seus negócios”, conta.
Entre os avanços tecnológicos que impulsionam essa transformação os empregadores apontaram a IA e processamento de informações (citados por 86% dos empregadores); robótica e automação (58%); e geração, armazenamento e distribuição de energia (41%), todos fatores que aumentam a demanda por profissionais com habilidades relacionadas à tecnologia. “Por isso a qualificação e requalificação tecnológica é essencial para aumentar a competitividade, promover inovação e garantir a adaptação a novas funções e habilidades emergentes”, diz.
Araújo lembra que estas habilidades serão utilizadas, em muitos casos, em funções ainda desconhecidas. A pesquisa aponta que, entre 2025 e 2030, a criação e destruição de empregos chegará a 22% do total de empregos de hoje. Entre o fim de alguns e a criação de outros, a previsão é de um crescimento líquido de 7%, ou 78 milhões de novos empregos, ao mesmo tempo em que dois quintos (39%) dos conjuntos de habilidades existentes hoje sejam transformados ou fiquem desatualizados no período de 2025-2030.
Requalificação da força de trabalho
Na prática, o pensamento analítico para a tomada de decisão continua sendo a habilidade essencial mais procurada entre os empregadores, com 7 em cada 10 empresas considerando-a essencial em 2025. Isso é seguido por resiliência, flexibilidade e agilidade, juntamente com liderança e influência social. Embora os números globais de empregos sejam projetados para crescer até 2030, as diferenças entre as habilidades existentes e emergentes podem criar lacunas, e aqui começa a necessidade de formação/qualificação/requalificação.
A pesquisa mostra que, se a força de trabalho mundial fosse composta por 100 pessoas, 59 precisariam de treinamento até 2030. Destes, os empregadores preveem que 29 poderiam ser requalificados em suas funções atuais e 19 poderiam ser requalificados e realocados em outro lugar dentro de sua organização. No entanto, 11 dificilmente receberiam a requalificação ou requalificação necessária, deixando suas perspectivas de emprego cada vez mais em risco. É justamente por isso que 85% dos empregadores pesquisados planejam priorizar a qualificação de sua força de trabalho, criando uma demanda por experiências de aprendizagem personalizadas, tecnologias adaptativas e análises em tempo real que impulsionarão o mercado de EdTechs.
“Não é por acaso que o setor oferece uma série de oportunidades, principalmente onde o acesso à educação de qualidade é limitado”, afirma, citando inovações como tutores virtuais com tecnologia de IA e Blockchain para certificação segura, que estão ganhando força e abrindo caminho para novos modelos de negócios, assim como a crescente adoção de tecnologias de Realidade Virtual e Realidade Aumentada em ambientes de aprendizagem interativos.
Por todos estes fatores, Araújo acredita que a ascensão das EdTechs é um fenômeno transformador que redefine as fronteiras da educação e do trabalho no mundo contemporâneo. “No Brasil de 2025, as EdTechs emergem como um pilar estratégico para capacitar cidadãos e alinhar as empresas brasileiras às exigências crescentes de qualificação e requalificação em um cenário competitivo mais acirrado e à necessidade de maior produtividade”, diz, lembrando que estas empresas têm um papel de destaque para liderar iniciativas que permitam acelerar o acesso à educação de qualidade, adequando o mercado de trabalho às exigências de uma transformação acelerada.

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