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Faturamento das revendas de TIC cresceu mais de 10% em 2024, diz Abradisti

Distribuidores e revendas recuperam resultados em 2024 e devem crescer neste ano com projetos de IA e cibersegurança, junto a uma expansão das vendas de hardware e software

Faturamento das revendas de TIC cresceu mais de 10% em 2024, diz Abradisti

Em um cenário macroeconômico com pressões monetárias (juros altos) e cambiais (com dólar em alta), os Canais de TI mostraram capacidade de adaptação e encerraram 2024 com um crescimento de 10,7%, contra uma inflação de 4,8%. Porém, algumas revendas, como as de valor agregado (VARs) tiveram um desempenho mais forte, com alta de 14,8% em relação a 2023, e as lojas virtuais avançaram 15,2% no período.

Esses Dados são alguns dos resultados apurados pela 14ª edição do Censo das Revendas da Abradisti (Associação Brasileira da Distribuição de Tecnologia da Informação), levantamento com 1.360 respostas válidas enviadas por empresas revendedoras de TI do Brasil, realizado anualmente pela IT Data. Além de representar o setor, a Abradisti tem como prioridade instrumentalizar as empresas com dados amplos, relevantes e confiáveis.

“O Censo das Revendas tem funcionado como uma fonte cada vez mais rica para o planejamento comercial e financeiro, assim como para entender as tendências com produtos e fornecedores. Cada um de nós tem suas estratégias, parceiros e concorrentes. Em conjunturas desafiadoras, interlocução e informação de qualidade são ainda mais relevantes”, explica Mariano Gordinho, presidente-executivo da Abradisti.

Do total de 1360 revendas participantes com respostas válidas, 13% são representantes comerciais, 6% lojas virtuais, 29% revendas de volume, 48% VARs (Revendas de Valor Agregado) e 4% Revendas de Automação Comercial 

Do total de 1360 revendas participantes com respostas válidas, 13% são representantes comerciais, 6% lojas virtuais, 29% revendas de volume, 48% VARs (Revendas de Valor Agregado) e 4% Revendas de Automação Comercial.

Dados e cenário
Ivair Rodrigues, diretor de pesquisa da IT Data (que desenvolve o levantamento desde o início da série) lembra que 2023 tinha sido ruim por vários fatores. “Em primeiro ano de governo há tendência a alguma retração; o parque expandido durante a pandemia não precisava de tanta renovação; e, com o agravante dos juros altos, a distribuição teve uma queda de 10%”, enumera. O analista pondera que parte do aumento do faturamento em 2024 se explica pela valorização de 11,3% do dólar, que influencia diretamente os preços de hardware, telecom e software.

Na média, 69% das revendas pesquisadas esperam crescer em 2025. No geral, estas revendas esperam um crescimento de 14,6% para este ano.

Mão de obra do mercado
Enquanto 45% dos VARs têm como principais clientes empresas com mais de 250 funcionários, no caso das revendas de volume, 57% têm como principais clientes empresas entre 21 e 250 funcionários. Ivair Rodrigues observa que o movimento dos VARs para as grandes contas cria espaço para que as revendas de volume escalem suas oportunidades de negócios. “Hoje, o VAR busca parcerias com revendas para ajudar nos serviços mais básicos, porque falta gente para fazer tudo”, descreve.

“Esse movimento mobiliza as revendas para se qualificarem. A mudança coloca no jogo variáveis como recursos humanos, gestão de fluxo financeiro, governança e outras condições às quais nem todos estão acostumados. Para isso, o distribuidor também precisa se adaptar para elevar o suporte aos canais”, observa Mariano Gordinho.

Na pesquisa realizada em 2024, havia uma expectativa de contratação de novos funcionários para 43% das revendas entrevistadas, impulsionada pelos VARs. No entanto, o resultado apurado este ano mostra que apenas 25% das revendas aumentaram seu quadro de colaboradores, enquanto 59% das revendas entrevistadas mantiveram estável o número de funcionários. A escassez de mão de obra tem sido um grande obstáculo ao crescimento das revendas, sinalizando ser um desafio para os 52% que planejam contratar novos funcionários.

Foco no cliente
Os VARs continuam a gerar receita significativa com vendas para grandes empresas. Entre eles, 45% indicaram que seus principais clientes possuem mais de 250 funcionários. Já o percentual daqueles que apontaram o governo como principal cliente caiu para 10% no ano passado, uma redução de 20% em relação ao ano anterior. As revendas de volume, antes focadas principalmente em microempresas (até 20 funcionários), agora buscam atender também pequenas e médias empresas.

Mariano Gordinho salienta que os desafios para captar e desenvolver profissionais vai além das habilitações e certificações técnicas. “Precisamos de gente capaz de entender não apenas as demandas do consumidor ou do negócio, mas também as expectativas”, pondera. Nesse sentido, os próprios cursos promovidos na Academia Abradisti são fortemente voltados ao estudo de casos e uso.

Ao mesmo tempo em que detectou uma taxa de mortalidade de revendas mais baixa em relação às edições anteriores, 20% das lojas virtuais e 12% dos representantes comerciais incluídos nesta edição do Censo afirmaram ter iniciado suas operações em 2024 ou início de 2025. O diretor da IT Data nota que em 2024 houve uma quantidade acentuada de abertura de empresas, por empreendedores mais jovens. “Isso é uma tendência mundial”, informa.

“Estão previstos novos projetos de IA e cibersegurança, além de uma leve melhora nos investimentos em infraestrutura de hardware e software, beneficiando as revendas. O governo é a grande dúvida para 2025. As boas vendas de TIC para este segmento em 2022 não se repetiram nos dois últimos anos e acreditamos que não há uma tendência de grande melhora para 2025”, resume o diretor da IT Data.

ESTUDO SETORIAL: faturamento dos Distribuidores de TIC cresce 10% em 2024
Outro estudo divulgado pela Abradisti foi o Estudo Setorial, que por meio da IT Data (empresa de pesquisa especializada que atua no mercado há 20 anos) entrevistou e tabulou dados de 51 distribuidores associados, que representam 86% de todo o mercado de TIC no Brasil.

Na última pesquisa, realizada no ano passado, os distribuidores esperavam um crescimento de 8% de seus negócios para o ano de 2024, devido ao potencial crescimento econômico, redução do desemprego e aumento dos investimentos público e privado. No segmento governamental, que representa cerca de 20% do mercado de TIC, os investimentos avançaram pouco.

O setor privado foi o principal motor da expansão, com grandes e médias empresas aumentando 7,4% os seus investimentos. Os segmentos de prestação de serviços e indústria foram os maiores impulsionadores desse avanço.

Nas micro e pequenas, que não possuem orçamento definido, estima-se que houve um aumento de gastos em torno de 8,5%, devido a grande quantidade de empresas que foram abertas em 2024 (1,1 milhão de micro e pequenas empresas).

Um dos principais fatores que impactaram o mercado de TIC foi a valorização do dólar, que influencia diretamente os preços de hardware, telecom e software. Enquanto a média do dólar em 2023 foi de R$4,84, em 2024 a moeda subiu para R$5,39. Um aumento de 11,3%, repassado em grande parte aos preços.

Apesar do cenário desafiador, o setor de distribuição de TIC cresceu 10% em reais em 2024, movimentando R$ 28,7 bilhões. Os 51 distribuidores da Abradisti cresceram um pouco mais: 12,3%.

Em 2024, 40% dos entrevistados apontaram o capital humano inadequado como o principal desafio dos distribuidores. No entanto, com a taxa de juros em 14,75%, esse fator se tornou a maior preocupação para 77% dos distribuidores este ano. A alta dos juros encarece empréstimos e financiamentos, dificultando o acesso ao crédito — desafio que ocupa a quarta posição — para expansão, capital de giro e investimentos.

Para 2025, o otimismo dos distribuidores diminuiu devido a conflitos externos, taxa de juros elevada (14,75%), inflação e desaquecimento da economia. A estimativa de crescimento do faturamento é de 6%, um pouco maior que a inflação prevista para o ano, de 5,5%.

A versão pública dos resultados do Censo das Revendas e Estudo Setorial da Abradisti está disponível para download em:

https://page.abradisti.org.br/14-censo-das-revendas-acesse-o-conteudo-publico

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