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O grande desafio dos bancos hoje é reestruturar suas bases de dados

Após demorarem para fazer a migração para a Nuvem, os bancos parecem ávidos em adotar a Inteligência Artificial, mas muitas instituições esbarram na qualidade dos dados

O grande desafio dos bancos hoje é reestruturar suas bases de dados

A Inteligência Artificial (IA) está sendo o foco da Febraban Tech 2025 (10 a 12/6 em São Paulo), permeando praticamente todos os temas abordados no evento. A Oracle Brasil, por exemplo, apresentou cases de aplicações de IA no setor financeiro e o desenvolvimento, em conjunto com a Distrito, do Super Banker, um agente de IA para consultores de investimento. Nesta entrevista, Alexandre Maioral, presidente da Oracle Brasil conta sobre a importância do setor financeiro para a companhia e como ela atua neste mercado.

Qual a importância do setor financeiro para os negócios da Oracle?

O setor financeiro é uma das principais indústrias para a Oracle. Globalmente, temos diversas soluções para este segmento, como sistemas antifraudes e lavagem de dinheiro, que ainda são pouco adotadas no Brasil, mas que estão em fase de avaliação por grandes bancos por aqui, principalmente em questões de fraudes. A chegada da IA está impulsionando este tipo de aplicação, pois não é preciso ter uma solução 100% localizada, posso desenvolver agentes de IA que vão resolver muitas coisas do dia a dia. Essas soluções antifraudes estão em operação em outros mercados, inclusive em alguns países na América Latina, e estão em avaliação em alguns clientes no Brasil. Não será preciso grandes alterações de localização, ao contrário de sistema de core bancário, que por conta de regulamentações, precisam ser localizados.

No Brasil, os bancos sempre foram mais conservadores e resistentes em adotar novas tecnologias. Isso tem mudado?

Isso é verdade. Lembro de uma reunião que tive com um executivo de um grande banco no Brasil há cerca de seis anos e senti que a resistência por novas tecnologias era muito grande, principalmente sobre migração para a Nuvem. Mas, ao mesmo tempo, todo mundo já usava o Internet Banking e ninguém achava estranho. Mas, felizmente, o setor bancário acelerou muito neste sentido, muito por causa das fintechs, que já nasceram na Nuvem, demonstrando que isso traz um grau maior de eficiência, de produtividade e um custo menor em comparação à infraestrutura tradicional com mainframes. Os grandes bancos ainda possuem desafios importantes, pois ainda possuem uma base de dados muito desestruturada. O desafio hoje é estruturar a base de dados para poder usar a IA de forma eficiente. Mas a discussão hoje não é se eles vão usar a IA, mas quando e de que forma isso será feito.

A venda para o setor financeiro é diferente em comparação ao varejo ou manufatura?

A abordagem a esse tipo de cliente se difere um pouco, pois há uma resistência ao novo, ainda mais se o CIO do banco abraçou determinada tecnologia ou fornecedor, aí fica mais difícil ele olhar para alternativas. Quando a Oracle criou seu modelo de Multicloud, isso facilitou muito. Grandes bancos que usam o banco de dados da Oracle em missões críticas, mas não escolheram a Nuvem da Oracle (OCI), já podem adotar o Multicloud graças a parcerias que fizemos com o Microsoft Azure, AWS e Google Cloud. A necessidade de reestruturação dos dados que mencionei, e muitos deles estão em Oracle, pode ser feita e rodar nas Nuvens dos agora nossos parceiros de Nuvem. A Oracle ainda é muito conhecida pelo seu banco de dados, que é a base para se usar a IA, desde que sejam estruturados e confiáveis.

Como a Oracle vem preparando seus parceiros de Canal para vender suas soluções para este mercado?

Há pouco mais de cinco anos, a Oracle saiu de uma empresa de produtos para uma empresa de serviços. Ao invés de apenas vender uma solução, estamos educando a indústria – a indústria financeira tem características específicas. Hoje existe uma zona cinzenta, pois varejo vira serviços financeiros, que vira varejo; a empresa de entrega ou marketplace vira finanças e assim por diante. Temos visto todas essas indústrias se misturando. Estamos procurando educar mais os nossos parceiros sobre os processos de negócios dessas indústrias. Assim, eles poderão resolver problemas dos nossos clientes usando soluções Oracle. Estamos investindo muito na educação de processos de negócios e para onde essas indústrias estão indo.

Qual a estratégia da Oracle em relação à Inteligência Artificial?

A Oracle tem um DNA forte em dados e segurança. Estamos focando muito na forma como a gente coordena e reestrutura os dados. A Oracle não irá desenvolver LLMs, somos um framework que pode usar qualquer LLM de mercado ou desenvolvido dentro da casa do cliente. No momento em que os clientes começam a escalar esses agentes, nos tornamos um parceiro estratégico. Estamos vendo que, em indústrias como finanças e saúde, os agentes de IA podem ajudar muito. Eles têm internamente todos os dados históricos da empresa, de mercado, que são cruzados para trazer insights para o negócio. Há empresas que estão construindo seus próprios LLMs, o que não acho uma boa decisão, pois irá concorrer com LLMs globais muito mais sofisticados por conta dos investimentos recebidos. Eles serão as bases do Small Language Models (SLM). Acho melhor usar os LLMs globais como base para os SLMs. Dessa forma tenho meus dados internos e históricos para comparar com os dados globais e assim trazer melhores respostas. Os nossos clientes do OCI podem escolher entre vários LLMs, como Llama (Meta), OpenAI, DeepSeek e Grok. Os clientes da OCI podem escolher esses LLMs para o desenvolvimento de seus SLMs.

Qual o futuro da tecnologia no segmento financeiro?

Se fala muito em IA no segmento financeiro, que dá a impressão de que estamos avançados, mas na realidade ainda estamos muito aquém do que é possível ser feito. Não sei precisar com exatidão como será o futuro dos serviços financeiros, mas com certeza será muito mais simplificado, hiperpersonalizado e com custos menores. Antes, os CRMs categorizavam os clientes com base em alguns critérios, como idade, renda, preferências etc. Com a IA e dados estruturados, os bancos podem oferecer produtos mais personalizados, de acordo com as necessidades de cada pessoa e não de um grupo. A tecnologia vai permitir essa hiperpersonalliação.

Qual mensagem a Oracle está passando para o mercado neste evento?

O principal foco da Oracle neste evento é debater com o setor de finanças que, por mais que pareça que as empresas estão avançadas em IA, ainda se está muito aquém do que é possível estar. Lembrando que são três pontos principais: fazer a reestruturação dos dados, criar uma cultura de IA e ampliar a segurança. Antes de criar um produto, entender se os dados estão preparados, se há agentes de IA que possam ajudar e ressignificar as funções dos funcionários para trazer mais valor para o negócio. Se deve usar a IA inicialmente como copiloto, e não como piloto, para evitar erros e problemas.

 

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