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Como a corrida pela digitalização pode se tornar uma ameaça aos negócios

Especialista da ISH Tecnologia alerta que a superfície de ataque corporativa está se expandindo mais rápido do que a capacidade de proteção, podendo causar prejuízos milionários

Como a corrida pela digitalização pode se tornar uma ameaça aos negócios

Enquanto empresas celebram ganhos de produtividade com a digitalização acelerada, um risco silencioso se espalha: a superfície de ataque corporativa está se expandindo mais rápido do que a capacidade de proteção. O que antes era um cofre físico, hoje se tornou um emaranhado de sistemas interconectados, onde uma única falha pode desencadear prejuízos milionários – ou até a falência de negócios inteiros.

“Estamos construindo arranha-céus digitais com alicerces de areia”, adverte Armsthon Zanelato, Co-CEO da ISH Tecnologia, empresa brasileira de cibersegurança. Segundo ele, a obsessão por eficiência tem ofuscado um cálculo perigoso: cada novo sistema integrado, aplicação em Nuvem ou dispositivo IoT é uma potencial porta aberta para criminosos.

O primeiro pilar é o mapeamento em 360°, que exige identificar todos os ativos digitais – até aqueles esquecidos em cantos obscuros da rede

O paradoxo da Transformação Digital revela um equilíbrio delicado entre eficiência e vulnerabilidade. A chamada “superfície de ataque” abrange muito mais do que a infraestrutura tecnológica, compondo um mosaico que envolve falhas humanas, como colaboradores que repetem senhas ou caem em golpes de phishing; configurações negligentes, como APIs expostas e bancos de dados desprotegidos; e tecnologias obsoletas, com sistemas legados que se tornam verdadeiras “caixas-pretas” sem monitoramento adequado.

“Imagine um jogo de xadrez onde você não conhece todas as peças do oponente. É assim que muitas empresas operam: digitalizam processos sem mapear como cada peça do tabuleiro digital pode ser usada contra elas”, explica Zanelato.

Ataques reais têm gerado consequências catastróficas e acendido o alerta para empresas de diversos setores. O especialista destaca três cenários críticos recentes: no setor de saúde, hospitais tiveram diagnósticos de câncer e dados genéticos sequestrados por ransomware, com hackers ameaçando vazar informações sensíveis; no varejo digital, credenciais de 500 mil usuários foram expostas devido a uma API mal configurada em um marketplace, resultando em um prejuízo reputacional incalculável; e, na indústria 4.0, linhas de produção foram paralisadas por 72 horas após um ataque a sistemas SCADA desatualizados.

“O pior erro é achar que ataques só exploram tecnologia. Na maioria dos casos que investigamos, o gatilho foi humano: um clique em link malicioso, uma senha escrita em post-it, um funcionário despreparado”, explica Zanelato.

O efeito dominó da negligência: quando a brecha vira crise

O especialista da ISH Tecnologia ilustra como vulnerabilidades aparentemente isoladas desencadeiam reações em cadeia com um exemplo prático: tudo começa com um servidor de e-mail mal configurado, onde a autenticação fraca permite a invasão de criminosos. Uma vez dentro, eles acessam conversas internas sobre o lançamento de um novo produto, dados estratégicos que são rapidamente transformados em armas para golpes direcionados a clientes. O resultado? Além da perda de contratos milionários, a empresa enfrenta processos judiciais por violação de privacidade e quebra de confiança. “É como deixar a chave do cofre sob o tapete e se surpreender com o roubo”, ironiza o executivo, destacando como pequenas falhas podem escalar para crises irreversíveis.

A estratégia de segurança deve ser tão dinâmica quanto as ameaças. O primeiro pilar é o mapeamento em 360°, que exige identificar todos os ativos digitais – até aqueles esquecidos em cantos obscuros da rede. O segundo aspecto é a caça às sombras, usando inteligência artificial para detectar vulnerabilidades antes mesmo que hackers as encontrem. Outra frente crucial é a proteção em camadas, que combina firewall de última geração, criptografia zero-trust e treinamentos obrigatórios de conscientização para fechar brechas humanas e tecnológicas. Por fim, a resiliência bélica completa o ciclo, com planos de resposta a incidentes testados em simulações realistas, garantindo que a empresa não apenas previna ataques, mas saiba reagir sob pressão. “Segurança não é um custo, mas um acelerador de negócios”, reforça o executivo.

 

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