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Médicos do InRad testam 5G para atender população ribeirinha e indígena

Exames de ultrassom a distância fazem parte do OpenCare 5G, um projeto realizado pelo InovaHC para testar a quinta geração da Internet móvel na saúde

Médicos do InRad testam 5G para atender população ribeirinha e indígena

Uma iniciativa dos médicos do Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) ganhará um reforço tecnológico importante para melhorar a atenção básica de populações que vivem em áreas remotas. A iniciativa Aysú, que leva assistência em saúde à população ribeirinha e indígena da Região Amazônica com exames de ultrassom, fará parte dos testes da tecnologia 5G no maior complexo hospitalar da América Latina dentro do OpenCare 5G, um projeto realizado pelo InovaHC, o núcleo de inovação do Hospital das Clínicas, que reúne um ecossistema diversificado de tecnologia, telecomunicações e bancos para testar a quinta geração da Internet móvel na saúde.

Com os recursos do 5G, os médicos poderão, a partir da sede do Instituto em São Paulo, capacitar profissionais da saúde de outras localidades para conduzir os exames e, remotamente, ajudar na resolução de dúvidas diagnósticas pontuais

A escolha não ocorreu por acaso. Em agosto, os médicos Marcos Roberto de Menezes e Marcio Meira, radiologistas intervencionistas do Instituto de Radiologia, desembarcaram nas margens do rio Tapajós, no Pará, para fazer exames de ultrassom e ajudar no atendimento médico de populações em situação de vulnerabilidade a doenças e epidemias. Foi a segunda expedição dos especialistas do InRad, que integram a ONG Zoé, uma Organização Não Governamental formada por médicos da cidade de São Paulo que surgiu para oferecer tratamentos e cuidados a uma parcela sem ou com pouco acesso à assistência de saúde qualificada. Menezes e Meira passaram oito dias em atendimento no barco Abaré, uma espécie de Unidade Básica de Saúde fluvial que oferece atendimento primário, e realizaram pelo menos 200 exames de ultrassom dos mais variados tipos em crianças, jovens, homens e mulheres.

Num primeiro momento, os testes de ultrassom serão realizados dentro do complexo do HC, com a instalação de antenas 5G em salas diferentes. Numa ponta fica um operador, o aparelho para realização do exame e o paciente. Na outra ponta, há um médico que avalia as imagens, guiando a pessoa que está mais perto do paciente, fornecendo as coordenadas remotamente. Os agentes do projeto vão avaliar a capacidade de transmissão de dados de 5G, o tempo de resposta e a viabilidade de realização do exame a distância. A partir da resposta desse experimento e com o mínimo de latência entre as duas pontas, será possível expandir a oferta de ultrassom, o que deve beneficiar, em especial, comunidades isoladas país afora.

Com os recursos do 5G, os médicos poderão, a partir da sede do Instituto em São Paulo, capacitar profissionais da saúde de outras localidades (por meio de um curso EAD) para conduzir os exames e, remotamente, ajudar na resolução de dúvidas diagnósticas pontuais que resultam em tomada de decisões terapêuticas rápidas, consequentemente com melhor desfecho na condução clínica dos pacientes. Um impacto evidente, de acordo com os especialistas, seria a redução de mortalidade de mulheres e crianças no parto nestas regiões remotas.

Para iniciar os testes da quinta geração da internet móvel, o InovaHC reuniu um grupo de empresas sob a coordenação da Deloitte com participação do Itaú Unibanco, NEC, Telecom Infra Project (TIP), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Siemens Healthineers, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP)

Expedição a bordo do Abaré

Para realizar os exames na segunda expedição a bordo do barco Abaré, os médicos viajaram com apoio da Samsung, que disponibilizou os equipamentos utilizados nos atendimentos – os ultrassonografistas levaram dois aparelhos portáteis. Com a pandemia da Covid-19, o papel do Abaré na assistência às comunidades ribeirinhas ficou ainda mais importante, pois é pela embarcação que as pessoas recebem insumos básicos e os itens de proteção como máscara e álcool em gel. “O aprendizado da viagem para quem vive num grande centro como São Paulo, para nós que estamos no HC, que é um grande polo tecnológico, com todos os recursos, é ver que uma solução básica como o ultrassom tem um impacto e faz uma diferença enorme numa população como essa”, destaca Marcos Menezes.

Ao longo dos oito dias da expedição, além dos atendimentos primários, os médicos fizeram um diagnóstico de câncer de tireoide, muitos exames de gravidez e hérnias. O radiologista intervencionista do InRad destaca a troca de experiências entre médicos e população local, como a interação com o pagé, o cacique, poder vivenciar a dinâmica da aldeia, ter acesso aos conhecimentos sobre a floresta e toda a sabedoria local, baseada no conceito de vida em comunidade. “Poder se relacionar com isso proporciona um contraste muito enriquecedor”, destaca Marcos Menezes, ressaltando também o acolhimento do grupo médico local que atende essas pessoas.

Serviço
inrad.hc.fm.usp.br

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