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Cinco desafios de ter a própria eWallet e porque o marketplace precisa de uma fintech

Nos últimos meses, foi possível perceber uma guinada dos marketplaces e apps brasileiros em busca de mais opções de pagamento e melhor experiência de compra para seus consumidores. Esse movimento, sem dúvida, é parte de uma estratégia de omnichannel bem-sucedida feita pelos principais varejistas internacionais, que usam sua base de clientes para criar uma carteira digital e oferecer meios de pagamentos mais avançados – ou até mesmo serviços financeiros, em alguns casos.

Atualmente, a Amazon Go é um dos mais claros exemplos de loja que elevou a experiência do cliente a outro nível ao inaugurar um estabelecimento sem caixas ou pontos de self checkout. Para entrar na unidade, tudo o que o cliente precisa é baixar o app da Amazon, fazer um cadastro e escanear o QR Code de identificação pessoal para liberação de uma catraca. Cada produto retirado da prateleira é instantaneamente acrescentado a uma cesta virtual e ao sair da loja, a compra é debitada da conta da Amazon minutos depois. Omnicanalidade pura.

A Starbucks é outro caso conhecido de como uma rede de cafés está retendo e fidelizando clientes a partir de seu app de pagamentos. Tanto que, em maio de 2018, o aplicativo da marca se tornou o mais popular do mundo, superando em números grandes companhias tecnológicas como Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay, segundo relatório da eMarketer. O sucesso do sistema de pagamento se dá, segundo o levantamento, à experiência de navegação e compra junto à sua base de clientes fidelizada.

Existem muitos outros exemplos de marketplaces que apostam na inovação em meios de pagamentos aliada a uma estratégia de omnichannel para elevar a experiência dos usuários, mas o que muitos varejistas não sabem é que nem sempre é viável ter e gerir a própria eWallet. Administrar uma carteira digital pode, muitas vezes, levar o varejista a perder o foco em seu core estratégico já que, ao invés dele se manter engajado numa estratégia de omnichannel aliada a um programa de fidelização, ele vai ficar se desgastando com processos regulatórios, técnicos e buscas de canais alternativos para entrada e saída dos saldos das eWallets, sendo que, dependendo da escala, não conseguirá viabilizar.

Uma das principais exigências do Banco Central é que os pagamentos sejam feitos por meio da CIP – Câmara Interbancária de Pagamentos, que centralizará as transações antes realizadas diretamente nas plataformas de vendas. Ou seja, cabe ao varejista se adaptar à tecnologia necessária para fazer essa integração, além de passar por um processo de homologação ou contratação de subadquirentes que realizem o serviço – o que não é simples.

Além dessa conexão com a CIP, os marketplaces terão ainda que lidar com uma série de desafios. Abaixo, é possível conferir outros cinco que costumam gerar algum tipo de transtorno:

– Amplitude de serviços para rentabilização: Habilitar integrações para performar as principais operações financeiras e contar com a escala necessária para manter competitividade de serviços;

Plano de Governança bem-estruturado: É preciso criar uma equipe específica para gestão operacional e risco, mantendo KPIs mínimos exigidos pelo mercado;

– Integração e conectividade: Estabelecer diversas parcerias para iniciar operação de meios de pagamentos, já que o mercado atua de forma modular com terceirizações e quarteirizações. Com isso, criam-se barreiras de escala e velocidade;

– Licença com a bandeira escolhida: Cada uma precisa de requisitos qualificadores distintos, investimentos, infraestrutura mínima para atender todas as exigências, colateral e ainda as visitas recorrentes de auditorias externas;

– Interoperabilidade entre carteiras: Para ganhar escala e rápido crescimento, é preciso desenvolver parcerias para aumentar o número de movimentações entre as carteiras.

É nesse contexto que as fintechs se apresentam como uma alternativa, oferecendo o que há de mais inovador em serviços, além de já possuírem todas as licenças necessárias. Nessa hora, contar com uma infraestrutura verticalizada faz a diferença, porque é possível escalar na velocidade do cliente sem a necessidade de envolver outro parceiro.

O Varejo é um segmento dinâmico com exigência de adaptações rápidas e constantes, Time to Market, performance e inovações variadas. Esses fatores exigem equipes de desenvolvedores especializados em meios de pagamentos, já com uma infraestrutura robusta pronta para escalar as operações sempre que for necessário.

O marketplace que tem uma boa fintech como parceira, cuja arquitetura está pronta dentro de casa, tem a capacidade de “trocar um pneu com o carro em movimento”. Sem dúvida, um recurso que o coloca na frente dos demais competidores quando o assunto é inovação e oferecer melhor experiência de compra para o usuário.

Por Alexandre Brito, CEO da HUB FinTech

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